Quem é a Aviapartner? 10 anos depois, belgas voltam a olhar para a Groundforce

Operadora belga está em seis países europeus e poderá adicionar Portugal à lista com a compra da Groundforce. Há 10 anos chegou a ter um acordo com o Governo português para comprar a mesma empresa.

A Aviapartner está, novamente, a tentar comprar a Groundforce. A empresa chegou a ter o negócio fechado com a TAP para comprar a maioria do capital, em 2011, mas acabou por recuar e a venda foi feita ao círculo empresarial de Alfredo Casimiro. Passada uma década, os belgas estão de regresso e poderão ficar com a mesma empresa que não conseguiram comprar.

Casimiro contratou o banco Nomura para vender a participação de 50,1% que detém na Groundforce, através da Pasogal. O empresário explicou este fim de semana que deu “instruções” para que “seja dada especial atenção à Aviapartner, empresa belga que beneficiou recentemente de um relevante apoio económico e financeiro do Estado belga, no âmbito das ajudas extraordinárias ao setor da aviação, com vista a minorar as consequências da crise pandémica”.

Criada em 1949, a Aviapartner presta serviços variados a 400 companhias aéreas, estimando que faz o handling de 300 mil aviões e de um milhão de toneladas de carga, respondendo às necessidades de 30 milhões de passageiros por ano. A empresa opera atualmente em 37 aeroportos de seis países europeus: Bélgica, França, Espanha, Alemanha, Itália e Países Baixos, mas não em Portugal.

O negócio da Aviapartner também foi afetado pela pandemia, tendo recebido 25 milhões de euros em apoio público do Estado belga, que receberam aprovação da Comissão Europeia em junho do ano passado. O apoio foi concedido na forma de um empréstimo convertível, com o objetivo de “assegurar a liquidez na operação” pois “a falência da Aviapartner iria causar uma forte perturbação na economia e conectividade belgas“, referiu Bruxelas, na altura.

A empresa estará restabelecida do choque inicial da pandemia já que está a olhar para aquisições. A Aviapartner é atualmente o principal interessado em comprar o capital da Groundforce detido pela Pasogal, depois de ter chegado a estar em cima da mesa uma venda aos espanhóis da Atitlan. Mas esse processo entrou num impasse, dando lugar aos belgas. Além deste dois, havia ainda outros interessados, incluindo o fundo norte-americano WFS e a operadora irlandesa Menzies.

Tanto a Menzies como a Aviapartner já estiveram para comprar a Groundforce antes. Nascida em 2003, a empresa de handling era totalmente detida pela TAP, mas foi forçada pela Autoridade da Concorrência a vender a maioria do capital. A privatização, com a alienação aos espanhóis da Globália, acabou por gerar uma guerra acionista e a participação acabaria em 2008 estacionada na banca.

Vários players internacionais mostraram interesse e as negociações avançaram com a Swissport, a Menzies e a Aviapartner. Em 2011, o então presidente da TAP Fernando Pinto pede ao Governo autorização para a venda à belga por três milhões de euros. A autorização é concedida, mas passado um mês o negócio ainda não estava fechado e a TAP anunciava um “impasse”.

Pode não parecer muito tempo, mas a Groundforce estava em contra relógio. O prazo para concorrer a licenças de assistência em terra nos aeroportos de Lisboa e Porto estava prestes a termina e a Groundforce não se poderia candidatar a novas licenças enquanto a maioria do capital não fosse privado.

A companhia aérea voltou por isso “a contactar os restantes interessados iniciais na aquisição, de entre os quais o Grupo Urbanos”, que tinha sido afastado do negócio por querer comprar apenas o segmento de carga. Esta foi a versão oficial de como a empresa de Alfredo Casimiro passou ao topo da lista de potenciais compradores. No entanto, o próprio admitiu, numa audição parlamentar em março, que, na altura, lhe ligou um membro do Governo para propor que avaliasse o negócio.

O negócio com Casimiro acabou por avançar, tendo recebido aval da Comissão Europeia e da Autoridade Concorrência em julho de 2012. O acordo entre a TAP e a Urbanos (só mais tarde é que a participação passaria para outra empresa do universo, a Pasogal) permitiu ao empresário não fazer qualquer pagamento imediato pela transferência da empresa, dando apenas uma garantia bancária junto do Montepio.

O preço seria estabelecido mais tarde de um intervalo entre três e seis milhões de euros, consoante os resultados operacionais) e o acordo envolvia ainda comissões de gestão (de 1,5% das receitas da Groundforce) pagas mensalmente como incentivo a uma gestão independente compensadas por um desconto nos serviços à TAP de 5% ao longo de dois anos.

O valor foi fixado em 3,74 milhões de euros, mas o pagamento acabaria assim por ser feito seis anos depois do negócio ser fechado e uma década depois de a TAP ter pago 31,6 milhões de euros aos espanhóis da Globália, para ficar com a mesma participação.

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