Portugueses rejeitam “pagar mais” por pacotes sem fidelização

  • Lusa
  • 29 Junho 2021

Um estudo da Marktest encomendado pela Apritel concluiu que a maioria dos consumidores "não está disponível a pagar mais" para ter serviços de telecomunicações sem fidelização.

A maioria dos portugueses “não está disponível a pagar mais” pelos serviços de telecomunicações “em favor da remoção da fidelização”, revela um estudo da Marktest realizado a pedido da Apritel e divulgado esta terça-feira.

“Apenas 24% dos inquiridos diz estar disposto a pagar um valor extra (preço de instalação/ativação e/ou acréscimo à mensalidade) para eliminar o período de fidelização associado ao pacote de serviços” e essa percentagem “reduz-se para 17% quando a questão se refere a reduzir o período de fidelização”, refere o estudo, que utiliza “as mesmas questões que foram efetuadas” no questionário realizado a pedido do regulador Anacom em 2017 sobre fidelizações.

O estudo foi desenvolvido pela Marktest entre 1 e 29 de março deste ano e contou com uma amostra de 2.015 entrevistas, “desenhada proporcionalmente ao universo em estudo, considerando as variáveis género, idade e região e ainda o perfil do decisor das telecomunicações (Barómetro Telecomunicações 2020 – Marktest)”.

Quando questionados sobre se estariam disponíveis para renovar/prolongar o período de fidelização se lhe forem oferecidas melhores condições de serviço e/ou descontos, “dois em cada três inquiridos respondem que sim”, segundo o estudo encomendado pela associação dos operadores de comunicações eletrónicas Apritel. Grande parte (80%) dos inquiridos “consideram, ainda, que o pacote de comunicações que atualmente têm corresponde ao que procuravam”.

O estudo conclui também que “a esmagadora maioria dos consumidores em Portugal está informada sobre o seu contrato de fidelização e sabe onde recolher essa informação” e que “apenas 3,6% dos inquiridos não sabem qual o seu período de fidelização associado ao seu contrato, mas destes, dois em cada três sabem onde procurar essa informação: através do apoio ao cliente (50%) ou indo à área de cliente (25%)”.

De acordo com o estudo, “a maioria dos consumidores toma decisões conscientes acerca do período de fidelização que pretende”, tendo em conta os benefícios propostos.

“O estudo que hoje [terça-feira] a Apritel deu a conhecer apresenta uma imagem clara e sustentada da realidade das fidelizações no mercado das telecomunicações em Portugal”, afirma o secretário-geral da Apritel, Pedro Mota Soares, citado em comunicado.

“Os consumidores não encaram as fidelizações como um entrave à mudança, nem estas constituem um fator de desconforto nem um desvirtuar da concorrência no mercado” e “fica patente que as pessoas sabem qual é o seu período de fidelização e procuram, acima de tudo, ter a melhor solução para as suas necessidades de comunicações eletrónicas, com o pacote de serviços a ser a solução com maior valor acrescentado”, acrescenta o responsável.

Para Pedro Mota Soares, “as atuais regras de fidelização são equilibradas, trazem benefícios claros aos consumidores e têm permitido um elevado nível de investimento e inovação (o rácio investimento/receitas em Portugal é superior à média da UE), bem como a manutenção de preços baixos a par de um elevado nível de qualidade serviço”.

De acordo com o estudo, 94% dos inquiridos tem um contrato de telecomunicações com um período de fidelização associado. “A esmagadora maioria dos clientes, cerca de 85%, detém um contrato de 24 meses” e, apesar desta prevalência, “apenas 8% dos inquiridos identifica a fidelização como a principal razão para não terem ainda mudado de prestador”.

Mais de metade (58%) já mudou de prestador de serviços pelo menos uma vez (um terço nos últimos cinco anos), “o que revela o grande dinamismo do mercado português das telecomunicações”.

No que respeita aos clientes que mudaram de prestador, o fator preço foi a razão principal da mudança, aliada a uma oferta atrativa. “Conclui-se, assim, que a mudança entre operadores no mercado acontece com os consumidores a ter em conta fatores de competitividade como o preço ou a atratividade global dos pacotes de comunicações eletrónicas, não constituindo o período de fidelização um obstáculo fundamental a essa mudança”, refere o estudo.

Conclui-se também que a “maioria dos portugueses inquiridos considera que a agregação de serviços de comunicações eletrónicas num pacote é vantajosa”, com mais de dois terços (67%) dos inquiridos a considerar que há “vantagens na agregação dos serviços”.

Já questionados sobre se o valor global a pagar no final do mês pelos serviços que contratam em pacote fosse igual a contratar cada um dos serviços isoladamente, “80% dos inquiridos manteria a opção de pacote ou seria indiferente”, sendo que “a conveniência e a fatura única determinam a opção por pacotes”.

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