Crédito à habitação dispara em março para máximo desde 2007

Famílias correram aos bancos em março para pedir crédito para a casa antes de entrarem em vigor novas restrições. Empréstimos à habitação atingiram os 1.691 milhões de euros, um máximo desde 2007.

O crédito para a compra de casa disparou em março. Os bancos concederam 1.691 milhões de euros às famílias para a compra de casa, um máximo mensal desde 2007, de acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal.

Trata-se de uma subida de 33% em relação ao fevereiro, em que os financiamentos para a casa atingiram os 1.275 milhões.

Isto significa que as famílias correram ao banco para pedir empréstimo para a casa antes de entrarem em vigor as novas restrições das maturidades dos contratos em função da idade dos clientes. Desde 1 de abril que quem tem mais de 30 anos viu os prazos máximos dos empréstimos reduzirem-se dos 40 anos para 37 anos (para quem tem entre 30 e 35 anos) e para 35 anos (para quem tem mais de 35 anos).

A procura por crédito para a aquisição de casa tem vindo a subir desde, pelo menos, o final de 2016. Estabilizou nos primeiros meses da pandemia, há dois anos, por causa do confinamento. Mas disparou já no final de 2020 e prosseguiu a tendência de forte aceleração em 2021. Ao todo, no ano passado, foram concedidos mais de 15 mil milhões para a compra de casa, naquele que foi o melhor ano desde 2007.

Sobe, sobe, crédito sobe

Fonte: Banco de Portugal

O Banco de Portugal tem vindo a alertar para o aumento do endividamento das famílias para comprar casa, sobretudo quando as condições começam a apertar-se. O fim da pandemia, a guerra, a inflação e o Banco Central Europeu (BCE) estão a provocar um aumento das Euribor e isso já se está a refletir num aumento dos encargos das famílias com as prestações da casa pagas ao banco. Em maio, a prestação deu o maior salto desde a crise de 2011.

Os dados do Banco de Portugal desta quinta-feira assinalam que, ao fim de 20 meses, a taxa de juro média dos novos empréstimos à habitação voltou a ultrapassar 1%, refletindo as condições dos mercados. Acelerou dos 0,87% em fevereiro para 1,03% em março.

No total, os bancos financiaram as famílias em 2.451 milhões de euros no mês de março. Além dos 1.691 milhões para a casa, os particulares também pediram 501 milhões de euros para a finalidade de consumo e 259 milhões de euros para outros fins.

Em relação às empresas, o montante de novos empréstimos aumentou 70% em março, ascendendo a 2.276 milhões de euros. “Este aumento verificou-se quer nos empréstimos até 1 milhão de euros, em que o montante emprestado foi de 1.278 milhões de euros (897 milhões de euros no mês de fevereiro), quer nos empréstimos acima de 1 milhão de euros em que o montante foi de 997 milhões de euros (446 milhões de euros em fevereiro)”, explica a instituição.

(Notícia atualizada às 12h00)

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