Primeiro-ministro de Itália apresenta plano de recuperação de 222 mil milhões

  • Lusa
  • 26 Abril 2021

Mario Draghi apresentou no Parlamento o plano de relançamento de Itália, financiado em grande parte com as ajudas do Fundo Europeu de Recuperação, num montante de 222 mil milhões.

O primeiro-ministro italiano apresentou esta segunda-feira no Parlamento o plano de relançamento de Itália, financiado em grande parte com as ajudas do Fundo Europeu de Recuperação (FER), num montante de 222 mil milhões de euros.

Após vários dias de negociações e de tensões entre a maioria governamental em relação aos “ajustes nalgumas contrapartidas”, o plano de Mario Draghi ultrapassa em 600 milhões de euros o inicialmente previsto e que servirá para que Itália possa sair da crise pandémica e gerar crescimento económico, após vários anos de estagnação.

“É um documento que está ligado ao nosso futuro. Chegou a hora de realizar todos os projetos, depois dos atrasos e das divisões que irão pesar nas nossas vidas, e sobretudo nas dos nossos filhos e netos. Ou é agora ou talvez não tenhamos tempo para remediar mais tarde”, disse Draghi numa declaração no Parlamento.

Segundo Draghi, com o plano de relançamento, que será apresentado em Bruxelas antes de sexta-feira, Itália joga o seu “destino” e a sua “credibilidade”

“Com o plano se verá a medida de qual será o seu papel perante a comunidade internacional, a sua credibilidade e a sua reputação de fundador da União Europeia e protagonista do mundo ocidental”, sublinhou o chefe do executivo de Roma.

O plano tem três objetivos principais, o primeiro dos quais, a curto prazo, é “reparar os danos económicos e sociais” provocados pela pandemia de Covid-19, continuou Draghi.

“A pandemia atingiu-nos com mais força do que aos nossos vizinhos. Atingimos quase 120.000 mortes de Covid-19, a que devem ser acrescentadas muitas pessoas não contabilizadas”, realçou.

Nos primeiros meses da epidemia houve muitas mortes que não foram contabilizadas porque ocorreram principalmente em casa.

Draghi lamentou o facto de o impacto da pandemia ter sido sentido “sobretudo entre as camadas mais vulneráveis da população”.

O plano será financiado com 191.500 milhões de euros oriundos do FER, com os restantes 30.600 milhões de euros a serem avançados com recursos próprios até 2026, provenientes de uma alteração orçamental aprovada pelo Parlamento italiano na semana passada, no valor de 40.000 milhões de euros.

Esse valor, defendem as autoridades italianas, destina-se a apoiar imediatamente as empresas e famílias mais penalizadas pela pandemia.

As aéreas de investimento são seis, estando destinados 68.600 milhões de euros para a transição ecológica (59.300 milhões de euros provenientes do FER), enquanto para a da digitalização serão afetados 49.200 milhões de euros (40.700 milhões) e para a educação 31.900 milhões (30.900 milhões).

Os investimentos nas infraestruturas estão dotados com 31.400 milhões de euros (25.000 milhões do FER), a inclusão e a coesão social contarão com 22.400 milhões de euros (19.800 milhões) e a saúde com 18.500 milhões de euros (15.600 milhões).

Com o pacote de reformas e de investimentos, o executivo de Draghi espera que o Produto Interno Bruto (PIB) de Itália cresça 3,6 pontos percentuais sobre o cenário base para 2026.

A Itália é o principal beneficiário do plano de recuperação europeu de 750 mil milhões de euros, com 191,5 mil milhões de euros em empréstimos e subsídios.

A este montante junta-se um fundo adicional de 30.600 milhões de euros programados por Itália ao longo de seis anos, de 2021 a 2026.

O plano recebeu luz verde no sábado, após uma reunião entre Mario Draghi e a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, de acordo com um porta-voz do governo.

O impacto da pandemia na economia italiana foi severo no ano passado, com o PIB a cair 8,9%, a pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial.

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