PIB tem de crescer quase 6% no segundo semestre para chegar aos 5% de Leão

Apesar do crescimento histórico do 2.º trimestre, não é garantido que o PIB alcance os 5% anuais. A economia vai ter de operar no segundo semestre muito próximo dos níveis de 2019 para lá chegar.

Não está garantido, mas também não é impossível. Com o crescimento de 15,5% no segundo trimestre deste ano, muito influenciado pela base baixa do período homólogo, a economia portuguesa está lançada para o segundo semestre e o alívio das medidas anunciado pelo Governo também dará um impulso. Porém, o PIB terá de crescer quase 6% no segundo semestre, o que significa que a economia tem de operar muito próxima dos níveis de 2019, para atingir o crescimento anual de 5% indicado recentemente pelo ministro das Finanças, João Leão.

Os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), completando o primeiro semestre, permitem perspetivar o que terá de ser o segundo semestre para que se alcance a meta de crescimento de 5% em 2021. De acordo com os cálculos do ECO, com base nos números do INE (que podem ser revistos nas próximas divulgações de dados), o PIB teria de crescer pelo menos 5,8% no conjunto do terceiro e quarto trimestre para chegar a esse nível.

Tal significa que o PIB tem de crescer à volta de 3,6% em cadeia no terceiro trimestre e 1,1% em cadeia no quarto trimestre, tal como referia a Comissão Europeia nas últimas previsões, com a diferença de que os peritos europeus esperavam um crescimento em cadeia de 3,3% no segundo trimestre (na realidade foi de 4,9%). A previsão anual das instituições europeias manteve-se assim em 3,9%, contrastando com a revisão em alta do Banco de Portugal para 4,8% semanas antes.

Acontece que estes crescimentos percentuais do PIB no segundo semestre implicam que a economia portuguesa esteja a operar muito próxima do nível dos respetivos trimestre em 2019. Por exemplo, o terceiro trimestre teria de gerar um PIB próximo de 50,72 mil milhões de euros, pouco abaixo dos 50,97 mil milhões de euros alcançados no terceiro trimestre de 2019.

Os economistas consultados pelo ECO antes da divulgação do INE, cujos valores do segundo trimestre foram ao encontro das suas previsões, não davam ainda por garantido um crescimento de 5%, mas também não o afastavam completamente.

O valor é possível, mas, para já, considero mais provável um valor perto de 4%, sobretudo devido a uma retoma lenta do setor turístico e alguns estrangulamentos da oferta mundial“, afirmava António da Ascensão Costa, do ISEG, relembrando que “a própria crise sanitária ainda não está totalmente controlada e ainda poderá introduzir alguma areia na dinâmica da recuperação”, com os surtos de casos a continuar a ter “impacto negativo na produção”.

Não é impossível”, admitia Paula Carvalho, economista-chefe do BPI/CaixaBank, recordando que a sua previsão continua a apontar para os 4%. “Todavia o grau de incerteza permanece elevado, havendo riscos em ambos os sentidos”, assinalava.

Ressalvando que o “ambiente económico continua a ser de incerteza invulgarmente elevada”, João Borges da Assunção, da Católica, considerava que “um crescimento de 5% é possível desde que não haja condicionamentos excessivos, nem em Portugal nem nos principais países da União Europeia“.

Essa é a expectativa dos economistas do BCP que apontam para um crescimento de 5,2%, ainda que reconhecendo o risco da “recuperação da atividade turística, que poderá revelar-se mais demorada, sobretudo em caso de necessidade de reintrodução de restrições à mobilidade”.

PIB ainda 4,5% abaixo do nível pré-crise. Mesmo com crescimento de 5% não chegará lá

Neste momento, com o crescimento do segundo trimestre, o PIB situa-se cerca de 4,5% abaixo do nível pré-pandemia, quando se compara diretamente o nível de atividade económica do segundo trimestre de 2021 com o do quarto trimestre de 2019, o último inteiramente sem pandemia.

Estes números confirmam aquilo que tinha sido antecipado pelos economistas da Católica. A economia portuguesa “deverá estar a operar a cerca de 95,5% do nível do 4º trimestre de 2019, o último sem efeitos da pandemia e dos confinamentos”, escreviam na folha trimestral divulgada em julho.

Numa ótica anual, em que se compara o ano de 2019 com os quatro trimestres terminados no segundo trimestre de 2021, a diferença é maior uma vez que os trimestres anteriores foram piores. Neste caso, o fosso é de 5,6%.

Mesmo que alcance a meta anual de 5%, Portugal vai continuar através da média europeia onde se prevê que se recupere totalmente da pandemia no final deste ano. Nesse cenário, o quarto trimestre de 2021 deverá ainda ficar ligeiramente abaixo do quarto trimestre de 2019.

Comparando o ano de 2019 com o de 2021, a diferença será ainda de 2,9%, de acordo com os cálculos do ECO. Apenas em 2022 a economia portuguesa recuperará totalmente, segundo as previsões atuais.

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