Zona Euro terá inflação superior a 2% em 2021 e 2022, mas Portugal não chegará lá

A Comissão Europeia reviu em alta a previsão para a taxa de inflação de 2021 e 2022, ficando acima de 2% na Zona Euro. Contudo, Portugal não chegará a essa meta definida pelo Banco Central Europeu.

Se há tema que tem dominado a atualidade económica, é a evolução dos preços nas economias avançadas e as suas implicações na política monetária. Sobre o caráter temporário das subidas, “não há unanimidade, mas quase”, disse Paolo Gentiloni, comissário europeu para a economia. O aumento dos preços pagos pelos consumidores está relacionado com o boom de consumo pós-pandemia, a base comparativamente baixa do ano de 2020 e os preços da energia que não param de subir.

Ainda assim, a Comissão Europeia reviu em alta as previsões para a taxa de inflação, que ficará acima de 2% tanto em 2021 como em 2022. Já Portugal não chegará lá.

Comecemos pela Zona Euro, que é a ótica que interessa para as decisões do Banco Central Europeu. Se no verão a Comissão apontava para uma taxa de inflação de 1,9% em 2021 e 1,4% em 2022, agora prevê que acelere para 2,4% em 2021 e 2,2% em 2022, ficando abaixo da meta dos 2% apenas em 2023 (1,4%). As novas previsões contrastam não só com as anteriores da Comissão, mas também as de setembro do BCE: o banco central apontava para 1,9% em 2021 e 1,7% em 2022.

A revisão progressivamente em alta da taxa de inflação deste ano e do próximo reflete a evolução recente dos preços, principalmente no mercado de energia, o que se tem refletido nas estatísticas do Eurostat. Contudo, os responsáveis políticos e económicos mantêm o argumento de que neste momento estes fatores parecem ser transitórios, até porque os próprios futuros dos preços do gás natural, por exemplo, apontam para uma normalização gradual no próximo ano.

Energia e dos bens alimentares não processados explicam pico da inflação

Fonte: Previsões de outono da Comissão Europeia. Taxa de inflação dividida pelo efeito da energia e bens alimentares não processados e as outras componentes.

Ainda assim, Paolo Gentiloni, comissário europeu para a economia, deixou claro que a situação tem de ser “monitorizada” — palavra que repetiu diversas vezes — nos próximos meses, nomeadamente os potenciais efeitos de segunda ordem, ou seja, saber se os agentes económicos vão ou não incorporar nas suas decisões a expectativa de um maior aumento dos preços. Um dos indicadores a vigiar são as dinâmicas de crescimento dos salários que, para já, não indicam uma inflação excessiva.

Após muitos anos de inflação baixa, a forte retoma da atividade económica tem sido acompanhada por uma aceleração das pressões inflacionistas, excedendo as expectativas“, assume a Comissão Europeia nas previsões de Outono divulgadas esta quinta-feira. Porém, uma vez que este fenómeno está principalmente ligado ao pós-pandemia, “espera-se que as pressões elevadas nos preços sejam maioritariamente transitórias”, dissipando-se em 2023.

Porém, há grandes divergências entre os 19 países da Zona Euro. É o caso de Portugal, com os peritos europeus a anteciparem uma inflação de 0,8% em 2021 e de 1,7% em 2022, ambas as leituras abaixo dos 2%. Só a Grécia “ultrapassa” Portugal neste indicador, ao se prever uma taxa de 0,1% em 2021 e de 1% em 2022, longe da média da Zona Euro. Estes números contrastam com os de vários países, nomeadamente a Alemanha, onde a inflação deverá atingir os 3,1% este ano, baixando para 2,2% no próximo ano.

Sobre a evolução dos preços em Portugal, a Comissão Europeia descreve que esta aumentou este ano — recorde-se que houve deflação na economia portuguesa em 2020 — principalmente por causa dos preços da energia, os bens industriais e os efeitos de base dos serviços relacionados com o turismo (cujos preços foram afetados em 2020 pelas restrições da pandemia). O executivo comunitário prevê que os preços continuem a aumentar nos meses frios por causa do custo da energia, mas a seguir o que vai pesar mais no primeiro trimestre de 2022 será o alojamento e os bilhetes de avião por causa dos efeitos de base (no primeiro trimestre de 2021 o país voltou a fechar por causa da Covid-19).

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