Bruxelas pôs travão na sede do Novo Banco nas Amoreiras

Relatório da auditoria da Deloitte revela que banco queria reclassificar terrenos das Amoreiras como essencial para o seu negócio, pois era lá que ia construir a nova sede. Bruxelas negou pedido.

O Novo Banco teve um plano para construir a nova sede nas Amoreiras, em Lisboa. Para tal, pediu à Comissão Europeia para que pudesse reclassificar parte dos terrenos que tinha naquela zona da capital de “não core” para “core”. Mas Bruxelas negou o pedido e, como o ECO revelou esta semana, o banco está agora a ponderar mudar-se para o Tagus Park, em Oeiras.

A situação é descrita no relatório da auditoria do Novo Banco na versão confidencial que chegou ao Parlamento e a que o ECO teve acesso.

“Durante o ano de 2019, o banco solicitou a reclassificação de parte dos terrenos detidos pelo Fundo de Investimento Imobiliário Fechado [FIIF] Amoreiras de ‘não core’ para ‘core’ no contexto dos compromissos assumidos pelo Estado português com a Comissão Europeia”, relata a auditora, adiantando que esta reclassificação “tinha como objetivo a construção da nova sede do banco”. Contudo, Bruxelas veio a negar o pedido do banco em novembro desse ano.

Em causa está um terreno de 130.000 metros quadrados que o banco adquiriu em 2014 à promotora Temple, do empresário Vasco Pereira Coutinho, como forma de execução de dívidas. Responsável pelo projeto está o Fundo de Investimento Imobiliário Fechado Amoreiras e, de acordo com as contas da sociedade gestora, este iria ser constituído por habitação, serviços e comércio, incluindo a nova sede do Novo Banco.

No final de 2019, o banco tinha injetado 36 milhões de euros nestes terrenos, através do fundo, “tendo como objetivo financiar o plano de execução da estratégia de desenvolvimento urbanístico de um lote de terreno em Lisboa”.

Contudo, “devido ao atraso no licenciamento do projeto, só uma parcela reduzida dos fundos obtidos através do aumento de capital havia sido utilizada no final de 2020“, revela a auditoria especial da Deloitte realizada ao abrigo de lei 15/2019.

Em 2018, Novo Banco pôs à venda uma dezena de imóveis na Grande Lisboa — que incluía a sede histórica do BES — com o objetivo de financiar a construção de um mega projeto imobiliário nas Amoreiras, onde seria construída a nova sede. O projeto, de acordo com o que o Expresso e o Público noticiaram na altura, custaria entre 100 e 120 milhões de euros e iria nascer nas instalações do antigo Quartel de Campolide.

Fontes do mercado imobiliário consultadas pelo ECO afirmaram que surgiram dificuldades em obter o licenciamento para este projeto e que, face a isso, o Novo Banco está a estudar outras hipóteses para aquela localização, enquanto o promotor imobiliário continua atrás de um projeto com viabilidade.

O Novo Banco mantém, ainda assim, o plano de sair do centro da capital e vender o edifício principal que ocupa atualmente na Avenida da Liberdade (a sede histórica do BES). O processo ainda não está no mercado, desconhecendo-se, por isso, o valor que o banco espera encaixar com este imóvel. Contudo, fontes do mercado imobiliário referiram ao ECO que o imóvel deverá valer entre 50 a 70 milhões de euros.

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