“Tendência de recuperação” da economia foi menos intensa em junho

Síntese económica de conjuntura, com dados de maio e junho, mostra que a recuperação da economia se manteve, mas perdeu intensidade no mês passado.

A conjuntura económica em Portugal manteve a “tendência de recuperação” em junho, mas as taxas de crescimento dos vários indicadores foram “menos intensas” do que em maio, sinalizou o INE. Os dados referem-se a um mês em que o número de infeções por Covid-19 voltou a subir e muitos concelhos tiveram de se sujeitar a um aperto nas restrições.

“A informação quantitativa mais recente disponível para maio e junho revela taxas de crescimento homólogo elevadas, mas menos intensas no último mês”, indica o instituto na mais recente atualização à síntese económica de conjuntura, publicada esta segunda-feira. A maioria dos indicadores de curto prazo ainda está abaixo do observado em igual período de 2019, antes da pandemia, exceto o do comércio a retalho.

Indicadores de síntese económica:

Fonte: INE

Confiança em máximos na Zona Euro

Começando pelo enquadramento externo, o INE destaca que a confiança dos consumidores voltou a recuperar em junho, “pelo quinto mês consecutivo”. Na Zona Euro, o indicador atingiu “o valor mais elevado desde maio de 2000”. As opiniões dos empresários da indústria transformadora dos principais países clientes de Portugal sobre as respetivas carteiras de encomendas “aumentou de forma ténue” no mês passado.

Passando à atividade económica, o INE sublinha que “o indicador de atividade económica, que sintetiza um conjunto de indicadores quantitativos que refletem a evolução da economia, aumentou em abril e maio, de forma menos intensa no último mês, refletindo em maio um efeito base menos pronunciado do que em abril”. O índice de produção industrial desacelerou em maio, para uma variação homóloga de 27,1%, depois de ter atingido o valor mais elevado em abril: 37,4%.

Além disso, o volume de negócios nos serviços, incluindo o comércio a retalho, apresentou uma variação homóloga de 33,4% em maio, depois de ter aumentado 46,7% em abril. A leitura para maio representa ainda uma redução de 7,3% se comparada com abril de 2019.

No turismo, “o número de dormidas em estabelecimentos hoteleiros apresentou um crescimento, mas situou-se ainda longe dos resultados do período homólogo de 2019”. A variação, quando feita a comparação com maio de 2019, representa um afundanço de 68,6%.

Contudo, se a comparação for feita com maio de 2020, altura em que estava a terminar a primeira vaga da pandemia, as variações são explosivas: 687,7% em maio e 599,8% em abril, reflexo do “efeito de base em 2020”. Ou seja, este ano têm havido mais dormidas comparativamente com 2020, em que as pessoas preferiram ficar em casa, com receio do recém-descoberto coronavírus.

No consumo privado, o INE registou em maio “um aumento menos intenso do que o verificado no mês anterior”. Tal foi reflexo do “forte efeito base causado pelos valores muito reduzidos verificados em maio de 2020”.

Quebra nas vendas ameaça investimento

A rubrica do investimento também perdeu fôlego em maio, mas “diversos indicadores associados a este agregado macroeconómico revelam níveis superiores aos observados no período homólogo de 2019”. O INE dá destaque à redução nas vendas de cimento e ao abrandamento nas vendas de veículos pesados e comerciais.

As perspetivas, contudo, são positivas. “De acordo com os resultados de abril de 2021 do Inquérito de Conjuntura ao Investimento, o investimento empresarial em termos nominais deverá aumentar 4,9% em 2021, o que compara com a previsão inicial de aumento de 3,5% no inquérito de outubro de 2020 sobre as intenções para 2021. Os resultados deste inquérito apontam ainda para um decréscimo nominal de 13,6% do investimento em 2020, traduzindo também uma revisão em alta face ao resultado apurado no inquérito de outubro (-16,3%)”, lê-se no destaque. A “deterioração das perspetivas de venda” é o principal “fator limitativo” do investimento.

Em termos de procura externa, se excluídos os combustíveis e lubrificantes, “as exportações e as importações aumentaram 48,9% e 42,3%, respetivamente. Estão ainda em níveis inferiores aos pré-pandemia.

Desemprego cresce ligeiramente

No mercado de trabalho, a taxa de desemprego ajustada à sazonalidade foi de 7,2% em maio, um acréscimo de 0,2 pontos percentuais face a abril. A taxa de subutilização do trabalho (16 a 74 anos) fixou-se em 12,8%, uma queda de 0,1 pontos percentuais face a abril.

Por fim, no que toca aos preços, o INE recorda que a inflação fixou-se em 0,5% em junho, inferior em 0,7 pontos percentuais face a maio. “Esta desaceleração é explicada, em parte, pelo efeito de base resultante do aumento de preços verificado em junho de 2020, na fase final da primeira vaga das medidas de contenção da pandemia Covid-19”, explica o INE. A puxar pela inflação esteve a categoria dos transportes, enquanto o contributo mais negativo foi o dos restaurantes e hotéis.

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