Pedidos extra levam TAP a alargar ainda mais medidas voluntárias. Podem sair mais 600 pessoas

Companhia aérea ia abrir um período de adesões apenas para selecionados. Mas devido aos pedidos extraordinários decidiu dar essa a possibilidade a todos ao longo desta semana.

A TAP anunciou que vai lançar, a partir da próxima sexta-feira, um novo programa de medidas voluntárias direcionado para alguns trabalhadores selecionados. Mas os elevados pedidos extraordinários recebidos levaram a companhia aérea a criar uma fase intermédia que vai durar toda esta semana e na qual qualquer pessoa se pode candidatar para sair. O número de adesões esperadas poderá chegar a 600, que se irão juntar aos 690 da primeira fase.

No primeiro período de adesões, a grande maioria dos pedidos (70%) foi para rescisões por mútuo acordo, tendo havido ainda 14% de adesões a trabalho a tempo parcial, 8% a reforma, 6% a pré-reformas e 3% a licenças sem retribuição.

Depois de terminado este período, a companhia aérea começou a aceitar pedidos de transferências para a Portugália, estando 45 candidaturas em análise. Mas estes não chegam e a empresa anunciou, na sexta-feira à noite, medidas direcionadas. Face ao elevado interesse, decidiu logo no dia seguinte rever e alargar as medidas.

Tendo em consideração as várias mensagens e pedidos extraordinários de adesão a medidas laborais de adesão voluntária, a administração decidiu viabilizar um novo e último período durante o qual medidas voluntárias estarão disponíveis para todos os trabalhadores da TAP”, anunciou o diretor de recursos humanos Pedro Ramos aos trabalhadores numa comunicação a que o ECO teve acesso.

Este período arrancou logo no domingo e decorre até sexta-feira, no mesmo dia em que se inicia uma fase dirigida apenas a quem preenche determinados critérios. A empresa vai identificar, com base em critérios de Produtividade/Absentismo, Experiência, Contributo, Custo e Habilitações, os trabalhadores a quem vai propor as várias opções voluntárias: rescisões por mútuo acordo, reformas, pré-reformas ou integração na Portugália.

O ECO sabe que a empresa transmitiu aos sindicatos pretender atingir a saída de mais 490 a 600 saídas, dos quais 215 a 240 da manutenção, cerca de 115 na sede, entre 75 e 145 pilotos e cerca de 115 tripulantes. Inicialmente, a proposta de plano de reestruturação enviada pela TAP e pelo Governo português para a Comissão Europeia previa a saída de 2.000 profissionais efetivos (além de 1.250 contratos a prazo).

As saídas voluntárias são acompanhadas de cortes salariais e de outros benefícios previstos nos acordos de emergência, que permitem preservar até 750 postos de trabalho. O corte de custos com pessoal é um dos pilares do plano de reestruturação da TAP, que ainda está a ser analisado pela Comissão Europeia. O documento a que o ECO teve acesso indica que, após a implementação do plano, o gasto da companhia aérea com trabalhadores será inferior em 200 milhões de euros face a 2019.

A companhia aérea prometeu a Bruxelas cortar custos até 2022, ano em que espera gastar 360 milhões de euros. A concretizar-se, representa uma queda de 51,5% face aos 743 milhões de euros de 2019. No ano seguinte este indicador começa a subir novamente, atingindo 545 milhões de euros em 2025. Ou seja, 200 milhões de euros abaixo do período pré-Covid. Sem reestruturação, a TAP estimava ultrapassar o custo de 2019 em 2025, em 30 milhões de euros, o que diz serem níveis “insustentáveis” na comparação com as receitas.

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