Afinal a economia contraiu mais em 2020. PIB caiu 8,4%

Em vez dos 7,6% inicialmente estimados, a economia portuguesa contraiu 8,4%, reviu o INE. Assim, a dívida pública subiu para 135,2% do PIB em vez dos 133,6% estimados até agora.

A economia portuguesa contraiu mais em 2020 do que tinha sido estimado anteriormente. O PIB caiu 8,4%, em vez dos 7,6% que até aqui o Instituto Nacional de Estatística (INE) calculava. É uma diferença de oito décimas que tem repercussões no rácio da dívida pública, o qual subiu para 135,2% do PIB em vez dos 133,6% estimados até agora. A introdução de mais informação, que revelou uma quebra maior no alojamento, restauração e transportes, ditou a revisão do PIB no ano da pandemia.

“Os resultados apresentados, que correspondem à versão final de 2019 e à versão provisória de 2020 das Contas Nacionais, traduzem uma revisão em alta do PIB em 2019, de 0,2% em valor e volume, e uma revisão em baixa em 2020, de 1,3% em valor e 0,8% em volume, relativamente aos dados anteriormente divulgados”, revela o INE.

A revisão dos valores referentes a 2020 foi fundamentalmente determinada pela ainda maior contração que a inicialmente estimada das atividades de alojamento e restauração e transporte e armazenagem“, explica o INE no destaque divulgado esta quinta-feira, esclarecendo que “esta revisão traduziu sobretudo a incorporação dos resultados da Informação Empresarial Simplificada referente a 2020 entretanto disponibilizada”.

PIB contraiu 8,4% em 2020, a maior queda desde que há dados

Fonte: INE. Variação anual do PIB em volume.

O gabinete de estatísticas atualiza também os dados das contas públicas fruto desta revisão em alta da queda do PIB. O INE estima agora que o défice orçamental tenha sido de 5,8%, mais uma décima do que o estimado anteriormente. A maior quebra da economia tem um impacto mais significativo no rácio da dívida pública que passa de 133,6% do PIB para 135,2% em 2020.

Assim, tanto no que toca ao PIB como à dívida pública, isto significa que o Governo tem um caminho maior pela frente para voltar aos níveis pré-pandemia. Estas revisões poderão ter impacto também no cenário macroeconómico do Orçamento do Estado para 2022 (OE 2022) que está a ser preparado pelo Ministério das Finanças para ser entregue com a proposta do OE a 11 de outubro.

É de notar ainda que o crescimento do PIB em 2019 foi revisto em alta em duas décimas para os 2,7%.

No ano de 2020, marcado pelos efeitos económicos da pandemia COVID-19, o Produto Interno Bruto (PIB) ascendeu a 200,1 mil milhões de euros“, quantifica o INE.

Como já se sabia, a quebra das exportações e do consumo privado explicam a maior parte da contração do PIB: “Focando a análise nas variações em volume, as exportações de bens e serviços e a despesa de consumo final das famílias, com contributos de -5,4 p.p. e -2,6 p.p. (+0,7 p.p. e +1,2 p.p. no ano anterior), foram responsáveis por 96% da contração do PIB”, diz o gabinete de estatísticas. Só a queda das exportações dos serviços (principalmente turismo) é responsável por um contributo negativo de 3,7 pontos percentuais.

Fonte: INE.

Na ótica da produção, o VAB (valor acrescentado bruto) caiu 7,2%, mas há grandes diferenças entre os vários setores. “O VAB das atividades de alojamento e restauração diminuiu 46,3% e o dos transportes e armazenagem contraiu 19,5%, sendo as atividades onde se fez sentir mais intensamente o impacto da pandemia Covid-19, refletindo os condicionamentos à mobilidade das pessoas no contexto da pandemia, nomeadamente às deslocações turísticas e ao transporte aéreo”, descreve o INE.

Por outro lado, “reduções mais moderadas do VAB ocorreram nas atividades financeiras e seguros (-1,6%), imobiliárias (-1,2%) e Administração Pública, saúde e educação (-1,4%)”. E há ainda o caso dos ramos da construção e dos serviços de informação e comunicação, com crescimentos de 3,0% e 4,1%, respetivamente, que “constituíram as exceções à contração da atividade económica”, semelhante ao que já se sabia.

Revisões são “inerentes” à produção de Contas Nacionais, justifica o INE

Esta revisão acontece no mesmo dia em que também o INE espanhol reviu em forte baixa o crescimento do PIB no segundo trimestre. Ambos os institutos defendem-se, argumentando que é normal haver atualizações. “A existência de revisões é inerente ao processo de produção de Contas Nacionais”, escreve o INE no destaque, dando como motivos disso “a disponibilidade crescente de informação relativamente ao período de referência nos dois anos posteriores e as limitações inerentes aos métodos utilizados para obter estimativas de elevada frequência (trimestral) a partir de informação parcial”.

Em particular no caso das contas preliminares, a estimativa do PIB baseia-se sobretudo na ótica da despesa, visto que a informação disponível para o apuramento do PIB na ótica da produção é muito parcial“, explica, referindo que os valores do VAB nessa estimativa preliminar são obtidos assumindo-se que “a relação técnica entre produção e consumos intermédios não se altera tendencialmente”. É a chegada da Informação Empresarial Simplificada, que abrange mais de 490 mil respostas de empresas, que “muda o jogo” em termos de estatísticas.

O próprio INE assume a importância desses documentos e do impacto particular que teve nas estatísticas compiladas durante um período impactado pela Covid-19: “Num ano marcado pelo choque da pandemia, a IES referente a 2020 veio revelar uma maior intensidade da crise económica que a inicialmente apurada no âmbito das estimativas trimestrais, com destaque para dois ramos: alojamento e restauração e transportes e armazenagem“, esclarece.

E essa informação mostrou que a relação técnica entre produção e consumos intermédios modificou-se com a pandemia, principalmente nos setores mais afetados. “O aumento do peso do consumo intermédio, implicando a redução do peso relativo do VAB no valor da produção, sugere que, em muitas empresas, para preservar a capacidade de produção instalada, sob a hipótese que a crise seria temporalmente limitada, a expressiva redução da produção não foi proporcionalmente transmitida às despesas de funcionamento“, nota o INE.

(Notícia atualizada às 13h19 com mais informação)

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