“Poucas empresas” aderiram à solução para as moratórias, diz presidente da Caixa

Presidente da Caixa revelou que a solução para o fim das moratórias está a ter pouca adesão por parte das empresas. Macedo culpa as "restrições" das linhas de garantias públicas do banco de fomento.

A solução do Governo para ajudar as empresas após o fim das moratórias está a ter pouca adesão, revelou o presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, culpando as muitas “restrições” do chamado Programa Retomar, lançado há um mês pelo banco de fomento, e que tem merecido muitas críticas dos bancos e das empresas.

“Alguém se candidatou a este último programa Retomar, só por curiosidade?”, perguntou Paulo Macedo, à frente de uma plateia de empresários e clientes da CGD, no evento Fora da Caixa, em Tomar.

Perante o silêncio da assistência, o CEO da Caixa concluiu: “Não deixa de ser significativo. Porquê? Porque as características, as restrições foram tantas que há poucas empresas — haverá algumas, e que precisam — a qualificarem-se para o programa”.

O Banco Português de Fomento (BPF) anunciou há um mês uma linha de garantias públicas no valor de 1.000 milhões de euros para reestruturações dos créditos empresariais que estão em moratória, mas a medida tem sido alvo de críticas por causa das regras restritivas de utilização, nomeadamente porque os clientes vão ficar marcados negativamente pelo sistema.

Os bancos pedem uma alteração das condições do programa e Paulo Macedo juntou-se a esse coro de pedidos quando disse que o programa de capitalização de empresas, que “está para sair há mais de sete, oito ou mais anos”, será “mais importante” do que a linha de garantias públicas para o crédito em moratória das empresas dos setores mais vulneráveis.

“Parece-nos que será mais importante este programa de capitalização… só se o outro for remodelado”, frisou o presidente do banco do Estado.

“Este programa do capitalizar, se for bem feito, pode contribuir para corrigir a nossa assimetria já com muitas décadas de rácios insuficientes de capitais próprios”, explicou Paulo Macedo.

Antes de Paulo Macedo, já o presidente do BCP havia deixado críticas ao Programa Retomar, por não diferenciar as reestruturações de dívida no âmbito deste mecanismo em relação às outras reestruturações, ignorando o impacto da pandemia nas empresas.

“Devia ser tratado de forma diferente porque ao tratar isto como uma reestruturação normal e de dificuldades financeiras, fica um registo que é extremamente negativo (…). Isto é um tema da Autoridade Bancária Europeia e da Comissão Europeia, mas a nossa exigência com o Governo é de procurar uma pressão forte para que isto não seja desta forma e para não estigmatizar algumas empresas que não merecem ser estigmatizadas e que são alheias à crise que atingiu as suas contas”, afirmou Miguel Maya.

“Há uma corrente nacional contra as empresas grandes”

Na mesma intervenção de abertura do encontro Fora da Caixa, Paulo Macedo considerou que há uma “corrente nacional contra as empresas grandes” em termos de condições para elas “poderem crescer e desenvolver”.

“Nós gostamos muito das micro, gostamos muito das pequenas, nas médias aquilo já começa a ser tolerado, mas então grande é que é um problema“, disse o líder da Caixa.

Contudo, lembrou Paulo Macedo, as grandes empresas são na sua maioria “exportadoras” e têm maior capacidade para investir em investigação. Ou seja, “a dimensão não é indiferente para a competitividade” e o objetivo também passa por tornar as médias empresas em grandes empresas, acrescentou.

Segundo Macedo, esta questão coloca-se “se estamos a fortalecer as […] instituições, se estamos a tornar a dar condições macroeconómicas, laborais, legislativas, etc., de enquadramento para as empresas poderem crescer e desenvolver”.

(Notícia atualizada pela última vez às 17h12)

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