Hidrogénio português já está na corrida para obter financiamento prioritário de Bruxelas

Bondalti, Fusion Fuel e 1s1Energy foram as empresas selecionadas para integrar a primeira ronda IPCEI (Indústria e Tecnologia), "seguindo as orientações da coordenação alemã" revela o MAAC.

Portugal avançou com uma primeira candidatura de três projetos de produção de hidrogénio verde ao estatuto de Projeto Importante de Interesse Europeu Comum (IPCEI) no Hidrogénio, junto da Comissão Europeia. Uma vez atribuído este estatuto por parte de Bruxelas, os projetos eleitos são considerados como prioritários e têm mais facilidade na obtenção de fundos comunitários significativos.

Bondalti, Fusion Fuel e 1s1Energy foram as três empresas selecionadas para integrar com os seus projetos esta primeira ronda IPCEI (Indústria e Tecnologia), “seguindo as orientações da coordenação alemã”, revelou ao ECO/Capital Verde fonte do ministério do Ambiente e da Ação Climática.

Três projetos foram identificados, mas há mais projetos potenciais no levantamento da UE para as próximas vagas”, disse a mesma fonte, sublinhando que “qualquer seleção formal de Portugal apenas terá lugar após verificação do potencial da cadeia de valor europeia e análise de feedback da Comissão Europeia”.

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, Matos Fernandes, tinha já confirmado que a candidatura de Portugal ao IPCEI “está apresentada, na sua primeira fase”. “E já abriu uma segunda fase, que está a decorrer, e estimamos até ao fim de outubro, início de novembro, poder apresentar mais projetos neste segundo pacote de candidaturas”, disse também.

Na avaliação do ministro, os grandes projetos de hidrogénio em Portugal inserem-se sobretudo no IPCEI e nas verbas que o IPCEI poderá vir a financiar. “Alguns desses projetos já estão a avançar. O H2Sines, por exemplo, já teve um financiamento de 40 milhões de euros obtidos diretamente de Bruxelas”, disse o ministro. Em junho tinha já anunciado no Parlamento que “o projeto H2 de Sines é um dos únicos três projetos que a União Europeia já aprovou pelo seu mérito”.

Desta forma, nesta candidatura a Bruxelas cabem sobretudo os projetos de hidrogénio maior dimensão, já que os de pequena e média dimensão têm ao seu dispor vários avisos para financiamento europeu, através do POSEUR (pacote de 40 milhões para 34 MW, com 13 projetos já selecionados) e do Plano de Recuperação e Resiliência (185 milhões até 2023, para apoiar 264 MW de capacidade de produção).

Os dois maiores projetos de produção de hidrogénio em Portugal são precisamente o H2Enable da Bondalti (2,4 mil milhões de euros), localizado em Estarreja, e o H2Sines (no valor de 1,5 mil milhões de euros, agora já sem a EDP e a Galp, mas que está a ser liderado pela francesa Engie e integra também em consórcio a dinamarquesa Vestas e a portuguesa Martifer.

Matos Fernandes lembrou ainda que estes projetos têm mais opções disponíveis para obterem apoios ao seu desenvolvimento: “Não nos podemos esquecer que esta quinta-feira são entregues as candidaturas para as agendas inovadoras para a indústria. E estamos sinceramente convencidos que muitos projetos do domínio das energias renováveis vão ser candidatos. Desde as baterias e lítio, até à produção renovável mais sofisticada e gases renováveis”.

O ministro diz então que “cabe agora às empresas construir as suas agendas e fazer as suas candidaturas a fundos europeus, em verbas que não são geridas por nós, mas pelo Ministério da Economia. Sabemos que se vão confrontar com muitos projetos e candidaturas vindas da área da energia”, garantiu.

Em 2020 o Governo divulgou a short list de 37 projetos de investimento na fileira industrial do hidrogénio que passavam à fase seguinte e poderiam ver a ser selecionados para integrar a candidatura portuguesa ao IPCEI do hidrogénio.

Desta lista, além do H2Sines e do H2Enable, faziam parte os projetos da Fusion Fuel, Grupo Águas de Portugal, Akuo Energy/Solarbel, da Altri (para a descarbonização do setor da pasta de papel), do Instituto Politécnico de Portalegre, da Amnis Pura (com a Universidade do Porto), da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, da CP com a Caetano Bus (H2Rail, para a descarbonização do transporte ferroviário de passageiros), da Energypulse Systems, da EQS – Gestão de Participações Sociais, da Euro FPV Holdings, da Gesto Energia com a Dourogás, do ISQ, da The Navigator Company, da PRF – Gás, Tecnologia e Combustão, da Enforce – Engenharia da Energia, da Prio, da Smartenergy, da Turbogás, da Voltalia, da Hyperion, da Caetano Bus, da MAN Energy Solutions, entre outras.

“Os selecionados apresentaram informação mais detalhada, a nível técnico e financeiro, que irá permitir definir aqueles que poderão constituir a base formal da candidatura”, informou o ministério em comunicado, sublinhando que “nenhum financiamento está associado e/ou garantido”.

Ao ECO/Capital Verde João Galamba tinha já dito que o objetivo é que a candidatura portuguesa ao IPCEI inclua o maior número de empresas, com um “pipeline de projetos robustos, maduros e enquadráveis na estratégia europeia”. Mas “com conta peso e medida: não vamos levar 500 projetos a Bruxelas, mas se tivermos 20 ou 30, será o ideal”.

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