Andar de avião “será mais caro no futuro”. “Preço dos bilhetes pode mais do que duplicar”, diz diretor da KLM

Diretor-geral da Air France-KLM para a Europa afirma que o futuro passa por voos mais sustentáveis, com menos emissões, e que isso será mais caro para os passageiros.

Para a companhia holandesa KLM, o futuro passa pela sustentabilidade e isso terá um custo. Para realizar um voo sustentável, que implica sobretudo reduzir as emissões de CO2, os aviões precisam de combustível menos poluente que, por sua vez, é mais caro. Em entrevista ao ECO, o diretor-geral da Air France-KLM para a Europa adianta que “a sustentabilidade é uma necessidade” e uma tendência, mas terá um custo, tanto para as companhias aéreas, como para os passageiros. Por isso, avisa que, no futuro, viajar de avião poderá custar mais do dobro.

“Não podemos ser uma boa companhia aérea se não formos sustentáveis no futuro”, começa por dizer Barry ter Voert, diretor-geral da Air France-KLM para a Europa. Para se alcançarem as zero emissões de CO2, as companhias aéreas precisam de substituir o atual combustível por SAF — Sustainable Aviation Fuel. “Com o SAF reduzido em 80% as emissões de CO2”, explica.

Contudo, o SAF é um combustível bastante mais caro. “Cerca de quatro vezes mais caro” do que o combustível normal usado pelos aviões. Mas é um preço que as pessoas terão de pagar, diz Barry ter Voert. “A sustentabilidade vem com um preço, não é de graça”, afirma. E esse aumento da despesa vai recair sobre as companhias aéreas, mas também sobre os passageiros.

“É uma escolha que se faz enquanto companhia aérea e enquanto indústria. Voar será mais caro no futuro”, diz. Quão mais caro? “Isso depende… mas não será [um aumento] de 1% ou 2%. Será mais do que isso. O preço dos bilhetes pode mais do que duplicar”, afirma.

Apesar disso, Barry ter Voert afirma ao ECO que esse aumento de preços “não vai acontecer de uma só vez, nem pode acontecer, porque não há SAF suficiente disponível” no mercado. Será um processo gradual.

Ainda assim, o responsável acredita que quanto mais companhias aéreas se renderem ao SAF, mais barato este irá ficar. “Se formos capazes de produzir [SAF] em maiores quantidades, o preço vai descer”. A redução pode traduzir-se num agravamento dos preços “duas ou três vezes” mais caro do que o combustível comum.

Desde janeiro deste ano que o Grupo Air France-KLM começou a cobrar a todos os passageiros uma taxa obrigatória para suportar os custos do combustível sustentável. O valor varia de acordo com a distância da viagem e com a classe escolhida.

E apesar deste aumento dos custos, Barry ter Voert acredita que os passageiros importam-se cada vez mais com a questão da sustentabilidade e que, no futuro, irão mesmo preferir um voo sustentável, mesmo que seja mais caro. “Os clientes vão fazer trocas na escolha das companhias aéreas e vão escolher a mais sustentável, mesmo que para isso tenham de pagar um preço mais alto“, diz.

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