Windfloat gerou 75 GWh no primeiro ano. EDP quer leilões para instalar mais eólicas no mar de Viana

Com 25 MW e três turbinas eólicas a 20 km da costa, o projeto Windfloat Atlantic pode crescer até 200 MW no mar português. EDP está à espera que o Governo anuncie novos leilões para o eólico offshore.

Ao fim de um ano a funcionar em mar alto, a cerca de 20 km da costa de Viana do Castelo — e já com provas dadas pelas 3.800 horas de produção e os 75 GWh gerados nos primeiros 12 meses — o projeto eólico offshore Windfloat Atlantic chegou finalmente a uma fase em que já permite ao consórcio liderado pela EDP e pela Engie avançar para uma nova fase comercial, em projetos futuros. Seja em Portugal ou estrangeiro.

A garantia foi dada esta terça-feira por José Pinheiro, diretor do projeto e country manager da Ocean Winds para o mercado ibérico, durante uma visita de barco ao parque eólico offshore que pertence à Windplus, um consórcio desenvolvido pela Ocean Winds (79,4%) – a joint-venture criada pela EDP Renováveis e pela Engie – pela Repsol (19,4%) e pela Principle Power (1,2%).

No entanto, para que isso aconteça, refere o responsável, falta ainda capacidade industrial, encomendas em larga escala para novas plataformas flutuantes e projetos internacionais de maior dimensão. “A cadeia de fornecimento terá de ser preparada. Falta a industrialização, e fazer com que as plataformas flutuantes sejam um produto quase off the shelf (pronto a tirar da prateleira, traduzindo do inglês), standardizado” como já é hoje a energia eólica onshore ou offshore convencional, explicou o responsável.

Falta também que Governo português anuncie a realização de leilões para capacidade eólica offshore em Portugal, tal como já aconteceu noutras geografias em que o consórcio está a apostar.

Exemplos disso são os projetos já em marcha em França (projeto de 30 MW no Golfo de Lyon, que deverá arrancar no final de 2022), Coreia do Sul (três parques de 500 MW, num total de 1,5 GW) ou Estados Unidos (Califórnia). Em comum, todos estes mercados têm o facto de estarem a ser desenvolvidos leilões para a atribuição de capacidade offshore, com tarifas garantidas.

“Procuramos oportunidades onde a regulação preveja leilões específicos para esta tecnologia, nos quais os operadores possam competir numa escala superior que permita a industrialização e também tornar mais baratos os preços da eletricidade. Isto prova que a tecnologia existe e estamos prontos para avançar. Faltam as oportunidades e mais encomendas”, disse José Pinheiro, acrescentando: “O percurso tem se der feito com base em leilões. Estamos atentos a projetos em mercados com um ambiente regulatório previsível”, como Espanha, por exemplo.

Neste contexto, deixou um recado ao Governo português: “[Se neste momento fosse anunciado que haveria um leilão para energia eólica offshore] nós estávamos aqui e concorreríamos a esse leilão”, disse José Pinheiro, confirmando aos jornalistas que a expansão do parque eólico Windflot Atlantic (dos atuais 25 MW de capacidade instalada até um máximo possível de 200 MW de injeção na rede, ou cerca de 20 aerogeradores) está apenas dependente da abertura desses processos concursais por parte do Executivo para a concessão de mais capacidade.

“Há condições muito interessantes para se fazer esse leilão. Já vários players internacionais apareceram e levantaram o braço e mostraram interesse. O setor privado deixou claro que há interesse para investimento neste tipo de infraestruturas, mas precisa de um ambiente regulatório estabelecido e de um esquema de remuneração estabilizado e previsível. Essa é a forma de trazer esta tecnologia para patamares mais competitivos”, disse o country manager, revelando que neste momento não existe nenhum projeto offshore na calha para o mercado português, seja de expansão do Windfloat ou outro novo.

Quanto a preços da energia produzida em offshore, neste momento a eletricidade que o Windfloat Atlantic injeta na rede ronda em média os 140 euros/MWh, mas José Pinheiro garante que “no curto prazo esses valores poderão chegar aos níveis de competitividade do offshore fixo, na ordem dos 50 a 60 euros por MWh”. Já o investimento necessário para construir um parque eólico offshore chega ainda a ser quatro vezes superior face ao offshore fixo ou ao onshore.

Do lado do Ministério do Ambiente e da Ação Climática, o ministro João Pedro Matos Fernandes, também já deu sinais de abertura, ao dizer numa conferência recente que teve lugar em Viana do Castelo que a energia eólica offshore faz parte do roteiro de Portugal para a transição energética e para a neutralidade carbónica. “É uma mensagem positiva”, rematou o responsável.

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