“Falta a Portugal ambição e assertividade”, diz Carlos Moedas

O painel "Gazelas, Unicórnios e outros caminhos para o Futuro" marcou o arranque da Semana de Empreendedorismo de Lisboa.

“O que falta a Portugal é ambição, assertividade e ter a consciência” do sucesso, considera Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, quando questionado sobre a estratégia para aumentar o número de unicórnios, no painel “Gazelas, Unicórnios e outros caminhos para o Futuro”, na 11ª Semana do Empreendedorismo de Lisboa, que contou ainda com Joana Rafael, cofundadora da Sensei, Marcelo Lebre, COO e fundador da Remote, Rodrigo Graça Moura, CFO e VP Finance da Feedzai, e Ana Pimentel, jornalista e autora do livro “unicórnios Portugueses”.

A Câmara Municipal de Lisboa deve funcionar como uma espécie de front office que possa receber os investidores e ajudá-los no que precisarem”, isto sem fazer overselling, defendeu ainda Carlos Moedas.”Não há nada pior que trazer as empresas e investidores e não lhe dizer os aspetos negativos que temos cá. Já o fizemos antes, em que dizemos que tudo é bonito e… não é”.

Rodrigo Graça Moura, CFO e VP Finance da Feedzai, lembrou que há “questões fiscais e legislativas profundas que podiam ser feitas”, que caso fossem executadas iriam ajudar “a receita fiscal em Portugal disparar”.

Para Ana Pimentel, jornalista e autora do livro “Unicórnios Portugueses”, a “flexibilização das nossas questões laborais, talento, fiscalidade são problemas que as startups enfrentam”, mas a educação e cultura são de igual forma questões que não podem ser esquecidas e “que precisam de ser trabalhadas”.

“É preciso preparar o ecossistema [português] e muscular os fundos de modo a que consigam acompanhar este tipo de empresas [tecnológicas], que podem trazer alto valor acrescentado para o país”. Além disso, ainda na sua opinião, “às vezes nas empresas nacionais deve existir mais vontade de fazer marketing, de modo a que os investidores sintam o conforto de investir em Portugal”, diz Joana Rafael, cofundadora da Sensei.

A cofundadora da tecnológica por trás da loja sem caixas do Continente vai mais longe e chega mesmo a falar da possibilidade de se criar uma “zona franca tecnológica em Lisboa”. Uma proposta que foi rejeitada por Carlos Moeda: “Infelizmente a nível europeu é muito difícil criar uma zona franca. As regras da União Europeia não permitem que uma determinada Zona ter vantagens que desequilibrem o level playing field da Europa. A legislação na EU é bastante inflexível”, explicou ao público presente no painel desta segunda-feira.

Atrair talento

Como atrair e reter o talento e a capacidade do país potenciar os novos modelos de trabalho trazidos pelo trabalho remoto foi outro dos temas abordados durante o painel

“Penso que a nossa geografia é muito positiva. Temos sol para dar e vender. Aliás, temos facilidade de viajar para qualquer lugar sem qualquer problema. A hospitalidade e o nosso nível de inglês é bastante bom”, defendeu Marcelo Lebre, da Remote, lembrando que a posição geográfica do país apresenta vantagens para quem se quer instalar.

“O Marcelo disse algo que nunca na minha geração se diria. O Marcelo disse que Portugal está no centro, enquanto a minha geração diria que não, que Portugal era um país pequeno e que está na ponta da Europa”, disse Carlos Moedas, “o importante agora é ensinar os mais novos esta nova mentalidade.”

E aparentemente a geografia não é a única vantagem do país. “O nosso enquadramento fiscal também já é muito atrativo para quem vem de fora e está a trazer muita gente, como o caso da taxa máxima de IRS a 20%”, referiu Joana Rafael.

“Portugal evoluiu imenso nos últimos anos. Os processos administrativos tornaram-se também menos burocráticos”, acrescentou Rodrigo Moura.

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