TAP reabre plano voluntário para a saída de mais trabalhadores

Cerca de 690 trabalhadores foram aprovados no primeiro período de adesão a medidas voluntárias, em março. Está em análise a passagem de 45 pessoas para a PGA e irá agora começar uma nova ronda.

A TAP vai lançar, na próxima sexta-feira, um novo programa de medidas voluntárias para a saída de trabalhadores, sabe o ECO. Após o primeiro período de adesões a rescisões por mútuo acordo, licenças sem vencimento, reformas antecipadas, pré-reformas e trabalho a tempo parcial, a companhia aérea começou a aceitar pedidos de transferências para a Portugália. Agora, volta às medidas iniciais por não ter alcançado os objetivos necessários.

A gestão da empresa comunicou aos vários sindicatos que é preciso voltar às medidas voluntárias para alcançar as metas de redução dos custos com massa salarial no âmbito do plano de reestruturação. Entre 16 de abril e o início de maio, haverá um novo período de adesões. O mesmo já foi transmitido também aos trabalhadores numa comunicação interna assinada pelo chairman Miguel Frasquilho e pelo CEO Ramiro Sequeira, a que o ECO teve acesso.

A empresa aponta como próximo passo “identificar, com base nos critérios já comunicados, designadamente de Produtividade/Absentismo, Experiência, Contributo, Custo e Habilitações, os trabalhadores junto dos quais se irá dar início a uma nova e última vaga de adesão a rescisões por mútuo acordo, reformas e pré-reformas, com manutenção das mesmas condições já anteriormente oferecidas a todos os trabalhadores, bem como reabrir uma nova e última fase de candidaturas de integração na Portugália”.

Os números ainda não estão fechados, mas só em pessoal de terra poderão ter de sair mais 300 pessoas, entre 215 a 240 da manutenção e 115 da sede. Pilotos e tripulantes também estarão abrangidos, sabe o ECO. As pessoas identificadas “num exercício realizado em conjunto com as respetivas áreas” serão retiradas do regime de lay-off que abrange a generalidade dos trabalhadores (e que impede o despedimento das pessoas que seja abrangidas) e terão automaticamente agendada uma reunião com a direção de recursos humanos e a respetiva chefia para lhes serem apresentadas as opções disponíveis.

“Redimensionamento” cai de 2.000 para 490 a 600 trabalhadores

A nova ronda de medidas vai acontecer enquanto a empresa conclui a análise dos processos voluntários em curso. Cerca de 690 trabalhadores da TAP candidataram-se e foram aceites na primeira ronda de medidas voluntárias da companhia aérea, que decorreu em março. A grande maioria dos pedidos (70%) foram para rescisões por mútuo acordo, o que permite aos trabalhadores passarem para o fundo de desemprego, com uma indemnização majorada de 25% e com uma bonificação adicional de 2,5 salários (num máximo de 250 mil euros). Levam ainda anuidades técnicas e fica com seguro de saúde e facilidades de passagem por dois anos.

Foi entre os tripulantes que houve mais adesões às rescisões por mútuo acordo, o que poderá limitar agora o número de saídas necessárias nesta categoria profissional. É, no entanto, preciso ter em conta que este processo não é linear e são constantemente feitos ajustamentos consoante a adesão às várias medidas, bem como às necessidades da empresa. Além das rescisões, houve ainda 14% de adesões a trabalho a tempo parcial, 8% a reforma, 6% a pré-reformas e 3% a licenças sem retribuição.

“Hoje, este programa representa um redimensionamento de cerca de 630 postos de trabalho, considerando os trabalhadores em tempo parcial. O programa de candidaturas voluntárias à Portugália tem neste momento cerca de 45 candidaturas em análise. Adicionalmente, a implementação das medidas decorrentes dos Acordos de Emergência celebrados, permitirá preservar até 750 postos de trabalho“, garantiram Frasquilho e Sequeira aos trabalhadores.

A necessidade de despedimentos prevista passa assim para um intervalo entre 490 a 600 trabalhadores, o que compara com a projeção inicial de 2.000. Certo é que o corte de custos com pessoal é um dos pilares do plano de reestruturação da TAP, que foi enviado pelo Governo português e ainda está a ser analisado pela Comissão Europeia. O documento a que o ECO teve acesso indica que, após a implementação do plano, o gasto da companhia aérea com trabalhadores será inferior em 200 milhões de euros face a 2019.

A companhia aérea prometeu a Bruxelas cortar custos até 2022, ano em que espera gastar 360 milhões de euros. A concretizar-se, representa uma queda de 51,5% face aos 743 milhões de euros de 2019. No ano seguinte este indicador começa a subir novamente, atingindo 545 milhões de euros em 2025. Ou seja, 200 milhões de euros abaixo do período pré-Covid. Sem reestruturação, a TAP estimava ultrapassar o custo de 2019 em 2025, em 30 milhões de euros, o que diz serem níveis “insustentáveis” na comparação com as receitas.

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