Transporte de carga dá um terço das receitas da TAP

Antes da pandemia chegar a Portugal, em março de 2020, carga representava apenas 5,6% dos rendimentos operacionais. Companhia tem agora três aeronaves wide-body alocadas exclusivamente ao segmento.

Fechadas em casa devido à pandemia, as pessoas viajaram menos e fizeram mais compras online. A mudança de hábitos fez com que o transporte de carga tenha ganho peso nas contas da TAP, com este segmento a crescer no primeiro trimestre de 2021, face ao mesmo período do ano passado. Representou já um terço das receitas conseguidas pela companhia aérea.

“O segmento da carga manteve a sua tendência positiva e continuou a ter um bom desempenho no [primeiro trimestre de 2021], com as receitas de carga a aumentarem 36% [face ao período homólogo]”, revela o relatório trimestral da empresa. Os rendimentos de carga e correio fixaram-se em 44,4 milhões de euros.

O valor representa quase 30% da totalidade dos rendimentos operacionais, que atingiu os 150 milhões de euros (menos 74% do que no período homólogo e menos 32% do que no trimestre anterior). No fim de 2020, o peso da carga não ia além dos 21% das receitas, enquanto antes da pandemia chegar em força a Portugal, em março, era apenas de 5,6%.

"A frota operacional da TAP era de 93 aeronaves em 31 de março de 2021 (incluindo a frota regional operada pela Portugália e pela White), das quais 3 aeronaves wide-body estavam alocadas exclusivamente ao segmento de carga.”

Trading Update relativo ao primeiro trimestre de 2021

TAP

A TAP tinha já anunciado que, dado o aumento de procura neste segmento (nomeadamente para o transporte de vacinas e material médico), iria converter aviões de passageiros em carga, ainda em 2020. No fim do primeiro trimestre de 2021, “a frota operacional da TAP era de 93 aeronaves em 31 de março de 2021 (incluindo a frota regional operada pela Portugália e pela White), das quais 3 aeronaves wide-body estavam alocadas exclusivamente ao segmento de carga“.

Em sentido contrário, os rendimentos de passagens diminuíram 83% face ao período homólogo (e 42% em relação ao trimestre anterior), tendo totalizado 86,7 milhões de euros. Não só houve menos voos (num total de 6.138, ou seja, uma quebra homóloga de 76,8%), como menos passageiros (que diminuíram 86,7% para 393 mil). A capacidade dos aviões recuou 81% e a taxa de ocupação de passageiros diminuiu 21,7 pontos percentuais para 50,2%.

Neste cenário, a TAP teve prejuízos de 365,1 milhões de euros e um EBITDA negativo em 104,1 milhões de euros, nos primeiros três meses do ano. Os resultados foram “significativamente afetados pelo impacto da Covid-19” e “evidenciam a necessidade de concretizar ajustamentos mais profundos por forma a reduzir a diferença entre a quebra nas receitas e a redução dos custos operacionais, foram feitos progressos significativos”, diz a TAP.

No âmbito da reestruturação — que continua à espera de aprovação da Comissão Europeia –, a TAP aponta para a operação de carga como uma das formas de melhorar a receita, que é um dos pilares do plano. Este assenta ainda no ajustamento da capacidade (dimensionamento de frota e otimização de rede), otimização dos custos operacionais (negociação de leasings, revisão de custos com terceiros, ajuste dos custos laborais), venda de ativos e melhoria da estrutura do balanço.

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