Gás natural dispara 55% e bate recorde com guerra na Ucrânia

Conflito armado continua a agitar o setor energético, levando preços do gás natural. Futuros dispararam para recorde de 194 euros/MWh. Portugal estuda apoios aos setores mais afetados.

Os preços do gás natural estão a subir nos mercados internacionais, à medida que se intensificam os ataques russos na Ucrânia e em linha com a escalada dos preços do petróleo.

Na Europa, o gás natural está em forte alta esta quarta-feira e os futuros de referência Dutch TTF Gas para entrega em abril chegaram mesmo a disparar 55%, para um recorde de 194 euros por MWh.

Os sucessivos ataques da Rússia na Ucrânia — que vão já no sétimo dia –, as dezenas de novas sanções que continuam a ser impostas à Rússia e ainda a proibição de navios russos nos portos do Reino Unido estão a contribuir para a subida dos preços dos gás. Além disso, a nova lei alemã que prevê quantidades mínimas de armazenamento de gás natural deu uma ajuda extra para esta escalada de preços.

É este o cenário, que deverá ainda agravar-se. A situação geopolítica altamente imprevisível e o risco de agravamento da guerra e de novas sanções dão força a uma subida ainda maior dos preços, sublinha a Reuters. Além disso, os investidores temem que a Rússia use o gás natural como arma de pressão à Europa, dado que é o principal fornecedor de gás aos europeus.

Os números falam por si. Esta quarta-feira, o Dutch TTF Gas Apr ’22 tocou o valor mais alto de sempre, superando o pico de 180 euros por MWh registado em dezembro. Negoceia agora a cerca de 154 euros por MWh, um avanço de quase 30%.

Desde que a Rússia, o principal exportador de gás natural da Europa, atacou militarmente a Ucrânia, na passada quinta-feira, que o preço do gás natural tem subido de forma acentuada. Nesse dia, o gás natural registou um aumento de 30%.

Analistas da S&P Global Platts, citados pelo Financial Times, afirmaram que o efeito da “interrupção física” do gás russo que flui para a Europa através da Ucrânia seria “extremo” e, possivelmente, semelhante ao pico observado em dezembro de 2021. O que acabou mesmo por acontecer.

“Os preços do petróleo e do gás natural tornaram-se o barómetro do medo da crise”, diz Norbert Rücker, da Julius Baer, citada pelo FT. “Qualquer interrupção dos fluxos entre a Rússia e a Europa, devido a danos ou sanções, aumentaria drasticamente a escassez de oferta já presente”.

Na verdade, os preços do gás natural já vinham a subir mesmo antes da guerra na Europa, por vários fatores. A menor geração eólica, a seca severa que se vive em Portugal e a menor produção hídrica (derivada da decisão do Governo de suspender a geração em várias barragens) são alguns dos elementos que têm levado à subida das importações de gás natural, usado pelas centrais de ciclo combinado.

Face a isto, este domingo, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, anunciou que “está em avaliação a criação de uma linha de crédito” para os setores mais afetados pela subida dos preços do gás, nomeadamente o vidro, cerâmica e têxtil, bem como outros dois que o Governo ainda está a identificar. Em Portugal, ao contrário de outros países europeus, o gás natural não é muito usado para o aquecimento pelos portugueses, sendo sobretudo usado na indústria e na produção de eletricidade.

O Jornal de Negócios noticiou esta quarta-feira que Sines pode vir a ter um novo terminal para fazer chegar GNL norte-americano e africano à Europa. O presidente da Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) assegurou ao jornal que “há capacidade para construir um novo terminal de gás natural liquefeito (GNL)” em Portugal e aumentar “a capacidade de armazenamento”. Estas declarações surgem depois de o comentador Luís Marques Mendes ter afirmado na SIC que Bruxelas se prepara para “incentivar as interconexões entre a Península Ibérica e França para levar gás até à Europa Central”

O ataque à Ucrânia está ainda a puxar pelos preços do petróleo. Esta quarta-feira, o barril cotado em Londres praticamente tocou os 112 dólares. O Brent sobe agora 5,87%, para 111,13 dólares, enquanto o WTI soma 6,28%, para 109,90 dólares.

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