Suspensão das importações de trigo da Rússia e Ucrânia “dificilmente” afetaria abastecimento a Portugal, diz INE

Ucrânia e Rússia representam 0,5% e 0,3% das importações nacionais de trigo, o que leva o Instituto Nacional de Estatística (INE) a considerar que uma suspensão "dificilmente" afetaria Portugal.

A Ucrânia representava 0,5% das importações nacionais de trigo no ano passado, enquanto o peso da Rússia era de apenas 0,3%. É com base nestes dados que o Instituto Nacional de Estatística (INE) acredita que uma eventual “suspensão das importações deste cereal com origem nestes países dificilmente poderá afetar o abastecimento interno”. Ainda assim, o INE admite que o conflito deverá “aumentar o desequilíbrio da balança comercial”, por via da escalada de preços.

O instituto publicou esta quinta-feira um conjunto de dados sobre a “economia do trigo”. No ano passado, apenas 6,3% do trigo utilizado em Portugal foi produzido em território nacional, valor que contrasta com os quase 60% registados em 1990 e o que retrata a “forte dependência” do mercado externo deste cereal, segundo o INE.

Esta situação está refletir-se na balança comercial de trigo. Se em 1998 o défice de trigo se situava em cerca de 48 milhões de euros, o valor mais baixo desde que há registos, em 2021 atingiu os 286 milhões de euros. Na média 2012-2021, França foi o principal fornecedor de trigo em Portugal, representando quase metade das importações nacionais desta matéria-prima (49%), seguido por Espanha (13% do total).

De onde vem o nosso trigo?

Fonte: INEFonte: INE

Quanto à Ucrânia e à Rússia, estes dois países têm um peso “residual” no fornecimento de trigo para o mercado português, representando “respetivamente 0,5% e 0,3%, na estrutura nacional das importações de trigo (média 2012-2021)”, segundo o INE. Nesse contexto, o instituto acredita que uma eventual “suspensão das importações deste cereal com origem nestes países dificilmente poderá afetar o abastecimento interno”.

No entanto, o INE sublinha que o conflito no leste da Europa “refletiu-se na cotação internacional do trigo o que, face à dependência externa de Portugal desta commodity, irá muito provavelmente aumentar o desequilíbrio da balança comercial”.

A agravar essa situação está o facto de que “as previsões agrícolas apontam para uma diminuição da produtividade de 10%, face a 2021”, na sequência do “aumento significativo dos meios de produção”, bem como das “condições meteorológicas adversas”, nomeadamente a seca, que culminaram numa quebra de 8% da capacidade instalada de produção deste cereal, refere o instituto.

Neste cenário, “mantendo-se o consumo interno ao nível de 2021 e admitindo, como hipótese técnica, que o preço de exportação do trigo no porto de Rouen se manteria, até ao final de 2022, ao nível registado a 18 de maio passado (443 euros/tonelada)”, o INE estima um agravamento do défice de trigo “próximo de 60%” em 2022 para os cerca de 165 milhões de euros, face ao período homólogo. Segundo o INE, no primeiro trimestre deste ano, as importações nacionais de trigo aumentaram 90%, face ao mesmo período de 2021.

(Notícia atualizada pela última vez às 12h07)

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