Apps de entregas retomam expansão após fim do limite às comissões sobre restaurantes

Com o fim do estado de emergência a 30 de abril, as plataformas de entregas ao domicílio voltaram a ter margem de manobra. Uber Eats já reverteu os ajustes ao modelo de negócios e retomou expansão.

Apercebeu-se de mudanças nas aplicações de entregas? Não é mera perceção. Com o fim do estado de emergência a 30 de abril, Uber Eats e Glovo reverteram as restrições que tinham implementado por causa dos limites às comissões impostos pelo Governo.

O fim do estado de emergência a 30 de abril não foi só mais um passo no desconfinamento dos portugueses. Para as plataformas de entregas de refeições ao domicílio, significou o fim de um regime que impunha limites às comissões que cobravam aos restaurantes e utilizadores, o qual criticaram desde a primeira hora.

Por um lado, a lei obrigou estas plataformas a não cobrarem comissões de mais de 20% sobre o valor da encomenda. Por outro, impediu-as de aumentar taxas de entrega e de reduzir valores de retribuição aos estafetas, isto num contexto em que os restaurantes apenas podiam servir refeições para entregas ou em regime de take-away.

Para o Governo, a medida visou equilibrar o mercado face à emergência e ao estado de exceção. Mas, para a Uber Eats, este regime limitou a capacidade da empresa de cobrir os “custos operacionais”, nomeadamente “os custos de entrega”. Em resposta, a empresa ajustou a sua operação. Alguns restaurantes tiveram de reduzir o raio de entrega e, em fevereiro, a plataforma suspendeu mesmo o serviço em três cidades: Águeda, Vila Real de Santo António e Guia.

Dois meses depois, fonte oficial da Uber Eats assume agora que essas restrições já “foram levantadas”. Numa resposta ao ECO, a empresa explica que não só já está novamente a operar nessas três localizações como investiu “na expansão” para novas cidades que tinha planeado “lançar no início do ano”: Santo Tirso, Lourosa, Barcelos, Guarda, Terceira, Viana do Castelo e Abrantes.

“Quando nos foram impostas restrições ao nosso modelo de negócio, tivemos de ajustar ou deixar de prestar alguns destes serviços com inevitáveis consequências nos restaurantes parceiros, nos parceiros de entrega e consumidores — como, por exemplo, rever as zonas onde existe Uber Eats, limitar os raios de entrega para limitar o seu custo, reduzir ou eliminar campanhas de marketing, cancelar os planos de expansão, etc. Agora que estas restrições foram levantadas, estes ajustamentos foram revertidos”, indica fonte oficial ao ECO.

A empresa acrescenta, ainda: “Iremos continuar a ajudar os restaurantes com investimento em iniciativas que aumentem a procura, com várias ações de marketing que aumentem o volume de negócios e a investir na tecnologia e na logística que nos permitem garantir um serviço que funciona para restaurantes, clientes e parceiros de entrega.”

Desta feita, desde 1 de maio que “voltaram a estar em vigor as condições contratuais anteriormente acordadas” com os restaurantes parceiros. Mas a empresa não responde diretamente se planeia aumentar comissões ou avançar com alguma medida a que estava impedida pelo decreto do Governo.

O mesmo se passa com a Glovo. Em resposta ao ECO, a empresa indica: “Após o fim do estado de emergência, podemos voltar a investir na melhoria da experiência e do serviço da Glovo em Portugal.”

“As apps de entrega como a Glovo permitem aos restaurantes montarem e operarem um serviço de delivery em apenas alguns dias. A taxa que pagam inclui a tecnologia e o serviço ao cliente proporcionados pela plataforma, mas é destinado, principalmente, ao pagamento do estafeta. É por isso que o limite de 20% na taxa impactou profundamente a viabilidade dos serviços de entrega e, portanto, dos restaurantes, como já dissemos”, recorda fonte oficial da empresa.

O ECO questionou também a Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), mas não obteve respostas até ao fecho deste artigo.

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