Clube dos ricos aumentou na pandemia. Há mais 5 milhões de milionários à boleia da bolsa

A riqueza das famílias registou um aumento de 28,7 biliões de dólares em 2020, ano marcado pela pandemia. Fortuna totalizou os 418,3 biliões de dólares no final do ano.

A pandemia não impediu o clube dos mais ricos de crescer no ano passado. Há, agora, mais cinco milhões de milionários em todo o mundo, num total de 56,1 milhões de pessoas com fortunas avaliadas acima do milhão de dólares, de acordo com o relatório Global Wealth Report, apresentado esta terça-feira pelo Credit Suisse.

O mesmo estudo revela que a riqueza das famílias cresceu 28,7 biliões de dólares em 2020, totalizando os 418,3 biliões de dólares no final do ano, mais 7,4% face a 2019.

Segundo o banco, esta evolução surpreendentemente positiva acompanhou a recuperação dos mercados financeiros que se verificou no segundo semestre de 2020, à boleia das medidas de apoio lançadas por governos e bancos centrais em todo o mundo, após o impacto económico acentuado provocado pela pandemia do novo coronavírus.

Os autores do estudo assumem o espanto: como é que a riqueza das famílias cresceu apesar dos indicadores macroeconómicos mostrarem uma degradação da economia real?

“Acreditamos que as principais razões para essa desconexão são claras. Muitos governos e bancos centrais nas economias mais avançadas, ansiosos por evitar os erros cometidos durante a crise financeira global, tomaram medidas preventivas de duas formas: primeiro, organizando programas massivos de transferência de rendimentos para apoiar as famílias e empresas mais adversamente afetados pela pandemia e, segundo, reduzindo as taxas de juro – muitas vezes para níveis próximos de zero – e deixando claro que as taxas de juros permanecerão baixas por algum tempo”, explicam.

Embora as intervenções das autoridades tenham sido “muito bem-sucedidas”, isso vai ter um “grande custo”, aponta o estudo. “A dívida pública em relação ao PIB aumentou em todo o mundo em 20 pontos percentuais ou mais em muitos países”, notam.

Conclusão: “No fundo, tem havido uma grande transferência do setor público para o setor das famílias, que é uma das razões pelas quais a riqueza das famílias tem sido tão resiliente”.

Por outro lado, acrescentam, com o confinamento a reduzir o consumo, o aumento das poupanças revelou-se “uma importante fonte para o crescimento da riqueza das famílias no ano passado”.

Riqueza e milionários vão continuar a crescer

América do Norte e Europa foram as regiões que mais contribuíram para o aumento das fortunas das famílias, com ganhos de 12,4 biliões de dólares e 9,2 biliões de dólares, respetivamente, enquanto a China acrescentou 4,2 biliões e a região da Ásia-Pacífico adicionou outros 4,7 biliões.

De acordo com o Credit Suisse, a riqueza mundial vai continuar a crescer nos próximos anos: aumentará 39% até 2025, ano em que atingirá os 583 biliões de dólares, acompanhando a recuperação das economias.

Acompanhando esta tendência, também o clube dos mais ricos vai ter mais membros, com o banco suíço a estimar 84 milhões de milionários em 2025, mais 27,9 milhões em relação a 2020.

(Notícia atualizada às 11h58)

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