Férias chegam ao fim, mas regresso ao trabalho na Dielmar é uma incógnita

As férias na Dielmar terminaram esta quarta-feira, mas o regresso ao trabalho não faz parte da equação. "Retoma não depende da vontade dos trabalhadores, mas das entidades competentes", diz sindicato.

Se esta quarta-feira fosse um dia normal para a Dielmar, os 280 trabalhadores estavam de volta ao trabalho após o período de férias. No entanto, este regresso não passa de uma miragem e de uma esperança por parte dos trabalhadores que correm o risco de perder o emprego, caso não se encontre uma solução viável para a empresa de Alcains que chegou a vestir a seleção portuguesa e o Benfica.

Marisa Tavares dirigente do Sindicato Têxtil da Beira Baixa disse ao ECO, a 4 de agosto, que tinham de ser tomadas “medidas com urgência” para que dia 18 de agosto, após o período de férias, a “empresa voltasse a laborar e os trabalhadores tivessem o seu posto de trabalho disponível”. Apesar da vontade dos trabalhadores e do sindicato, não foi possível conceder este desejo.

“Temos indicação para os trabalhadores não se apresentarem ao trabalho esta quarta-feira (..) Mas os colaboradores podem estar à porta da empresa com o intuito de pressionar as entidades competentes”, conta ao ECO a presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Setor Têxtil da Beira Baixa.

Os 280 colaboradores da Dielmar, que já foi considerada uma das maiores empregadoras da região, vivem há duas semanas um pesadelo sem fim à vista. Numa fábrica que já brilhou, vivem-se dias de escuridão e incerteza. Maria da Luz Esteves, dirigente da comissão sindical da Dilemar, disse ao ECO que apesar de “existir a consciência que a empresa não estava bem, não estava à espera que insolvência chegasse tão cedo”.

Maria da Luz Esteves, que trabalhou na Dielmar 33 anos, tem “fé e a esperança” que seja encontrada uma solução para a empresa de Alcains. “Até agora não está nada traçado, mas a esperança é a última a morrer”, diz a dirigente.

Governo ainda não assumiu publicamente a garantia do pagamento dos salários

Para o sindicato a maior preocupação continua a ser salvaguardar o vínculo de trabalho, mas lembra que para isso tem que existir uma garantia do pagamento dos salários por parte do Governo. “Os trabalhadores não podem manter o vínculo e chegar ao final do mês de agosto ou setembro, sem saber o tempo que isto vai durar, sem ter vencimento. Não têm condições para isso. No tempo em que vivemos é impensável termos famílias inteiras com salários em atraso dois e três meses”, lamenta Marisa Tavares.

Apesar de a laboração não retomar, o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, disse que os salários dos colaboradores estão garantidos enquanto decorrer o processo de venda. Na ótica do Sindicato esta conquista já é uma vitória. No entanto, a presidente do sindicato lamenta que o Ministério da Economia não tenha “assumido publicamente a garantia do pagamento salarial e que “o assunto ainda esteja em aberto”.

“Ainda não existe clareza por parte do ministério. Existe um compromisso por parte do Governo em salvaguardar postos de trabalho e encontrar soluções, mas temos de perceber se efetivamente essas soluções foram encontradas ou não”, destaca Marisa Tavares.

O sindicato lembra que a retoma não depende da vontade dos trabalhadores regressaram ao seu posto de trabalho, mas sim das entidades competentes. Marisa Tavares lembra que “têm de estar reunidas todas as condições para os trabalhadores voltarem ao trabalho”.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Setor Têxtil da Beira Baixa explicou que como “está a ser agilizado o processo de venda da empresa, os trabalhadores têm de estar disponíveis para a qualquer altura serem chamados para virem trabalhar”, acrescenta.

Os 280 trabalhadores da Dilemar souberam da situação da empresa e do pedido de insolvência através da comunicação social quando estavam a gozar o período de férias, uma situação que Marisa Tavares considerou “inaceitável”. Para a trabalhadora Maria da Luz Esteves a empresa “agiu de má-fé”. Foi uma espécie de “traição”, diz.

Apesar do cenário de incerteza, a Câmara Municipal de Castelo Branco confirmou ao ECO que já há uma mão cheia de interessados em comprar a Dielmar. Desde o início do processo que o autarca albicastrense tem manifestado confiança na viabilização da companhia.

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