Exclusivo Diogo Lacerda Machado e Esmeralda Dourado demitem-se da TAPpremium

Os dois gestores antecipam o anúncio de saída da administração, para o fim de abril. E vem aí um CEO alemão, mas só depois de Bruxelas aprovar o plano de reestruturação.

Diogo Lacerda Machado e Esmeralda Dourado apresentaram a demissão do conselho de administração da TAP com efeitos a partir do final de abril, ainda a tempo de assinarem as contas de 2020, apurou o ECO junto de duas fontes da companhia aérea. O mandato do atual conselho de administração terminou em dezembro, mas o processo de reestruturação que está em negociação em Bruxelas está a atrasar a realização de uma assembleia geral eletiva, que está ainda sem data, e isso precipitou o anúncio de saída destes dois gestores, com ou sem reunião de acionistas.

Diogo Lacerda Machado, advogado e melhor amigo do primeiro-ministro António Costa, liderou o processo negocial de reversão da privatização da TAP e que conduziu o Estado a ter 50% do capital, enquanto a Atlantic Gateway, de David Neeleman e Humberto Pedrosa, passaram a ter 45% do capital (e os trabalhadores os remanescentes 5%). Um entusiasta confesso de aviação -- dizia em privado que trabalharia na TAP qualquer que fosse a função --, defendeu o modelo de reversão e foi um apoiante permanente de Neeleman e da gestão de Antonoaldo Neves. E acabou por entrar em confronto com Pedro Nuno Santos quando o ministro das Infraestruturas assumiu a rutura com o gestor brasileiro. A crise da pandemia e a forma como Pedro Nuno Santos liderou a negociação de saída de David Neeleman só serviram para agravar as divergências.

Ainda recentemente, num artigo de opinião na revista corporate Prémio, da agência Cunha Vaz & Associados, defendeu o legado da TAP até à pandemia. "Mas, bem mais que a avaliação que seja feita pelos que protagonizaram o notável tempo de mudança entre 2015 e fevereiro de 2020 e que conduziram a TAP a alcançar no segundo semestre de 2019 uma trajetória de desempenho sustentadamente lucrativa, projetando-a para lá do Cabo da Boa Esperança, os juízos decisivos sobre o trabalho conjunto feito nos últimos quatro anos foram os êxitos absolutos conseguidos no regresso da TAP aos mercados financeiros, depois de quase cinquenta anos de ausência, sem garantias públicas, apenas com o seu próprio balanço e o seu ‘business case’".

Oficialmente, ninguém faz comentários, mas o ECO sabe que as saídas de Diogo Lacerda Machado e de Esmeralda Dourado -- ambos presidentes de comissões dentro do conselho da TAP -- foram formalizadas esta segunda-feira, através de cartas de rescisões, e abrem especulação sobre o que será a composição da nova administração. Há poucas semanas, Ana Pinho, não executiva, também tinha apresentado a demissão. Sabe-se que o ministro das Infraestruturas quer um gestor executivo internacional -- já estará contratado um gestor alemão, Albrecht Binderberger, que só entrará depois de negociado o plano com Bruxelas. E o Governo ainda não disse se quer manter Miguel Frasquilho como presidente do conselho de administração para um novo mandato.

Neste momento, a TAP fechou um acordo de emergência com 14 sindicatos da TAP, incluindo pilotos e tripulantes, que permite uma redução do número de despedimentos em contrapartida de cortes salariais mais severos. E vai avançar para o regime de lay-off tradicional, sem novos cortes além dos que constam dos referidos acordos de emergência. A TAP tem neste momento cerca de 93% da frota em terra.

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