Dona do Pingo Doce e Lidl aumentam salários em 2022. Investimento supera 34 milhões

Aumentos salariais nos dois retalhistas alimentares oscilam entre 3% e 25% para funções de entrada. Dona do Continente e Mercadona admitem atualizações salariais.

A Jerónimo Martins vai aumentar entre 7% e 25% os salários de entrada dos colaboradores do grupo dono do Pingo Doce e do Recheio, um investimento de 22 milhões de euros no reforço da remunerações de entrada, abrangendo cerca de 26 mil colaboradores. O Lidl também se prepara para investir 7,5 milhões em salários, estimando-se uma subida média de 3% nas remunerações da cadeia alemã, valor a que se soma 5 milhões de euros no aumento de horas do pessoal em part-time. A Sonae MC e a Mercadona não adiantam valores, mas admitem uma atualização salarial para 2022.

O setor do retalho há anos que negoceia um novo contrato coletivo de trabalho, mas no grupo Jerónimo Martins a decisão é avançar no próximo ano com aumentos salariais para as posições de entrada no retalhista alimentar, nas insígnias do grupo em Portugal (Pingo Doce, Recheio, Jerónimo Martins Agroalimentar, Jeronymo e Hussel) “entre os 7% e os 25% face aos valores de 2021, representando um investimento de 22 milhões de euros”, adianta fonte oficial da empresa à Pessoas. Esse investimento “abrange cerca de 26 mil colaboradores.”

“Estas alterações nos níveis de entrada implicam também revisões nos escalões superiores de modo a manter a diferenciação salarial para as diferentes tipologias de funções”, refere ainda fonte oficial do grupo liderado por Pedro Soares dos Santos, embora sem adiantar qual o seu impacto ao nível de custos globais na folha salarial.

No Lidl, a decisão é também aumentar os colaboradores. “O Lidl Portugal continuará com a sua política de investimento nos colaboradores, que neste momento são mais de 8.200, com um aumento anual dos salários. Este aumento salarial visa contribuir para a criação de um emprego estável e de qualidade, no qual acreditamos”, justifica Maria Román, administradora de Recursos Humanos do Lidl Portugal, à Pessoas.

A cadeia alemã vai assim investir “já em 2022 mais de 7,5 milhões de euros em aumentos salariais, dos quais mais de 80% se destinam a colaboradores das lojas e entrepostos, com o objetivo de apoiar os colaboradores nas operações. A subida salarial média, para todos os colaboradores do Lidl em Portugal, será de mais 3%.”

O retalhista vai também aumentar a carga horária dos colaboradores, em regime de part-time, de “forma progressiva”. “Esta medida beneficiará cerca de 3.700 colaboradores, que desta forma irão usufruir de um aumento salarial de 24%, traduzindo-se num investimento adicional da empresa de cinco milhões de euros“, revela ainda a administradora com o pelouro dos RH na cadeia de distribuição.

Salários acima do SMN

No próximo ano, o Governo decidiu subir o salário mínimo nacional (SMN) dos atuais 665 euros para 705 euros, a partir de janeiro de 2022, o que abranger cerca de 880 mil trabalhadores, de acordo com Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, movimento acompanhado de um apoio de 112 euros às empresas.

Na maioria dos retalhistas alimentares, ouvidos pela Pessoas, os salários de entrada estão acima do SMN. “A estratégia retributiva do grupo Jerónimo Martins assenta em estabelecer salários de entrada acima dos salários mínimos nacionais, nos três países onde estamos presentes”, diz fonte oficial do retalhista à Pessoas.

No Lidl o ordenado de entrada, “já a partir de 1 de janeiro de 2022, passará a ser de 750 euros (para uma carga horária de 40 horas) – um valor superior aos 705 euros anunciados pelo Governo como salário mínimo nacional para o ano que se avizinha – representando um aumento 12%“, adianta Maria Román.

Na Aldi, a empresa vai praticar em 2022 um “salário mínimo de 753,50 euros no escalão base de colaborador de loja a tempo inteiro (40 horas semanais)”, adianta Vera Martinho, managing director human resources da cadeia alemã. “É ainda prática da Aldi, a atribuição de prémios de incentivo mensal, às equipas de loja”, refere a responsável. A empresa não adiantou se este valor representa uma subida face aos valores deste ano, nem qual o impacto de uma eventual atualização salarial.

