Desemprego jovem? Nove competências para evitá-lo

Alfabetização digital, cidadania global e curiosidade são algumas das competências que a Adecco Portugal considera fundamentais para tornar os jovens mais atrativos no mercado de trabalho.

Habitualmente com vínculos laborais mais frágeis, como contratos a prazo, período experimental ou recibos verdes, os jovens costumam engrossar o contingente de desempregados. E a pandemia veio agravar ainda mais o desemprego jovem. Só em maio, a taxa de desemprego de profissionais até aos 24 anos foi de 24,4%, revelam as estimativas do Banco de Portugal.

“É um problema global, independente do grau de instrução académica, frequentemente de nível superior. Entre muitas razões, é seguro que alguns não disponham das competências necessárias para serem integrados em posições que desejam”, comenta a Adecco Portugal, em comunicado.

Para tornar os jovens mais atrativos no mercado de trabalho, a especialista em recursos humanos identifica nove competências que considera serem fundamentais:

  1. Alfabetização digital: “Quase todas as carreiras profissionais atuais envolvem a utilização de alguma forma de tecnologia. Assim, quanto mais uma pessoa souber sobre tecnologia, mais atraente será para um recrutador”, aconselha a Adecco Portugal, acrescentando que, à medida que os jovens se preparam para entrar no mercado de trabalho, devem aumentar continuamente os seus conhecimentos sobre as tecnologias emergentes.
  2. Capacidade de resolução de competências: Talvez seja esta a competência mais importante e necessárias à força de trabalho ao entrar no mercado de trabalho, considera a recrutadora. “Muitos sistemas educativos não ensinam estas competências, uma vez que se concentram na aprendizagem de rotina. Os empregos atuais já não são rotina, as pessoas devem ser capazes de esperar e adaptar-se a todo o tipo de problemas que possam surgir. O exercício do pensamento crítico é uma obrigação e um dos principais trunfos que os empregadores procuram em novas contratações.”
  3. Cidadania global: “Enquanto no passado os profissionais só lidavam com pessoas da sua região, a força de trabalho do futuro irá agora interagir com pessoas de todo o mundo. Os jovens devem aprender e apreciar outras culturas, que envolvem códigos de comunicação diferenciados.” Dominar mais do que uma língua é, na opinião da Adecco, uma grande vantagem, tornando um jovem particularmente atrativo. “Esta aprendizagem pode vir como bagagem informal, como viagens realizadas, programas online internacionais, intercâmbios, competição desportiva…”
  4. Empreendedorismo: É hora de ser empreendedor, fazer mais do que o necessário e impactar positivamente a organização. Embora nem todos os jovens criem empresas, todos eles precisam de um sentido de empreendedorismo para terem sucesso no mercado de trabalho. Isto significa que os jovens precisam de ser motivados nos seus empregos e que precisam de dar espaço para a iniciativa”, diz a empresa de RH.
  5. Curiosidade: “Não há limite para o que os profissionais possam precisar de aprender. Os jovens devem agarrar-se à curiosidade e ao amor em aprender que possuíam quando crianças.” Eternos curiosos, que procuram constantemente o conhecimento e aprender coisas novas. Esta é a postura que os empregadores procuram, pois consideram que estas pessoas são realmente uma mais-valia para a empresa.
  6. Competências de comunicação: “Não importa quão grandes sejam as intenções ou ideias de uma pessoa, se não conseguirem comunicar eficazmente, muitas outras competências serão de pouca importância, pois acabam por não ser implementadas por falta de compreensão das equipas.” Para preencher este requisito, a Adecco aconselha a prática da exposição escrita e oral, até se sentirem à vontade para comunicar no local de trabalho.
  7. Adaptabilidade e flexibilidade cognitiva: Sobretudo tendo em conta o atual contexto de incerteza, ser capaz de adaptar-se facilmente à mudança é uma competência valiosa no mercado de trabalho. Mas, mais do que ter essa adaptabilidade, os jovens precisam de ter flexibilidade cognitiva, ou seja, precisam de ser capazes de “mudar a sua forma de pensar perante novos problemas e situações”, bem como de “olhar para uma situação de muitos ângulos e formular o melhor plano de ação”.
  8. Acesso, avaliação e análise da informação: “Os jovens não precisam obrigatoriamente de uma cabeça cheia de conhecimentos, mas precisam das competências necessárias para aceder a qualquer informação de que possam necessitar para resolver um problema. Precisam não só de saber como aceder à informação, mas também de ser capazes de a avaliar, analisar, triar e determinar se é relevante para a resolução da situação que têm entre mãos e como pode ser aplicada; saber distinguir o que são fontes fidedignas e não.”
  9. Autoconhecimento e inteligência emocional: Reconhecer pontos fortes e pontos fracos é também fundamental. “Quando uma pessoa se compreende a si própria, pode fazer os ajustes necessários e realizar o melhor que pode. Os jovens que se conhecem não só sabem como abordar e resolver problemas, como também são mais capazes de trabalhar com outros”, alerta a Adecco. Mas, para além do autoconhecimento, a força de trabalho do futuro precisa de ser capaz de compreender os outros através da inteligência emocional. “Isto permitir-lhes-á estabelecer ligações com os seus colegas de trabalho, superiores e qualquer pessoa associada à empresa. Os empregadores querem novos colaboradores que possam formar estes laços para promover a empresa e trabalhar bem com outros”, conclui.

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