Em Portugal, máscara na rua é para manter. Lá fora, há quem já não use ou vá deixar de usar

Pela Europa, Espanha, França, Itália, Hungria e até Bruxelas (na Bélgica) já abandonam ou vão abandonar a obrigatoriedade do uso de máscara na rua. Fora do contexto europeu há mais países a fazê-lo.

Com a maior disponibilidade de vacinas e o consequente aumento do ritmo de vacinação, há já vários países a avançarem um alívio das medidas de contenção da Covid-19, nomeadamente pondo fim à obrigatoriedade do uso de máscara em espaços ao ar livre, embora sob certas condicionantes. Pela Europa, depois da Hungria, França, Bélgica e Espanha, Itália anunciou que lhes ia seguir os “passos”, enquanto que fora do contexto europeu há já vários países com decisões semelhantes.

A meta de Bruxelas é clara: ter 70% da população europeia adulta vacinada, com pelo menos, uma dose do fármaco até meados de julho. Até esta terça-feira, uma média de 31% da população europeia está totalmente imunizada (com as duas doses da vacina contra a Covid-19, no esquema vacinal mais comum), o que representa mais de um quarto dos cidadãos europeus, enquanto que 54,8% recebeu a primeira dose, segundo a plataforma de monitorização online do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

Assim, e tendo em conta que a situação epidemiológica da generalidade dos países europeus está controlada, há já países a levantarem algumas medidas não farmacológicas, como o uso de máscara em espaços exteriores, tal como sugerido pelo ECDC. Ainda assim, em Portugal o aviso é ainda para não baixar a guarda.

Na vizinha Espanha, o uso de máscara na rua vai deixar de ser obrigatório, a partir deste sábado, 26 de junho, segundo revelou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, na passada sexta-feira. Esta medida deverá ainda ser aprovada no Conselho de Ministros de quinta-feira, tratando-se de uma mera burocracia.

Dois dias depois, a 28 de junho, é a vez de Itália seguir os “passos” dos espanhóis. Esta medida aplica-se às regiões italianas classificadas como “zona branca”, onde a transmissão da Covid-19 é mais baixa. Neste momento, das 20 regiões italianas, 19 já são consideradas “zonas brancas” ficando apenas excluída Vale de Aosta, no Norte. Não obstante, os especialistas esperam que todas regiões sejam consideradas “zonas brancas”, já a partir da próxima segunda-feira, altura em que a medida entra em vigor. Contudo o governo liderado por Mario Draghi sublinha que a máscara pode ainda ser necessária caso haja algum risco associado, como em ajuntamentos.

Em França, desde a passada quinta-feira, 17 de junho, que os franceses saem à rua sem máscara, numa altura em que a situação epidemiológica do país está estável, o que levou o governo francês a antecipar a terceira etapa do desconfinamento, que estava prevista arrancar apenas no final do mês.

Também a Bélgica deu no início deste mês um “passo” em frente no desconfinamento, sendo que em Bruxelas o uso de máscara na rua já deixou de ser obrigatório.A partir de 9 de junho, não será mais obrigatório usar máscara em espaços ar livre, exceto em ruas muito movimentadas”, anunciou o presidente da Câmara de Bruxelas, Philippe Close, numa publicação no Twitter. “Pedimos a todos que permaneçam cautelosos e responsáveis.”

Certo é que na Europa, a Hungria foi um dos países pioneiros na aplicação desta medida. Com quase 47% da população no país já totalmente vacinada, Viktor Orbán aligeirou em maio as restrições para quem é portador de um cartão de imunidade e, para assinalar o marco dos cinco milhões de vacinados, retirou a obrigatoriedade do uso de máscara nas ruas.

Já no Reino Unido, e ao contrário da generalidade dos países europeus, o governo de Boris Johnson nunca tornou obrigatório o uso de máscara em espaços ao ar livre, sendo apenas obrigatória a utilização deste equipamento de proteção em espaços fechados, como transportes públicos, comércio e restauração, aponta o jornal britânico The Independent (acesso livre, conteúdo em inglês).

Não obstante, dentro do bloco comunitário, há países bem mais cautelosos como, por exemplo, Alemanha e Portugal. Com a queda das taxas de incidência no país, o ministro da Saúde alemão sugeriu este mês o fim da obrigatoriedade do uso de máscara para atividades ao ar livre, contudo, não há ainda sinais de que a medida avance para já.

Já em Portugal, e tendo em conta que a situação epidemiológica do país está em “contraciclo” com a generalidade dos países europeus aumento explicado pela elevada propagação da transmissão delta, que é 60% mais contagiosa que a estirpe Alpha — o aviso é para não baixar a guarda. Nesse sentido, a obrigatoriedade de máscara na rua foi prolongada até, pelo menos, meio de setembro. Recorde-se de que ainda no final de abril, o primeiro-ministro havia avisado que existia “99,999999% de probabilidade” de o uso de máscara em espaços exteriores continuar a ser obrigatório “até atingirmos pelo menos o grau de imunização de grupo no final de verão”.

E fora da Europa?

Também do outro lado do Atlântico, mais especificamente nos Estados Unidos da América (EUA), a vacinação é encarada como a “tábua de salvação” para combater a pandemia e retomar velhos hábitos. As diretrizes do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) indicam que os norte-americanos completamente vacinados contra a Covid-19 não precisam de usar máscara ao ar livre, exceto quando estão com grandes aglomerados de pessoas. Porém, a utilização deste equipamento de proteção individual continua a ser recomendado “durante atividades e em locais movimentados, como estádios lotados ou concertos”, afirmou Rochelle Walensky, diretora da agência federal de saúde pública dos EUA, a 27 de abril.

Mas a abolição da obrigatoriedade do uso de máscaras não se fica pelos espaços ao ar livre. No final de maio, a AMC, a maior rede de cinemas dos EUA, deixou também de exigir máscara aos espetadores que já estão totalmente vacinados contra a Covid-19. Ainda assim, o grupo sublinha que esta medida só é aplicada, desde que não viole “regulamentos locais ou estatais”. Também a Regal e a Cinemark, que são a segunda e terceira maior cadeia de cinema dos EUA, respetivamente, anunciaram medidas semelhantes.

No Médio Oriente, Israel anunciou, na semana passada que ia abolir o uso obrigatório de máscara em espaços públicos fechados. Esta decisão surge depois de quase 60% da população estar completamente imunizada contra o SARS-CoV-2, o que coloca Israel como um dos países com maiores taxas de vacinação a nível mundial. Além disso, a 19 de abril o Estado hebraico deixou cair a obrigatoriedade de máscara na rua, depois de ser um dos primeiros países a implementar esta medida.

Pela Ásia, mais precisamente em Wuhan, cidade chinesa considerada o primeiro epicentro da Covid-19 e responsável pelo primeiro diagnóstico da doença no mundo, o uso de máscara e o distanciamento social parecem ter sido deixados para trás, sendo que na semana passada foi realizada uma formatura que juntou quase 9 mil estudantes, sem máscara ou distanciamento, segundo o canal France 24 (acesso livre, conteúdo em inglês).

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