“Calmamente”. Programa que ensina a gerir emoções chega a mais de 1.000 alunos

Ensinar competências sociais e emocionais, a par do ensino de competências mais técnicas, em idade escolar pode determinar o sucesso das futuras lideranças. Várias escolas já aderiram ao programa.

O “Calmamente”, programa de literacia emocional em contexto escolar, estendeu a sua presença e chega a mais de mil alunos do país neste ano letivo. Ensinar competências sociais e emocionais, a par do ensino de competências mais técnicas, pode determinar o sucesso das futuras lideranças do país. Escolas do Município de Valongo, de Macedo de Cavaleiros, de Vila Nova de Paiva (Viseu) e os Salesianos do Porto já apostaram neste projeto de educação socioemocional.

“Uma educação integral, que privilegie não só as competências técnicas e cognitivas como as competências sociais e emocionais, permitirá formar indivíduos com grande capacidade de liderança, capazes de se relacionarem assertivamente sendo, seguramente, melhores profissionais. As chamadas soft skills fazem toda a diferença em qualquer profissão, possibilitando perfis motivados, aptos a responder a desafios, conscientes das suas competências e equilibrados emocionalmente”, afirma Andreia Espain, fundadora e presidente da Associação Mente de Principiante, a entidade que desenvolveu e dinamizou o projeto, em conversa com a Pessoas.

“Faz todo o sentido uma dinâmica educativa integral, que permita, desde cedo, em contexto escolar, um equilíbrio das competências cognitivas e socioemocionais no sentido de ampliar o sucesso futuro de qualquer indivíduo, pessoal e profissionalmente”, continua.

O programa de competências socioemocionais “Calmamente – Aprendendo a Aprender-se” já foi aplicado em várias turmas e escolas do país, impactando perto de 3.000 estudantes. Está estruturado em sessões compostas por diversas dinâmicas que contribuem para o crescimento emocional equilibrado dos participantes.

O programa surge da experiência de Andreia Espain como professora em contextos escolares, onde os alunos manifestavam clara iliteracia emocional. Assim nasceu o “Calmamente”, que “procura dar reposta” a essa falta de conhecimento emocional.

Andreia Espain é a fundadora e presidente da Associação Mente de Principiante.

Desde o seu início que a Associação Mente de Principiante tem sido um agente de mudança na área da educação socioemocional, promovendo o bem-estar integral, sobretudo em contexto escolar. A sua missão e projetos desenvolvidos têm sido reconhecidos a nível nacional, mas a maior conquista aconteceu no ano letivo 2020/21, com a integração do programa “Calmamente – Aprendendo a Aprender-se” em horário curricular em quatro escolas públicas do Agrupamento de Escolas Abel Salazar, em São Mamede de Infesta (Matosinhos), abrangendo mais de 400 crianças com idades compreendidas entre os oito e 11 anos. O projeto contou com o apoio das Academias Gulbenkian do Conhecimento e foi monitorizado pelo Instituto Universitário da Maia.

As escolas do Município de Valongo, de Macedo de Cavaleiros, de Vila Nova de Paiva (Viseu) e os Salesianos do Porto também apostaram neste projeto de educação socioemocional, que chega agora a mil alunos portugueses.

“O Município de Valongo foi um dos concelhos pioneiros no país a valorizar a educação socioemocional como ferramenta essencial para os alunos, celebrando um protocolo com a Associação Mente de Principiante para a implementação do programa “Calmamente”, durante o presente ano letivo, em oito turmas do 4.º ano do Agrupamento de Escolas de São Lourenço, em Ermesinde, intervenção dinamizada pela equipa da Associação Mente de Principiante”, lê-se em comunicado.

Esta será uma experiência piloto no concelho, sendo objetivo do município, segundo fonte da autarquia, o alargamento da implementação do projeto a todos os 4.º anos de todas as escolas do concelho.

Uma educação integral, que privilegie não só as competências técnicas e cognitivas como as competências sociais e emocionais, permitirá formar indivíduos com grande capacidade de liderança, capazes de se relacionarem assertivamente sendo, seguramente, melhores profissionais.

A contribuir para a mudança de paradigma na Educação em Portugal estão também os Municípios de Macedo de Cavaleiros e de Vila Nova de Paiva (Viseu) que investiram na formação de equipas que estão já a implementar o programa, numa intervenção dirigida a um total de 25 turmas dos Agrupamentos de Escolas de Macedo de Cavaleiros e Vila Nova de Paiva.

Para além das escolas públicas, também o ensino privado e cooperativo reconhece a importância de trabalhar as emoções dos seus alunos. É o caso dos Salesianos do Porto, que estabeleceram uma parceria de formação com a Academia Mente de Principiante para, durante ano letivo, implementarem o programa “Calmamente” em quatro turmas da instituição.

Andreia Espain avança ainda que estão a ser fechadas mais parcerias com escolas públicas, colégios, agrupamentos escolares e autarquias, prevendo-se que, até ao final do ano, o número de crianças e jovens abrangidos pelo programa aumente ainda mais.

“É com enorme satisfação que assistimos a esta mudança, que defendemos há já tanto tempo, e que vemos o programa ‘Calmamente – Aprender-se a Aprender-se’ integrar o currículo dos alunos de quase 200 turmas por todo o país. São os primeiros passos de uma caminhada que envolve escolas, alunos e famílias”, refere Andreia Espain, acrescentando, contudo, que há, ainda, “muito caminho a percorrer”.

A expectativa é que, num futuro breve, se reconheça a importância desta mudança na educação e que a integração curricular da educação socioemocional seja uma realidade em todas as escolas, em cada sala de aula, para todos os alunos.

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