Elon Musk compra 9,2% do Twitter e ações da rede social disparam 25%

Patrão da Tesla e fundador da SpaceX comprou quase 10% do Twitter, numa posição avaliada em perto de três mil milhões de dólares, revelou a rede social à CMVM norte-americana.

O patrão da Tesla é acionista de referência do Twitter. Numa informação divulgada ao mercado, a rede social revela que Elon Musk detém quase 73,5 milhões de ações da empresa, o que representa uma posição de 9,2%, avaliada em 2,89 mil milhões de dólares.

O documento, enviado à Securities and Exchange Commission (SEC, correspondente à CMVM portuguesa), indica que Elon Musk é detentor de 73.486.938 ações do Twitter, a título particular, desde 14 de março deste ano. Esta é uma posição passiva, o que significa que Musk não terá um papel ativo na gestão da companhia.

Face a esta informação, as ações da empresa dispararam mais de 25% nas negociações antes da abertura das bolsas em Nova Iorque, cotando em torno dos 49 dólares. Este valor compara com os 39,31 dólares a que os títulos do Twitter encerraram a última sessão na passada sexta-feira.

Apesar de ser uma posição passiva, os investidores estão na expectativa de que Musk tenha alguma carta na manga. “Musk pode tentar tomar uma posição mais agressiva no Twitter. Isto pode eventualmente levar a algum tipo de aquisição”, reagiu Dan Ives, analista da Wedbush, citado pela CNBC.

Elon Musk, um dos homens mais ricos do mundo, é presidente executivo da Tesla, uma fabricante de automóveis elétricos. É também fundador da SpaceX, um grupo privado que opera no setor espacial, bem como de um conjunto de outras empresas em setores tão diversos como a neurotecnologia ou escavação de túneis.

O gestor é uma das personalidades mais proeminentes do Twitter. É conhecido por promover criptomoedas e publicar as suas próprias mensagens, sem filtros, o que lhe já lhe valeu mais de 80 milhões de seguidores, mas também alguns problemas.

Em 7 de agosto de 2018, Elon Musk escreveu no Twitter que estava a “considerar” tirar a Tesla da bolsa, propondo pagar 420 dólares por ação: “Os acionistas poderão ou vender a 420 [dólares] ou passar a [posição] privada.” Duas palavras acabariam por tramar Musk: “Financiamento assegurado.”

A operação não só nunca avançou como a SEC considerou provado que Musk não tinha o financiamento assim tão garantido como tinha dado a entender. O caso custou-lhe o cargo de chairman da Tesla e um acordo através do qual todos os tweets que viesse a publicar sobre a empresa teriam de ter aprovação prévia pela companhia. Musk e a Tesla pagaram ainda uma multa de 20 milhões de dólares cada. Já em março de 2022, Musk pediu a um tribunal que anulasse esse termo do acordo.

Antes disso, em julho de 2018, Musk publicou um tweet em que chamava “pedófilo” a uma das pessoas envolvidas no resgate de uma equipa de futebol que tinha ficado presa numa caverna na Tailândia. O caso chegou aos tribunais, com Vernon Unsworth a reclamar uma indemnização de 190 milhões de dólares por difamação. Musk alegou que não era uma acusação, mas sim um insulto, e acabou por vencer o processo, segundo a BBC.

No final do ano passado, Jack Dorsey, um dos fundadores do Twitter, abandonou a empresa, passando o cargo a Parag Agrawal. Alegadamente, Dorsey já pouco se envolvia na gestão da empresa, dedicando a maior parte do tempo à sua outra companhia, a Square, uma empresa de pagamentos que entretanto mudou de nome para Block.

Antes, em março de 2020, o hedge fund Elliott Investment Management, do temível investidor ativista Paul Singer, adquiriu uma posição relevante no capital do Twitter e tinha tentado remover Dorsey do cargo. O Twitter tem sido um alvo apetecível para aquisições — entre as empresas que já exploraram a compra estiveram a Disney e a Salesforce.

(Notícia atualizada pela última vez às 12h32)

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