Trabalhadores da Dielmar ameaçam bater à porta da Economia

A 12 dias da decisão final sobre o futuro da empresa de vestuário, os trabalhadores avisam Siza Vieira que a Dielmar não pode “cair no esquecimento a seguir às eleições” e admitem rumar a Lisboa.

“Isto não basta até às eleições ser tudo muito bonito e a seguir [às autárquicas] a Dielmar cair no esquecimento. Isso não pode acontecer. O senhor ministro da Economia tem de perceber isso mesmo”. O alerta foi deixado esta quinta-feira pela presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Setor Têxtil da Beira Baixa, durante uma concentração à porta da empresa de vestuário, em Alcains.

A 12 dias da assembleia de credores decisiva para o futuro da empresa do concelho de Castelo Branco, que se apresentou à insolvência no final de julho, Marisa Tavares disse à RTP que “se [vir] que nestes próximos dias as coisas não estão a seguir o caminho certo, se for necessário [vai] mobilizar os trabalhadores para fazer uma manifestação em frente ao Ministério da Economia”.

Na semana passada, os credores da Dielmar decidiram suspender até 26 de outubro os trabalhos da assembleia, que decorreu no Juízo de Comércio do Fundão, optando por dar um prazo adicional de mais quase três semanas para o administrador de insolvência, João Maurício Gonçalves, tentar alcançar um acordo satisfatório com algum dos interessados.

Além das duas propostas formais referidas no relatório enviado ao Tribunal do Fundão – e que apresentavam “insuficiências ou condicionantes eventualmente inultrapassáveis, no que se refere ao preço, ao objeto ou aos meios financeiros associados” –, o gestor judicial recebeu, entretanto, outras duas manifestações de interesse.

À saída da reunião com os credores, o administrador de insolvência destacou que todas as potenciais soluções precisavam de ser “consubstanciadas ao nível do modelo de financiamento”. O único investidor que não pediu reserva sobre a sua identidade foi Vítor Madeira Fernandes, proprietário da Outfit 21, sediada em Leiria. Fora da corrida e em definitivo, confirmou o ECO, está um consórcio de cinco empresas históricas do têxtil e vestuário, que chegou a apresentar uma proposta, mas acabou por desistir.

“Ajuda” para salvar empregos no Interior

A massa insolvente não tem dinheiro para suportar o pagamento dos vencimentos e das obrigações contributivas referentes ao mês de outubro aos 244 trabalhadores que ainda mantêm vínculo contratual com a empresa. Esta manhã, em declarações aos jornalistas, a representante dos trabalhadores, Anabela Vitorino, pediu “ajuda ao Governo” para salvar estes empregos, frisando que estão “numa zona do país muito desertificada e com falta de trabalho”.

A Dielmar era uma das maiores empregadoras da região da Beira Baixa e deixa uma dívida ao Estado de oito milhões de euros, à banca de cerca de seis milhões e ainda 2,5 milhões a fornecedores e 1,7 milhões à Segurança Social. O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, disse mesmo que “o dinheiro público não serve para salvar empresários” e reconheceu que “se calhar” o Estado não vai recuperar o montante que tinha concedido à empresa.

Ainda assim, para pagar os salários de agosto e de setembro e evitar os despedimentos antes da negociação com eventuais interessados, foi contraído um empréstimo junto do Banco Português de Fomento no valor de 171.875 euros, que cobriu equivalente a 25% dos ordenados, assim como as contribuições para a Segurança Social.

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