Críticas de instrumentalização do Parlamento aquecem audição de Moedas no inquérito ao Novo Banco

“O PS já está a ver o engenheiro Carlos Moedas como presidente da Câmara de Lisboa. Prepare-se, senhor engenheiro, que isto é só o início”, disse Duarte Pacheco, criticando o comportamento do PS.

A comissão de inquérito ao Novo Banco já tinha deixado sinais de que ia aquecer com a audição do antigo secretário de Estado adjunto de Pedro Passos Coelho e assim foi. O PSD acusou o PS de instrumentalizar o Parlamento para fins políticos ao chamar Carlos Moedas a depor, numa atitude que considerou “desprezível” e “vergonhosa” da parte dos socialistas. “O PS já está a ver o engenheiro Carlos Moedas como presidente da Câmara de Lisboa. Prepare-se, senhor engenheiro, que isto é só o início”, atirou o deputado Duarte Pacheco.

“Estão dispostos a utilizar tudo para que isso não se concretize. Esta instrumentalização do Parlamento é uma vergonha para o PS e para o Parlamento”, prosseguiu Duarte Pacheco, virado para o deputado socialista João Paulo Correia. Na ótica do PSD, Carlos Moedas foi chamado ao inquérito ao Novo Banco por se ter candidatado contra Fernando Medina à Câmara de Lisboa. “Perante este comportamento do PS, não compactuamos com a instrumentalização e campanha eleitoral que quer aqui fazer e não temos nenhuma pergunta a colocar”, acrescentou o deputado social-democrata.

A intervenção de Duarte Pacheco não ficou sem resposta. João Paulo Correia considerou que não “é anormal” chamar Carlos Moedas, pois teve contacto privilegiado com Ricardo Salgado antes da queda do BES. “Anormal é propor audições de Francisco Louçã, Daniel Bessa, João Salgueiro [como o PSD queria]. Isso é que é instrumentalizar a comissão de inquérito”, respondeu o deputado socialista.

A troca de acusações foi constante durante as cerca de duas horas e meia que durou a audição — a mais curta desta comissão de inquérito — e nem o próprio Carlos Moedas, que foi chamado ao Parlamento pelo PS para explicar a reunião e o telefonema que teve com Ricardo Salgado antes da resolução, se conteve.

Comentando a situação dos lesados do BES, que fora levantada por João Paulo Correia, Carlos Moedas respondeu que os culpados não foram do Governo a que pertenceu, “o Governo que disse não a Ricardo Salgado”. E também disse que o problema em Portugal não foi aquele telefonema entre si e Salgado [em que o ex-presidente do BES expôs os problemas no Luxemburgo e solicitou uma reunião com o presidente da Caixa], mas antes os “favorzinhos” e “jeitinhos” dos governos anteriores. “Esta semana é uma semana importante nesse aspeto”, referiu o antigo secretário de Estado, isto quando a decisão instrutória do processo da Operação Marquês — que ditará se José Sócrates irá ou não a julgamento por mais de 30 crimes — está marcada para esta sexta-feira, dia 9 de abril.

Por várias vezes Moedas fez questão de sublinhar que o “Governo de Passos Coelho foi o único que disse não a Ricardo Salgado” e também lembrou os dez anos que se completam esta terça-feira desde que a troika foi chamada a Portugal.

Antes, os outros partidos também haviam deixado críticas aos socialistas. André Silva, do PAN, acusou o PS de “preferir brincar às campanhas eleitorais” quando a comissão de inquérito poderia ter chamado o hacker Rui Pinto e tentar perceber o desvio de fundos para offshores. “O mesmo PS que tanto dramatiza com leis ad hominem do PAN sobre o cargo de governador do Banco de Portugal é o mesmo partido que para velar pelos interesses de Medina pede uma audição ad hominem em cima do joelho“, criticou o deputado do PAN.

Do CDS, Cecília Meireles, que também pertenceu ao Governo de Passos Coelho como secretária de Estado do Turismo, disse que Carlos Moedas “cometeu o pecado de candidatar-se à câmara da capital do país” e que “se tivesse ficado descansado na sua vida, não estaria aqui hoje”.

Já no final João Paulo Correia voltou a destacar a importância de ouvir novamente os ex-responsáveis políticos aquando da queda do BES e adiantou que o grupo parlamentar vai requerer a troca de correspondência entre a ex-ministra das Finanças e o Banco de Portugal no início de junho e que, segundo o deputado, mostram que o Governo já sabia dos problemas do banco naquela altura.

Já no fecho dos trabalhos, o presidente da comissão de inquérito, Fernando Negrão, fez um resumo: “Foi uma audição atípica, mas muito interessante do ponto de vista político.”

(Notícia atualizada às 12h32)

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