GreenVolt avança com o IPO e quer encaixar 206 milhões com venda de ações a institucionais

Empresa liderada por Manso Neto avança com um IPO de 150 milhões de euros a que se somam 56 milhões em espécie, subscritos pela V-Ridium. Acionistas da Altri vão receber até 5% do capital.

Manso Neto disse que estava numa “fase muito avançada” de decisão sobre se avançava para a bolsa ou não. E, já está tomada: a GreenVolt vai mesmo avançar com uma Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla inglesa) através de um aumento de capital de 150 milhões de euros a que se somam outros 56 milhões em espécie, para a V-Ridium, empresa detentora de projetos de energia eólica e solar. As novas ações da empresa de energias verdes da Altri só vão estar acessíveis a investidores institucionais.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a GreenVolt manifestou a sua intenção de admitir os títulos à negociação em bolsa. Já foi solicitada “a admissão das suas ações à negociação na Euronext Lisboa”, diz.

“Hoje, a GreenVolt anuncia a sua intenção de avançar com um IPO no valor de cerca de 150 milhões de euros destinado a investidores qualificados”, refere a empresa em comunicado. Além deste montante, a GreenVolt, que recebeu uma injeção de 69,95 milhões por parte da Altri, prevê ainda aumentar o seu capital em “56 milhões adicionais reservados a um aumento de capital em espécie subscrito pela V-Ridium“.

"Hoje, a GreenVolt anuncia a sua intenção de avançar com um IPO.”

GreenVolt

Recorde-se que a empresa de energias verdes celebrou no início de maio um acordo em que passa “a deter a totalidade do capital social e direitos de voto da V-Ridium [subsidiária da V-R Europe], passando por sua vez a V-R Europe a ser titular de uma participação qualificada no capital social da GreenVolt” no IPO. Agora concretiza-se essa operação, garantindo à GreenVolt o acesso a um pipeline de “projetos eólicos e solares, maioritariamente na Polónia e na Grécia.

O encaixe com esta operação será utilizado para financiar o crescimento da empresa. A GreenVolt tem vindo a anunciar uma série de investimentos: este ano vai investir 300 milhões, mas o total até 2025 pode chegar a 1,8 mil milhões de euros, tanto lá fora como cá dentro. A estratégia, que não se coaduna com a distribuição de dividendos, permitirá aumentar os lucros em 40% ao ano até 2025.

Acionistas da Altri vão receber até 5% da nova cotada

Este IPO, que conta com o BNP Paribas e o CaixaBank como Joint Global Coordinators, além do Santander e o JB Capital Markets como Joint Bookrunners, será feito exclusivamente com grandes investidores. Ou seja, os pequenos investidores ficam de fora desta operação, apenas podendo comprar ações quando estas já estiverem no mercado.

Contudo, há pequenos acionistas da Altri que irão ficar com parte da GreenVolt. “Uma vez concluído o IPO, a Altri irá distribuir aos seus acionistas ações da GreenVolt até um máximo de 5% do capital e dos direitos de voto”, refere a empresa liderada por Manso Neto na comunicação enviada ao regulador do mercado português.

Na reunião magna da Altri, os acionistas já tinham dado o seu aval à entrega destes títulos. Foi aprovada, na assembleia geral da Altri, em abril, uma proposta que prevê “a distribuição de dividendos em espécie (podendo revestir a forma de distribuição antecipada de lucro ou a atribuição de um dividendo extraordinário aos acionistas)/distribuição de bens aos sócios (…) até ao máximo global de cinco milhões de ações” da nova cotada.

Nova cotada com free-float de 25%

Não é avançada qualquer previsão de quando poderá a GreenVolt entrar no mercado de capitais português, onde se juntará à Altri, mas também a outras empresas que têm como maior acionista o empresário Paulo Fernandes, a Ramada e a Cofina. Contudo, quando entrar no mercado, a empresa de energias verdes terá, à partida, liquidez.

“A GreenVolt solicitou a admissão à negociação dos seus títulos na Euronext Lisboa, apontando para um free-float mínimo de cerca de 25%”, diz a empresa no comunicado enviado à CMVM.

Esta percentagem permitirá que haja títulos disponíveis para negociação em bolsa, o que será particularmente relevante numa fase inicial em que parte dos grandes investidores se comprometeram em não venderem ações. “A GreenVolt, a Altri e os seus gestores acordaram um período de lock-up de 180 dias [seis meses] a contar do dia da entrada em bolsa“, lê-se no mesmo documento. No caso da V-Ridium, esse período de bloqueio dos títulos é superior: 24 meses, ou seja, dois anos.

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