Produtividade recupera da pandemia em toda a UE em 2022, exceto em Portugal e outros 3 países

O PIB português deverá atingir o nível pré-crise a meio de 2022, mas a produtividade demorará mais tempo, segundo uma análise da Comissão Europeia.

No próximo ano, a produtividade por trabalhador deverá ficar acima do nível de 2019 em todos os Estados-membros, exceto em Portugal, Luxemburgo, Malta e Espanha. Esta é uma das conclusões da análise macroeconómica que a Comissão Europeia fez no pacote de outubro divulgado esta quarta-feira onde habitualmente analisa os Orçamentos nacionais. No caso de Portugal, não houve avaliação dado que este foi chumbado pelo Parlamento e desencadeou eleições antecipadas.

“Em 2022, prevê que a produtividade por pessoa fique acima do seu nível de 2019 em todos os Estados-membros da União Europeia, exceto no Luxemburgo, Malta, Portugal e Espanha”, afirma a Comissão Europeia no relatório “Mecanismo de Alerta” que incide sobre os desequilíbrios macroeconómicos dos países, situação em que Portugal se encontra há vários anos.

A produtividade do trabalho baixou em quase todos os países da UE em 2020, mas deverá recuperar este ano e no próximo. A queda do contributo do trabalho durante a crise pandémica deve-se “principalmente” à diminuição das horas trabalhadas num contexto de manutenção do emprego graças às medidas de apoio dos Estados com a ajuda da União Europeia, como é o caso do programa SURE.

Como o recurso a essas ajudas, por exemplo o lay-off simplificado em Portugal, a produtividade de trabalho tem recuperado com a retoma económica deste ano. Contudo, no caso de Portugal e de mais três países, a recuperação da produtividade será mais lenta, alcançando o nível pré-crise apenas depois de 2022. Em específico para Portugal, a Comissão diz que o “crescimento da produtividade é baixo”.

Para acelerar esse processo, a Comissão Europeia coloca a tónica no investimento que valorize a produtividade, através do PRR, e focado na transição digital e verde.

Perante este panorama, em que a Comissão também identifica o elevado nível de dívida pública e privada, assim como os défices externos do país, o executivo comunitário decidiu manter Portugal sob vigilância por causa dos desequilíbrios macroeconómicos, tal como outros países (Croácia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Holanda, Roménia, Espanha e Suécia), mas estes desequilíbrios não são excessivos como no caso do Chipre, Grécia e Itália.

Economia portuguesa superou expectativas no segundo trimestre

Numa pequena análise ao passado mais recente da economia portuguesa, a Comissão Europeia escreve que esta surpreendeu pela positiva no segundo trimestre, depois de um “arranque fraco” no início do ano. “É expectável que [a economia portuguesa] continue a crescer a um ritmo considerável, alcançando o seu nível de PIB pré-pandémico a meio de 2022“, antecipa o executivo comunitário.

Quanto à política orçamental, esta ajudou a “amortecer” o impacto das consequências negativas da pandemia e as contas públicas deverão melhorar à medida que a retoma avança, ainda que mantendo uma “dinâmica reavivada no investimento público”.

Em relação ao setor bancário, a Comissão Europeia diz que este confirmou a sua resiliência na forma como lidou com a choque da pandemia e “ajustou-se” aos riscos relacionados com o fim das moratórias de crédito no final de setembro deste ano.

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