A dona do Continente também não revela valores, mas admite que, “à semelhança do que tem acontecido em anos anteriores, irá garantir em 2022 o alinhamento com a dinâmica e a evolução do mercado de trabalho, no sentido de assegurar a competitividade das suas práticas salariais”. Ou seja, “vamos avançar com a atualização da nossa política retributiva, nomeadamente no que respeita à prática que temos em vigor nas nossas operações de loja e logística.” Qual o valor da atualização de política retributiva e que práticas tem em vigor nos super e hipermercados e área logística não esclarece, apesar de questionada pela Pessoas.

“A atualização da nossa política retributiva será efetuada sem prejuízo e sem colocar em causa as negociações do contrato coletivo do setor, que estão em curso na Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), e que continuarão a decorrer”, refere fonte oficial da empresa de distribuição moderna.

“A Mercadona, como faz e sempre fez, vai aumentar o salário dos seus trabalhadores de acordo com o Índice de Preços no Consumidor (IPC) acumulado no final do ano. Assim que o soubermos, passaremos a aplicá-lo para que os nossos trabalhadores e trabalhadoras não percam poder aquisitivo”, garante fonte oficial da cadeia espanhola à Pessoas.

“Os trabalhadores da Mercadona têm contrato de efetivo desde o primeiro dia de trabalho. Passam por cinco escalões (aproximadamente cinco anos) em que de escalão para escalão têm um aumento salarial de 11%”, destaca ainda a cadeia.

Políticas de benefícios

E o mesmo lembra a Jerónimo Martins. “Na maioria das nossas companhias em Portugal (bem como nas outras duas geografias onde operamos), as políticas retributivas contemplam aumentos salariais logo após um ano de antiguidade, como forma de promover a retenção e reconhecer uma maior autonomia dos nossos colaboradores no desempenho das suas funções. Estes complementos salariais, atribuídos de acordo com a antiguidade, podem acrescentar até 100 euros à remuneração base mensal“, adianta fonte oficial

“Os prémios atribuídos aos colaboradores das operações podem acrescentar mais de 100% da remuneração base mensal nos níveis de entrada“, destaca ainda a dona do Pingo Doce. Em 2021 os prémios totalizaram “uma média de 750 euros por colaborador”, abrangendo cerca de 23 mil colaboradores, representando um investimento de mais de 17 milhões de euros, incluindo cerca de 6 milhões de um prémio extraordinário de Natal.

No ano passado, o retalhista investiu ainda em Portugal mais de 3,2 milhões de euros em programas de responsabilidade social nas áreas de Saúde, Educação e Bem-estar familiar dos colaboradores.

“A atração e retenção das nossas pessoas é um objetivo que está patente em todas as nossas políticas, não apenas de compensação mas como também em todas as outras relacionadas com a gestão do nosso capital humano. Queremos que as nossas pessoas sintam que o seu contributo é devidamente valorizado, que são reconhecidas pelo seu trabalho, comportamentos e atitudes, e que estejam comprometidas com a nossa missão”, refere fonte oficial. “Em 2020, 45.835 colaboradores mudaram de função, local de trabalho ou companhia.”

O grupo diz investir ainda “fortemente em formação”, destacando o Programa Geral de Gestão de Loja do Pingo Doce que visa desenvolver as competências dos participantes para a função de Adjunto de Loja, proporcionando-lhes uma evolução na sua carreira.

O Lidl destaca igualmente o “forte investimento em formação” dos colaboradores que resultou num investimento de “mais de 3 milhões de euros em 2021, ou seja, cerca de 400 euros por colaborador, o que significa um aumento de 86% face a 2020”, revela Maria Román.

Na cadeia 98% dos mais de 8.200 colaboradores tem contratos sem termo. “Todos os colaboradores Lidl, independentemente da sua carga horária ou contrato, usufruem de um seguro de saúde de referência com um valor de mercado de 440 euros, com extensão ao seu agregado familiar em condições muito vantajosas”, destaca a administradora de recursos humanos do retalhista.

A cadeia paga ainda um “subsídio de refeição de 7,63 euros/dia (o máximo legal permitido sem encargos para o colaborador) que representa mais 150 euros/mês por colaborador.” A cadeia oferece ainda um kit bebé, no valor de 123 euros, a todos os novos pais e mães.

Auchan, Intermarché e o DIA não adiantaram informação para este artigo.

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