Infetados, mortes e UCI ainda não fazem soar alarmes do Estado de Emergência

O número de casos de infeção em Portugal está a aumentar, contudo, o Governo descarta um regresso ao Estado de Emergência. Mas, afinal, em que situação estava o país quando este regime foi decretado?

A pandemia está a agravar-se em Portugal, com o número de infeções a registar uma tendência crescente. O Governo garante que está a acompanhar a situação e que tomará medidas, se necessário. Contudo, descarta um eventual regresso ao Estado de Emergência. Mas, afinal, em que situação estava o país quando este regime foi decretado?

Desde o início de outubro, Portugal vive sob um alívio de medidas de contenção da Covid-19, onde a responsabilidade individual e a avaliação do risco são determinantes no combate à pandemia. Mas face à tendência crescente do número de infeções, o primeiro-ministro decidiu convocar uma nova reunião no Infarmed para ouvir os especialistas.

Com o agravamento da pandemia, o Executivo já avisou que não se pode “estar a descansar à sombra da vacinação” e que não se pode “baixar a guarda”, mas rejeita, para já, qualquer medida que implique decretar o Estado de Emergência. Também o Presidente da República veio garantir que essa possibilidade “não está em cima da mesa”.

Desde que a pandemia chegou a Portugal, a 2 de março de 2020, o país já enfrentou mais de dez estados de exceção, sendo que a maioria deles foram renovações e, em apenas duas situações, o Presidente da República teve que intervir e propor o seu decreto: a 18 de março de 2020 e a 6 de novembro de 2020.

Mas, afinal, qual era a situação pandémica em Portugal em março de 2020 e em novembro de 2020 face à situação em que estamos hoje? Uma das grandes diferenças está obviamente relacionada com o efeito da vacinação, que tem uma forte influência ao nível da doença grave e morte. Mas vamos a números.

A 18 de março de 2020 e face a uma ameaça desconhecida, pelas 20h, o Presidente da República falava ao país para anunciar que Portugal iria entrar em Estado de Emergência. O anúncio foi feito depois do parecer favorável da Assembleia da República, sem nenhum voto contra, ao contrário do que aconteceu nas sucessivas renovações.

Os primeiros dois casos de Covid tinham sido detetados a 2 de março e, desde então e até ao dia anterior ao decreto do primeiro Estado de Emergência, o país contava apenas com 448 acumulados (cerca de 28 casos por dia) e uma morte (declarada a 17 de março de 2020) por Covid-19. Depois disso, quinzenalmente, seguiram-se sucessivas renovações até ao início de maio.

Com a primavera e o Verão a situação continuou estabilizada, contudo, no início de novembro de 2020 o aumento de infeções voltou a não dar tréguas e o Presidente da República interveio e propôs um novo Estado de Emergência “muito limitado e largamente preventivo”.

Um mês antes desta decisão, isto é entre 5 de outubro a 5 de novembro de 2020, o país contava com 84.179 casos acumulados (cerca de 2.551 casos por dia) e 735 óbitos (cerca de 23 mortes por dia). Nessa altura, o país vivia o “pico” da segunda vaga e dado que as vacinas ainda não tinham começado a ser administradas, o número de internamentos chegou a passar a barreira dos dois mil e as unidades de cuidados intensivos os 300.

E este ano, com 87% da população vacinada? Se desde finais de outubro deste ano o número de casos de infeção está a crescer, a verdade é que a elevada taxa de cobertura vacinal está a refletir-se especialmente no número de óbitos, internamentos e em UCI. No último mês, foram registados 33.341 casos de infeção (cerca de 1.042 por dia) e 195 óbitos, isto é, cerca de seis por dia. Trata-se, portanto, de um número três vezes inferior face a novembro de 2020.

Quanto aos internamentos, entre 17 de outubro e até esta quinta-feira, Portugal teve, em média, 351 internados, dos quais cerca de 64 em unidades de cuidados intensivos.

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