CEO da Jerónimo Martins critica gestão da pandemia em Portugal. “Polacos foram muito melhores”

CEO da Jerónimo Martins deixou críticas à forma como Portugal planeou o combate à pandemia. Compara com a Polónia, enaltecendo o planeamento rigoroso e a disciplina da organização polacas.

A Jerónimo Martins vê a economia da Polónia recuperar com força já na segunda metade deste ano, enquanto a retoma em Portugal só deverá acontecer um ano depois. O CEO da retalhista portuguesa deixou críticas à forma como se planeou a resposta à pandemia no nosso país. “Quanto maior for o desconhecido, maior é a importância de um planeamento rigoroso e da disciplina da organização. E nisso os polacos foram muito melhores que os portugueses. Isso, indesmentivelmente, em Portugal falhou”, atirou Pedro Soares dos Santos em conferência de imprensa com os jornalistas a propósito dos resultados do ano passado.

Soares dos Santos recusou fazer comentários “de bancada” sobre a situação sanitária, até porque reconheceu que “gerir crises é difícil, a pressão é muito grande, a complexidade trazida pela pandemia surpreendeu tudo e todos”. Ainda assim, não deixou de apresentar a sua visão sobre a forma como os dois países onde a Jerónimo Martins tem negócio combateram a pandemia e como isso se vai traduzir nos arranques das duas economias.

“Na Polónia prevejo que, no segundo semestre, possa haver uma grande retoma, porque o Governo polaco teve sempre uma grande preocupação de não fechar a economia, e de proteger a economia e o emprego. Foram duas coisas que tiveram sempre como grande objetivo, portanto penso que a retoma acontecerá mal haja uma certa confiança no sentido da vacinação e das pessoas sentirem alguma segurança”, afirmou o presidente da dona do Pingo Doce.

Para Portugal, as perspetivas são outras e surgem com um ano de atraso. “Da forma como nós prevemos e temos planeado para nós mesmos, no segundo semestre de 2022 vemos alguma recuperação dessa retoma”, disse.

Pandemia adia planos de expansão na Roménia

O CEO da Jerónimo Martins adiantou ainda que a pandemia teve impacto nos planos de expansão do grupo na Roménia. “Estávamos preparados para começar, em 2020 tínhamos tudo organizado, mas o processo ficou adiado”, disse Pedro Soares dos Santos.

“A Roménia continua a ser a nossa prioridade, mas temos de ver o impacto da pandemia para ver se continua a ser a nossa prioridade. Temos de dar tempo para saber se o país reúne as condições”, acrescentou, depois de ter dito que não vai desistir de fazer crescer o negócio.

Com presença em vários mercados, desde a Polónia até à Colômbia, a Jerónimo Martins registou lucros de 312 milhões de euros no ano passado, o que representa uma descida de quase 20% face a 2019.

A administração propôs o pagamento de um dividendo bruto de 28,8 cêntimos por ação, exceto ações próprias em carteira, num montante total de 181 milhões de euros (payout de 50%)

(Notícia atualizada às 13h22)

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