Altice Portugal “reconquista” clientes empresariais e melhora contas

EBITDA e receitas da Altice Portugal melhoram até setembro, em comparação com o ano passado. Negócio dos serviços empresariais cresce a dois dígitos após "reconquista" de clientes empresariais.

A Altice Portugal alcançou lucros de 639,1 milhões de euros até setembro, antes de contabilizados encargos com juros, impostos, depreciações e amortizações. O EBITDA representa um crescimento homólogo de 1,7%, num contexto de melhoria das receitas e da recuperação pós-pandemia.

“Esta evolução resulta da performance e qualidade da receita e da contínua racionalização da estrutura orgânica e do controlo de custos operacionais”, justifica a empresa num comunicado.

Nos mesmos nove meses, a dona da Meo registou receitas de 1.689,2 milhões de euros, uma melhoria de 8,1% face ao mesmo período do ano passado. Este desempenho foi suportado pela “performance demonstrada por todos os segmentos”, com o dos serviços empresariais a registar o crescimento homólogo de dois dígitos no terceiro trimestre.

“O crescimento sustentado da base de clientes fixo e móvel, dos negócios empresariais e a aposta no binómio fibra/convergência impulsionaram a rota das receitas”, acrescenta a operadora.

Na análise trimestral, o EBITDA da Altice Portugal registou um crescimento homólogo de 2,3%, para 221,8 milhões de euros, enquanto as receitas aumentaram 8,9%, para 589,4 milhões de euros. Especificamente, as receitas do segmento de consumo aumentaram 3,4%, para 314,6 milhões de euros, enquanto o segmento de serviços empresariais cresceu 16,1%, para 274,8 milhões de euros.

Sobre o segmento de consumo, a Altice Portugal destaca que “a base de clientes continuou a crescer, tanto no negócio fixo como no móvel, suportado por níveis historicamente baixos de churn [taxa de cancelamento, que mede a saída de clientes para outras operadoras], aliados à manutenção da sólida performance de angariação, promovida também pela convergência e tecnologia fibra, que permitiu adicionar clientes mais valiosos e com maior vida útil”.

Quanto ao segmento empresarial, a Altice Portugal salienta que o desempenho “foi beneficiado pela reconquista de importantes clientes empresariais de grande dimensão em vários setores, bem como pela recuperação das receitas de roaming face ao terceiro trimestre de 2020″. Mas a contribuição absoluta foi “inferior à do terceiro trimestre de 2019”, admite a empresa.

Na mesma nota enviada à imprensa, a Altice Portugal refere que a penetração de 4G e 4G+ atingiu 99,8% e 94,7%, respetivamente, num trimestre em que a Altice Portugal 100 mil casas passadas na fibra ótica (para um total de 5,9 milhões). No total dos nove meses do ano, adicionou 308 mil.

Sede da Altice Portugal, em Lisboa

Altice Portugal vê “contínua deterioração do ambiente regulatório”

Concluída a fase mais importante (e mais demorada) do leilão do 5G, a Altice Portugal “congratula-se por ter cumprido todos os ambiciosos objetivos a que se tinha proposto”, obtendo 104 MHz de espetro, pelo qual pagou 125,23 milhões de euros — das três principais operadoras, a que investiu um montante inferior.

“Apesar do atraso no leilão do 5G, por responsabilidade exclusiva da Anacom, e da contínua deterioração do ambiente regulatório, a Altice Portugal mantém-se fiel aos compromissos de transformação digital e de identificação de soluções que coloquem os seus clientes na melhor posição para o sucesso”, sublinha a empresa.

Assim, entre janeiro e setembro, a Altice Portugal investiu 338,1 milhões de euros na expansão da rede de fibra e da rede móvel, montante do qual 109,7 milhões foram no último trimestre.

Altice não pretende alinear os ativos em Portugal

O diretor e conselheiro da Altice Europe, Dennis Okhuijsen, afirmou esta terça-feira que o grupo não pretende alienar a Altice Portugal e disse que, mesmo que tal fosse considerado, teria de ser algo “extremamente atraente”. Dennis Okhuijsen, antigo administrador financeiro da Altice Europe, falava na conferência telefónica de resultados da Altice International.

Questionado sobre a eventual venda da subsidiária portuguesa, Dennis Okhuijsen disse que não havia novidades sobre o tema. “No final do trimestre anterior divulgámos publicamente que não existe um processo oficial de alienação em Portugal”, referiu o responsável. “Certamente, não estamos altamente incentivados a vender os ativos portugueses”, acrescentou.

Agora, “como Portugal cristalizou os ativos de infraestrutura, é natural receber atenção intensiva de investidores que estão à procura de investir dinheiro nas mãos da infraestrutura”, prosseguiu. “Há muitas pessoas que oportunisticamente, eu acho, estão a olhar para ativos de infraestrutura, incluindo Portugal”, considerou.

“Mas, como eu disse, não queremos nos desfazer de Portugal”, asseverou, e mesmo que fosse considerado algo do género, teria de ser “extremamente atraente, o que é um pouco contraintuitivo” para o grupo em qualquer caso, rematou Dennis Okhuijsen.

Em 22 de outubro, a Bloomberg tinha noticiado que a Altice Portugal estava a equacionar a venda da operação em Portugal e que havia cinco potenciais interessados, sendo que a subsidiária portuguesa está avaliada em sete mil milhões de euros.

A Blackstone, a CVC Capital Partners, a Apollo Global Management,a EQT AB e operadora de telecomunicações espanhola Masmovil Ibercom estão entre os potenciais interessados no negócio, que está avaliado em 8,2 mil milhões de dólares, segundo fontes da Bloomberg. Em 2015, a Altice pagou 5,5 mil milhões de pela aquisição da Portugal Telecom.

(Notícia atualizada às 14h52 com mais informação)

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