Marsh prevê “falências em massa de empresas zombie” e maior risco económico

Quando acabarem os apoios dos governos, poderão haver "falências em massa de empresas zombie", teme a corretora de seguros Marsh. Relatório do risco também faz raio-X a Portugal.

Depois de um ano marcado pelo choque da pandemia, a corretora de seguros Marsh registou o “maior aumento de sempre” do risco económico por país em todas as regiões do planeta. A tendência vai continuar ao longo de 2021, período em que os constrangimentos criados pela Covid-19 agravarão o risco político global e amplificarão as “ameaças enfrentadas pelas economias já frágeis”.

Os alertas encontram-se no relatório anual da Marsh que analisa a conjuntura em vários países, à luz de riscos sociais como o de greves e motins, terrorismo ou guerra civil, e económico-financeiros, como o risco económico, o risco de crédito soberano ou o risco de expropriação. Portugal também foi alvo deste raio-X e algumas conclusões podem parecer contraintuitivas.

Por exemplo, entre janeiro de 2020 e janeiro de 2021, o indicador do risco de o país falhar com as suas responsabilidades perante os credores baixou de 4,2 para 4,1. É, porém, um recuo marginal que contrasta com outros agravamentos mais significativos. O risco económico do país subiu de 3,3 para 3,9 e o risco legal e regulatório avançou de 2,8 para 3,1, avançou a Marsh em comunicado.

“Relativamente a Portugal, verificamos que, de 2020 para 2021, os riscos de cariz político-sociais tendem a manter-se estáveis, enquanto os riscos económico-financeiros — e mais especificamente de crédito comercial — apresentam algum agravamento. Digno de registo é, no entanto, a estabilidade e mesmo uma evolução positiva do risco da dívida soberana”, destaca Carlos Figueiredo, diretor de riscos financeiros e especialidades da Marsh Portugal.

Raio-X do risco social e económico em Portugal:

Fonte: Marsh Specialty

Marcas da pandemia vão continuar à vista nos próximos dez anos

Quanto ao plano global, os receios são de aumento da desigualdade social e da instabilidade política. Destacando a subida recorde no risco económico a nível mundial, a Marsh refere que “esta situação, impulsionada pela subida das despesas deficitárias nos últimos 12 meses, tem contribuído para aumentar os riscos de crédito soberano e comercial nas economias menos desenvolvidas do mundo”.

Desta feita, o relatório Mapa de Risco Político 2021 reforça que “as tensões no financiamento público nos mercados emergentes resultarão no aumento do endividamento soberano e poderão criar condições desfavoráveis para as empresas nacionais e estrangeiras”, vaticina a Marsh.

Segundo a corretora, a conclusão vai ao encontro da avaliação global de risco feita pelo Fórum Económico Mundial. Este organismo considerou que “a pandemia de Covid-19 está a aumentar as disparidades entre as economias emergentes e as nações industrializadas” e está, ainda, a “provocar uma fragmentação social que, nos próximos cinco a dez anos, irá enfraquecer a estabilidade geopolítica”, segundo a Marsh.

“De acordo com o relatório deste ano, a desigualdade social é um risco generalizado em múltiplas regiões, particularmente na América e na Europa. No futuro, a desigualdade é suscetível de influenciar as eleições, contribuir para o nacionalismo político e económico e poderá, inclusive, criar condições que desencadeiam conflitos”, explica a empresa, referindo-se ao seu próprio relatório de risco.

Relativamente a Portugal, verificamos que, de 2020 para 2021, os riscos de cariz político-sociais tendem a manter-se estáveis, enquanto os riscos económico-financeiros — e mais especificamente de crédito comercial — apresentam algum agravamento.

Carlos Figueiredo

diretor de riscos financeiros e especialidades da Marsh Portugal

Marsh teme “falências em massa” de empresas zombie com fim dos apoios

Alguns economistas têm alertado que é preciso equilibrar na balança a necessidade de os governos apoiarem o tecido empresarial e o risco de esses apoios desencadearem uma onda de empresas zombies. O argumento é o de que muito apoio pode manter à tona negócios inviáveis, pressionando o investimento e a inovação e impedindo, até, a capacitação de trabalhadores para outras áreas onde haja maior procura de mão-de-obra.

Uma corrente de pensamento defende que é necessário deixar estas empresas caírem. O próprio Fundo Monetário Internacional, no relatório publicado esta terça-feira, alerta para o problema: “Um risco específico relacionado com a recuperação é a possibilidade de empresas zombies“. Ora, o relatório da Marsh também reconhece esse flagelo. No entanto, tem uma visão fatalista do fim dos apoios, avisando que, quando a torneira se fechar, poderão haver falências em massa que farão mossa na economia.

“Como resultado da pandemia de Covid-19, muitos países estabeleceram ou alteraram esquemas de crédito comercial apoiados pelos governos para proporcionar estabilidade económica. Enquanto estes programas estão a apoiar atualmente o comércio interno e as exportações, existem críticos que defendem que os mesmos estão a manter empresas zombies, ou seja, com pesados encargos de dívida e poucos lucros, vivas. O Mapa de Risco Político 2021 aponta ainda para o risco de falências em massa entre empresas zombie quando estes esquemas apoiados pelos governos expirarem”, aponta a corretora na referida nota informativa.

Mapa do risco em 2021:

Fonte: Marsh Specialty

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