GreenVolt está em “fase muito avançada” de decisão sobre o IPO

"Tomaremos uma decisão formal [sobre o IPO] a curto prazo", diz Manso Neto. Só quando ficar definido se avança ou não para a bolsa é que se saberá se haverá uma "fatia" para pequenos investidores.

Três meses depois de ter aventado a possibilidade de entrar em bolsa, a GreenVolt entra na fase das decisões. A Lazard Asesores Financieros e a Lazard Frères Banque estiveram, durante estes meses, a estudar o mercado, estando agora a empresa de energias renováveis da Altri em “fase muito avançada” de decisão sobre o IPO, diz Manso Neto.

“Encontramo-nos numa fase muito avançada em termos de tomada de decisão relativamente ao IPO”, refere o CEO da GreenVolt em resposta a questões colocadas pelo ECO. “Tomaremos uma decisão formal a curto prazo“, acrescenta, sem avançar datas. O ECO sabe que até ao final deste mês será tomada a decisão final sobre este processo.

A entrada de empresas de energias renováveis nos mercados de capitais tem enfrentado alguns percalços, nomeadamente em Espanha. A OPDenergy voltou atrás nos seus planos de ida para a bolsa, enquanto a Ecoener reduziu o total de ações a colocar no mercado. Mais recentemente, contudo, a Acciona avançou com a colocação em mercado da Acciona Energia, que deverá estrear-se a 1 de julho em Madrid.

"Encontramo-nos numa fase muito avançada em termos de tomada de decisão relativamente ao IPO. Tomaremos uma decisão formal a curto prazo.”

Manso Neto

CEO da GreenVolt

Estas empresas brilharam em bolsa, em 2020, mas têm vindo a perder valor desde o arranque deste ano. Há um resfriar do otimismo dos investidores perante o setor, que tem pesado nas cotações das empresas já cotadas, deixando de “pé atrás” novas empresas que pretendem recorrer ao mercado para financiar o seu crescimento.

Este sentimento de algum receio perante estas empresas é partilhado entre grandes e pequenos investidores, sendo que no caso da GreenVolt não se sabe ainda se, havendo IPO, haverá uma “fatia” destinada ao retalho. Só depois de tomada a decisão sobre o IPO “ficará definida em definitivo os termos dessa colocação”, diz Manso Neto.

Para todos os investidores, mas principalmente para pequenos aforradores, grande parte da atratividade do investimento em cotadas tem a ver com a remuneração entregue aos acionistas. No caso da GreenVolt há uma garantia: não haverá dividendos, por enquanto. “Não faz sentido pagar dividendos. Somos uma empresa de crescimento”, disse o CEO da GreenVolt no Capital Markets Day.

Crescer. Lá fora e cá dentro

Neste processo rumo à bolsa, a GreenVolt tem vindo a anunciar uma série de investimentos. O que merece maior destaque é, sem dúvida, o da compra de uma central de biomassa no Reino Unido, a Tilbury. Este processo não ficará por aqui: este ano, a empresa estima investir 300 milhões, mas o total até 2025 pode chegar a 1,8 mil milhões de euros, tanto lá fora como cá dentro.

 

“A GreenVolt acordou a aquisição de uma central de biomassa no Reino Unido (Tilbury) e está em processo de conclusão para a aquisição do maior promotor de projetos eólicos e solares na Polónia, com uma abrangência mais alargada ao nível pan-europeu, que tornará a GreenVolt num dos maiores promotores de projetos deste tipo à escala europeia (V-Ridium)”, explica Manso Neto ao ECO.

Além disso, a empresa “acabou de celebrar um acordo para adquirir uma participação minoritária numa empresa de geração descentralizada espanhola (a Perfecta Enrgia), e está em processo de conclusão da aquisição de uma participação maioritária numa empresa de geração descentralizada portuguesa (a Profit Energy)”.

Estamos confiantes de que atingiremos as metas que definimos.

Manso Neto

CEO da GreenVolt

Estes investimentos fazem parte da estratégia de crescimento da GreenVolt, que pretende fortes investimentos que deverão fazer crescer exponencialmente o EBITDA e os lucros. A fasquia está elevada, mas Manso Neto está confiante. “Estamos confiantes de que atingiremos as metas que definimos“, diz.

“A Greenvolt é, atualmente, um major europeu em termos de biomassa e em termos da promoção de projetos de energia eólica e fotovoltaica e temos uma forte aposta no segmento de geração energética descentralizada no mercado ibérico”, diz o CEO. “Somos uma empresa única, com uma proposta de valor diferenciadora, e com um posicionamento estratégico absolutamente diferenciador”, atira, afastando comparações com outras empresas, entre elas a EDP Renováveis, que liderou durante anos. “Não considero a comparação com a EDP Renováveis como adequada”, conclui.

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