Bruxelas defende investimento em modelo de negócio “sustentável”

  • Lusa
  • 26 Fevereiro 2021

Frans Timmermans sugeriu a utilização do pacote financeiro de 750 mil milhões de euros para "transformar" a economia europeia numa economia "mais circular".

O vice-presidente executivo da Comissão Europeia Frans Timmermans defendeu esta sexta-feira que a Europa tem de “abraçar uma economia circular” e “restaurar a natureza de uma forma proativa”, investindo num “modelo de negócio sustentável”.

Numa mensagem vídeo divulgada na abertura da conferência de alto nível “Alterações Climáticas – Novos Modelos Económicos”, Frans Timmermans alertou para a necessidade de “reequilibrar a nossa vida com o planeta” e de “evitar um ecocídio”.

Para isso, defendeu que é necessário “atuar rapidamente” e começar por “dar prioridade a todos os pilares do Pacto Ecológico Europeu”, dissociando o crescimento “não só das emissões, mas também dos recursos”.

“Na verdade, metade das emissões de gases com efeito estufa e mais de 90% de perda de biodiversidade vêm da extração dos recursos e do processamento e transformação desses recursos”, pelo que “não será necessário apenas uma energia limpa”, argumentou.

O comissário europeu responsável pelo Pacto Ecológico Europeu assinalou a necessidade de “abraçar uma economia circular e uma economia sustentável e, ao mesmo tempo, de restaurar a natureza de uma forma proativa”.

Apontando a bioeconomia como uma parte da economia circular, Frans Timmermans apelou, então, ao cumprimento “em toda a linha” dos mesmos princípios de circularidade, porque “não podemos continuar no mesmo caminho de produção e consumo, pura e simplesmente substituindo os combustíveis fósseis por combustíveis biológicos”.

“O nosso padrão de extrair, utilizar e eliminar tem de mudar. Temos de mudar completamente a forma como os produtos são concebidos, transformados, fabricados e consumidos”, frisou.

Por isso, propõe, em primeiro lugar, a redução do “consumo primário” e o investimento “num modelo de negócio mais sustentável”, cumprindo “as normas mais exigentes em termos de sustentabilidade”.

“O mercado deve ter produtos que possam ser produzidos, usados, reutilizados, reciclados e novamente reutilizados. Temos de ter produtos que sejam cada vez mais feitos a partir de materiais recicláveis. Isso vai ajudar-nos a crescer, reduzindo, ao mesmo tempo, a pressão sobre o nosso ambiente”, acrescentou.

Nesse sentido, recordou que a Comissão Europeia “está a desenvolver uma política e um quadro legislativo para o efeito”, que vai ser aberto a consulta pública “em breve”.

Ao mesmo tempo, Frans Timmermans sugeriu a utilização do pacote financeiro para a recuperação económica da União Europeia (UE), no valor de 750 mil milhões de euros, para “transformar” a economia europeia numa economia “mais circular”.

“Se gastarmos de uma forma sensata, podemos garantir que os produtos que produzimos são sustentáveis, que a energia é limpa, que temos uma economia com uma eficiência de utilização dos recursos, em que as nossas cidades são verdes e em que os resíduos são minimizados e a natureza é protegida e restaurada”, disse.

“No fim, isto não tem que ver com salvar o planeta, mas com salvarmo-nos a nós mesmos. Só restaurando o equilíbrio com o nosso ambiente é que vamos conseguir ter uma vida melhor para nós e também para todos aqueles que vêm depois de nós”, concluiu.

Frans Timmermans abriu hoje a conferência de alto nível “Alterações Climáticas – Novos Modelos Económicos”, juntamente com o primeiro-ministro, António Costa.

Este evento internacional, que conta com a participação de 17 especialistas e autores e é organizado pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da UE, visa debater a contribuição de novos modelos económicos, incluindo a economia circular e a bioeconomia sustentável, no combate às alterações climáticas e, simultaneamente, na promoção de uma recuperação económica e social, justa e equitativa, dentro dos limites do sistema natural.

Os responsáveis pela pasta do Ambiente dos países que compõem o trio de presidências, nomeadamente a ministra do Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha, Svenja Schulze, o ministro do Ambiente e Planeamento Espacial da Eslovénia, Andrej Vizjak, e o ministro do Ambiente e da Ação Climática de Portugal, João Pedro Matos Fernandes, encerram a conferência.

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