Costa diz que Bloco se “cansou” da geringonça, mas Catarina Martins voltaria a fazer acordo

Catarina Martins diz que principal obstáculo é o "desejo" do PS em conseguir "maioria absoluta" nas eleições. António Costa diz que esse "não é um objetivo em si".

Começou por ser um debate tranquilo, mas aqueceu quando se falou na saúde e na legislação laboral. António Costa não se cansou de repetir que o Bloco de Esquerda “fechou a porta” à geringonça, quando votou contra o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), mas Catarina Martins mostrou-se disponível para um novo acordo de governação. Ainda assim, avisou: “Não aceitaremos perder o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

“O desejo de maioria absoluta [do PS] é um obstáculo. A ambição de maioria absoluta tem sido um obstáculo a entendimentos“, disse a líder bloquista esta terça-feira, durante o debate com António Costa na RTP1, no âmbito das eleições legislativas de 30 de janeiro. Mas o líder socialista respondeu e explicou que “o objetivo em si não é a maioria absoluta” para o PS.

A bloquista recordou os “quatro anos de estabilidade, reconquista de direitos e crescimento da economia” que a geringonça trouxe, afirmando: “Orgulho-me e voltaria a fazê-lo”. Mas também recuou no tempo até 2019, quando o Bloco propôs ao PS um novo acordo “para responder ao país”, mas que foi recusado. “Foi um erro ter recusado esse acordo”, disse.

A isto, António Costa respondeu com o chumbo do OE2022. “Em 2020, quando estávamos no momento mais grave da pandemia, o Bloco decidiu romper o diálogo à esquerda. Por vontade do Bloco, o Governo do PS já tinha sido derrubado há um ano”, disse. E não poupou nas críticas, afirmando que “há um Bloco que aparece na campanha eleitoral cheio de mel e outro que atua na Assembleia cheio de fel”.

O “mel” e “fel” que aqueceu o debate

Este trocadilho do “mel” e do “fel” foi o ponto de partida para a enumeração das principais divergências entre o PS e o Bloco de Esquerda. “Foi mel dizer aos cuidadores informais que teriam 30 milhões de euros em cada Orçamento, mas foi fel o Governo guardar 98% desse montante na gaveta”, atirou Catarina Martins, usando essa resposta como trampolim para a questão da saúde.

“Temos de olhar para o país. Se nada for feito, o SNS estará moribundo daqui a quatro anos“, afirmou a líder bloquista, explicando que “ninguém pode pedir ao Bloco que aceite Orçamentos que, a cada dia que passa, enterrem mais o SNS”. A falta de profissionais de saúde foi tema central. “Em vez de ter medidas destas, o PS preferiu um braço de ferro continuado”, atirou.

António Costa defendeu-se, afirmando que, neste momento, o SNS “tem mais 28 mil profissionais de saúde do que em 2015” e que, só a 1 de janeiro de 2022, “entraram em funções mais 2.044 médicos”. “Temos vindo a reforçar recursos humanos”, afirmou o socialista.

A legislação laboral é também outro ponto de discórdia. Como disse Catarina Martins, é um “caso difícil”. O Bloco defende que o “salário médio tem de subir”, enquanto António Costa diz que o chumbo do OE2022 pôs em causa a agenda de trabalho digna que “respondia às necessidades das pessoas”.

O PS acusou ainda o Bloco de querer “recorrer à emissão de dívida pública” para nacionalizar a ANA – Aeroportos de Portugal, os CTT, a REN, a EDP e a Galp. “Aos valores de hoje, o Bloco propõe agravar a dívida pública em 14,5% do PIB”, atirou António Costa. Catarina Martins respondeu que “talvez o PS ache normal que seja o Estado chinês a mandar na energia em Portugal ou que os CTT estejam a ser totalmente destruídos”.

O líder socialista terminou, afirmando que os motivos referidos acima “não são as verdadeiras razões que dividem o PS do Bloco”. E acusou os bloquistas de, em outubro de 2021, terem tido uma “atitude irresponsável” ao votar contra a proposta do OE2022. Catarina Martins sublinhou que o Bloco “está aqui para encontrar soluções para o país”, mas que não aceitará “perder o SNS nem a pobreza de quem trabalha“.

(Notícia atualizada às 21h33 com mais informação)

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