Já há cancelamentos de jantares de Natal. Restauração fala em 30% de reservas canceladas

Hotéis e restaurantes já começaram a receber cancelamentos para jantares de Natal, sobretudo de empresas. Restauração diz que "situação é preocupante".

Aumento do número de casos, medidas mais apertadas e, agora, a nova variante do coronavírus. Muitos esperavam que este Natal fosse mais “normal” do que o do ano passado, mas o cenário acabou por piorar de repente. A pandemia está a agravar-se e o Governo tomou medidas para a controlar. Com isso, muitas empresas acabaram por cancelar os jantares de Natal que tinham marcado em restaurantes e hotéis, sobretudo na zona de Lisboa.

As restrições para quem planeia ir almoçar ou jantar fora ou ir a um hotel começaram esta quarta-feira. Agora, com a entrada do país em estado de calamidade, volta a ser obrigatório apresentar o certificado digital numa ida ao restaurante ou a um hotel. Isto, aliado ao aumento de casos de infeção nas últimas semanas, tem levado a cancelamentos de encontros de grupos, mesmo sem estar definida qualquer lotação quanto ao número de pessoas.

O Grupo Pestana tinha um mês de dezembro “relativamente forte” em termos de jantares de Natal de empresas. Mas os cancelamentos já começaram a aparecer. “Em jantares de Natal de empresas estávamos propriamente fortes. Mas tem havido alguns cancelamentos de reuniões e festejos de Natal que estavam a ser preparados“, diz ao ECO José Theotónio, CEO da cadeia hoteleira.

A maioria dos cancelamentos tem acontecido nos hotéis de Lisboa mas, ainda assim, o responsável nota que, por enquanto, “não é muito preocupante”. Relativamente aos jantares de Natal das famílias, também se contam alguns cancelamentos, mas não “em número elevado”.

O mesmo está a acontecer nos hotéis Vila Galé. Ao ECO, Gonçalo Rebelo de Almeida nota que “já houve um ou outro cancelamento, mas nada em grande escala”. “Não posso dizer que há [cancelamentos] em grandes dimensões, mas há alguns, sim”, acrescenta o administrador da cadeia hoteleira. Quanto a localizações, diz, um pouco por todo o país, com destaque para Lisboa, Coimbra e Alentejo.

Mas, nos restaurantes, a realidade é um pouco mais preocupante. Ao ECO, o presidente da Associação Nacional de Restaurantes (Pro.Var) nota que “todo este ruído à volta do aumento de casos e da nova variante trouxe um problema adicional: o grande número de cancelamentos”. Daniel Serra aponta para cerca de 20% a 30% das reservas de jantares de Natal de empresas canceladas.

O responsável afirma mesmo que, na restauração, ao contrário da hotelaria, “a situação é, de facto, preocupante”, com um em cada três jantares de Natal a serem cancelados. É um “problema transversal” a todo o país, com “maior incidência no Norte” porque, diz, “há um maior número de empresas e uma maior tradição de se fazerem jantares de Natal”.

Restauração antecipa dias “bem mais graves”

Com o número de casos de infeção a subir, sobretudo com o aparecimento da variante Ómicron, a restauração antecipa dias difíceis, embora espere que o Governo não agrave as atuais medidas. “Acreditamos que nos restaurantes há uma grande segurança porque há um esforço bastante grande dos empresários e clientes. O problema é que depois há um grande número de notícias que pressionam e criar incerteza”, diz Daniel Serra.

Apesar disso, o presidente da Pro.Var prevê que “os próximos dias sejam bem mais graves”, embora o setor tente transmitir que “a situação é de normalidade”. “Temos reforçado todas as medidas de segurança, nomeadamente com a questão dos grupos e privilegiando o afastamento”, nota.

Como se estes cancelamentos não bastassem, junta-se ainda a falta de apoios, como referiu no início do mês a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP). Em declarações ao ECO, a secretária-geral da associação disse estar preocupada com a atual crise política, receando que “tudo possa servir de desculpa” para travar os apoios de que o setor necessita.

Esta terça-feira, em comunicado, a AHRESP salientou a necessidade de se prorrogar por mais um ano o período de carência da linha de microcrédito do Turismo de Portugal, pelo facto de este ser “um dos principais instrumentos de apoio à tesouraria” às empresas da hotelaria e da restauração. “É da maior urgência o reforço dos apoios à tesouraria”, refere a associação.

Do lado do Grupo Vila Galé, Gonçalo Rebelo de Almeida espera que o Governo não aperte ainda mais as medidas. “Não vejo razão nenhuma para um agravamento. As medidas atuais parecem equilibradas”, diz. Até porque “a situação é manifestamente melhor do que em dezembro de 2020” e, nessa altura, celebrou-se o Natal e o fim do ano nos hotéis.

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