Fitch mantém rating da dívida portuguesa com perspetiva estável

A Fitch confirmou que Portugal se mantém com uma perspetiva estável. A agência só espera que o turismo no país regresse em 2023 aos níveis registados de 2019.

A agência de notação financeira Fitch voltou a não mexer no rating de Portugal, mantendo-o assim em BBB (dois níveis acima de “lixo”) com perspetiva estável. A agência só espera que o turismo em Portugal regresse em 2023 aos níveis registados em 2019, o que terá impacto no crescimento e na taxa de desemprego.

Este outlook reflete a convicção de que a dívida soberana vai “retomar uma trajetória descendente, sustentada por melhores perspetivas de crescimento, condições de financiamento favoráveis ​​e compromisso com a prudência fiscal”, nota a Fitch, em comunicado.

A Fitch projeta que a economia portuguesa cresça 3,5% em 2021 e 4,1% em 2022, “uma recuperação mais branda em comparação com a Zona Euro (4,7% em 2021 e 4,5% em 2022)”. A estimativa deve-se à previsão “para o turismo internacional, onde não esperamos uma recuperação aos níveis de 2019 para Portugal até 2023”.

A recuperação demorada do turismo “também implica uma recuperação mais lenta do mercado de trabalho, onde o emprego relacionado com o turismo é elevado”, nota a agência. As previsões apontam assim para que a “taxa de desemprego de Portugal aumente para 7,3% em 2021 de 6,9% em 2020, antes de diminuir para 6,7% em 2022, mas mantendo-se acima dos níveis pré-pandémicos (6,5% em 2019)”.

Os fundos da bazuca europeia são um fator que contribui para as perspetivas de crescimento de Portugal nos próximos anos. Ainda assim, a agência ressalva que o impacto dos fundos europeus “no crescimento a médio prazo dependerá do sucesso da implementação dos projetos de investimento”, sendo que Portugal tem um histórico “misto” no que diz respeito à execução. Embora a taxa de absorção de fundos tenha melhorado ao longo do tempo, “os níveis de investimento de Portugal são baixos para os padrões europeus”, assinala a agência.

Quanto ao défice, a Fitch sublinha que “a extensão de muitas medidas de apoio da Covid-19 em resposta à segunda vaga aumentou as despesas do Governo mais do que o projetado”. Assim, tendo também em conta os fundos europeus, a projeção é que o défice diminua para 5,3% e 3,4% do PIB em 2021 e 2022, respetivamente. Quanto à dívida pública, a agência projeta um pico em 2020, com queda para 131,9% do PIB em 2021 e 129,1% em 2022.

Como Portugal é um dos países mais expostos a moratórias na União Europeia, a Fitch antecipa uma maior pressão sobre o malparado dos bancos quando este regime acabar a partir de setembro — pode subir “para cerca de 9%”, quase o dobro (5%) face ao final de 2020.

Já no final de abril a agência de notação financeira previa para Portugal uma perspetiva estável do rating no segundo trimestre deste ano, porque acredita que o rácio da dívida face ao PIB retome uma trajetória descendente baseada numa política orçamental prudente, depois de um forte aumento em 2020. Nesta avaliação, a Fitch estima que o rácio da dívida desça do pico de 133,6% do PIB em 2020 para 131,9% este ano e 129,1% em 2022, suportado pelos juros baixos e pelas decisões de política monetária do Banco Central Europeu. A agência acredita ainda que o “excedente primário regresse em 2024”.

A primeira agência a pronunciar-se sobre Portugal este ano foi a DBRS Morningstar, que manteve a avaliação em BBB Alto (três níveis acima de “lixo”). Já a S&P e a Moody’s optaram por não se pronunciar e acabaram por deixar as avaliações iguais.

(Notícia atualizada às 22h30)

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