Lucro do BPI sobe mais de 300% para 185 milhões de euros

Resultado de 89 milhões em Portugal já iguala valor atingido antes da pandemia, salienta o banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa, que destacou "regresso à normalidade". Angola também ajudou.

O BPI obteve lucros de 185 milhões de euros no primeiro semestre do ano, uma subida de 334% em relação ao mesmo período do ano passado, quando havia sido penalizado pelas provisões para a pandemia. O resultado em Portugal foi de 89 milhões e já igualou valor atingido antes da pandemia, salientou o banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa, falando num “regresso à normalidade”.

“São resultados muitíssimo satisfatórios, mantemos uma solidez económica e financeira”, destacou o CEO na conferência de imprensa de apresentação das contas dos primeiros seis meses de 2021.

“O que explica a subida dos resultados? Uma parte significativa tem a ver com o produto bancário e crescimento da atividade comercial e do crédito, e também com a diminuição das imparidades de crédito“, explicou Oliveira e Costa.

Angola paga dividendos

Também Angola, através do BFA, deu um forte impulso aos resultados, com o pagamento de um dividendo ordinário de 2020 e a distribuição de reservas livres, com pagamento em três prestações: 40% em setembro 2021, 30% em junho 2022 e 30% em junho 2023.

Com isso, o BPI reconheceu 40 milhões do dividendo ordinário de 2020 em resultados e 79 milhões da distribuição de reservas, dos quais 50 milhões foram reconhecidos em resultados e 29 milhões diretamente em reservas. “Os 119 milhões serão reconhecidos no Common Equity T1 (CET1) à medida que forem recebidos em Portugal”, adianta o banco.

Crédito anima negócio

De acordo com o banco, o produto bancário verificou um “crescimento significativo de 11,5%” para 350 milhões de euros na primeira metade do ano. Foi sobretudo ajudado pelo aumento das comissões em 11% para 130 milhões de euros, enquanto a margem financeira (diferença entre juros cobrados nos empréstimos e juros pagos nos depósitos) subiu 3,2% para 227 milhões de euros.

A explicar a subida das receitas com comissionamento esteve “o crescimento do volume dos fundos de investimento e seguros de capitalização e pelo aumento da intermediação de seguros, e das comissões bancárias associadas a crédito e a contas, que compensaram a descida nas comissões de meios de pagamento”.

O BPI dá ainda destaque ao crescimento da carteira de crédito, que aumentou 5,9% para 26,5 mil milhões de euros — mais 1,5 mil milhões num ano –, com o banco a falar num aumento da quota de mercado.

No segmento empresarial, o crédito subiu 4,4% para 10,2 mil milhões de euros, enquanto o crédito para a compra de casa registou um crescimento de 7% para 12,5 mil milhões.

Os depósitos também subiram significativamente: mais 10% para 27,5 mil milhões de euros.

98% das moratórias em situação regular

O banco tinha 3,9 mil milhões de euros de crédito em moratória no final de junho (14% da carteira), sendo que 97,9% se encontrava em situação regular.

Trata-se de uma descida de 1,7 mil milhões de euros no stock de moratórias em relação ao trimestre anterior, com o BPI a falar num “bom comportamento” dos empréstimos que já retomaram as obrigações de pagamento.

Malparado cai, capital cumpre

O rácio de malparado (NPL) caiu 0,3 pontos percentuais para 1,8% no primeiro semestre, sendo que os ativos NPL estavam cobertos a 157% por imparidades e colaterais, frisa o banco.

O BPI registou imparidades de crédito líquidas de recuperações de dez milhões de euros entre janeiro e junho: em concreto, registou 39 milhões em imparidades, mas teve recuperações de crédito de 29 milhões, incluindo um ganho de 23 milhões com a venda de uma carteira.

Quanto à capitalização do banco, o banco diz cumprir “por margem significativa” os requisitos mínimos do Banco Central Europeu apresentando os seguintes rácios: CET1 de 14,3%, Tier 1 de 15,8% e capital total de 17,4%

(Notícia atualizada às 11h31)

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