Apenas 10% dos portugueses fizeram formação no último ano

Falta de tempo, custos financeiros e razões familiares são os principais obstáculos apontados pelos portugueses para investirem em ações de educação e formação ao longo da vida.

Os portugueses não estão a investir na formação. O ano passado, apenas 10% dos portugueses entre os 25 e os 64 anos frequentaram programas de formação, de acordo com dados do INE. Falta de tempo e disponibilidade (58,9%), custos financeiros (38,9%) e razões familiares (32,4%), são os principais obstáculos apontados pelos portugueses para participarem em educação e formação ao longo da vida, de acordo com o “Guia para adultos: como aprender ao longo da vida?”, realizado pela Fundação José Neves (FJN).

“Vivemos um tempo de profundas e aceleradas mudanças sociais, tecnológicas e profissionais. As alterações profissionais e no mercado de trabalho trazem novos desafios, mas também oportunidades. Muitas profissões que conhecemos hoje vão desaparecer e novas especializações vão surgir e ter cada vez mais procura, nomeadamente na área digital. A aprendizagem ao longo da vida é o único caminho para acompanhar esta revolução”, destaca Carlos Oliveira, presidente executivo da Fundação José Neves.

E Portugal tem um longo caminho pela frente. É apontado pela OCDE como um dos países com pior enquadramento financeiro para a educação e aprendizagem ao longo da vida, e como o país onde é mais urgente apostar na formação dos seus adultos.

Um inquérito do Eurostat, publicado em 2016, faz a radiografia: 32,9% dos portugueses adultos não frequentou nem pretendia frequentar ações de educação e formação. Em contrapartida, 26,5% frequentaram e gostariam de frequentar mais, 19,6% frequentou e não gostaria de frequentar mais, e 21,1% não frequentou e gostaria de frequentar.

Fonte: Fundação José Neves

 

Melhorar a performance e satisfação profissional, progredir na carreira (o que pode requerer o desenvolvimento de novas competências), transitar para outra profissão e colmatar o gap de competências, mudar completamente de carreira ou área profissional, tornar-se um profissional único através do domínio de competências abrangentes e muito distintas são algumas das motivações para continuar a aprender e para frequentar um curso ou ação de formação, aponta o “Guia para adultos” da FJN.

Estudos de vários países europeus revelam que as ações de formação pós-secundárias profissionalizantes reduzem a probabilidade de desemprego e aumentam a probabilidade de os desempregados encontrarem uma nova oportunidade.

Metade dos portugueses não completou o ensino secundário

Metade da população ativa tem baixos níveis de escolaridade. 48% dos portugueses com idades entre os 25 e os 64 anos não completaram o ensino secundário e têm baixos níveis de escolaridade e de qualificação profissional. Portugal fica assim a abaixo da média da União Europeia (21,6%).

Portugal tem o maior gap geracional da EU. Enquanto 75,2% da população 25-34 anos completou o ensino secundário, apenas 46,5% o fez entre a população 35-64 anos. Quanto mais idade, menor é a adesão. Só 4,8% dos adultos com mais de 55 anos e 3,3% dos menos qualificados educam-se e aprendem ao longo da vida.

Fonte: Fundação José Neves Fundação José Neves

Os mais velhos e os menos escolarizados e qualificados são tendencialmente os que mais necessitam de reforçar os seus níveis de escolaridade e capacidades (por exemplo, digitais), mas, paradoxalmente, são os que menos frequentam programas de educação e formação. De acordo com os dados do INE, só 4,8% dos adultos com mais de 55 anos e 3,3% dos menos qualificados educam-se e aprendem ao longo da vida.

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