Parlamento Europeu aprova classificação do gás e energia nuclear como verdes

Alguns projetos de gás e energia nuclear vão passar a poder ser considerados verdes, de acordo com as linhas guia europeias.

O Parlamento Europeu votou esta quarta-feira a favor de classificar alguns projetos de gás natural e energia nuclear como verdes, ou seja, integrá-las na taxonomia europeia que lista os investimentos considerados alinhados com a transição energética e objetivos climáticos do bloco, avança o The New York Times.

Este resultado significa que alguns projetos nas áreas do gás ou de energia nuclear serão um alvo admissível para os investidores que se posicionem como respeitadores dos princípios ambientais, sociais e de governança, ou ESG, na sigla em inglês.

Esta proposta da Comissão Europeia teve luz verde em Estrasburgo, em França, através da não- aprovação de uma moção que se opunha à iniciativa de Bruxelas. Para a proposta do executivo comunitário ser vetada, a moção precisava de reunir 353 votos, mas teve apenas 278 votos a favor, abaixo dos 328 contra, registando-se ainda 33 abstenções.

De acordo com a Bloomberg, a regulação estará em vigor já no início do próximo ano, a não ser que o Conselho Europeu (Estados membros) levante objeções até à próxima segunda-feira, informa a Lusa.

De acordo com o NYT, tanto dentro do Parlamento como fora do edifício soaram protestos na altura da aprovação. Esta iniciativa não é consensual, sobretudo no que diz respeito ao gás natural.

O Institutional Investors Group on Climate Change (IIGCC), um grupo de investidores que gere um total de 50 biliões de dólares e inclui pesos pesados como o Blackrock, criticou a inclusão desta fonte de energia na taxonomia, mas não da energia nuclear, uma vez que têm impactos ambientais distintos.

Os ambientalistas apelaram ao chumbo da proposta. A portuguesa Zero, em comunicado, afirma que “é urgente reorientarmos o financiamento privado para garantirmos a independência energética da União Europeia”, respeitando a estratégia Repower EU, que ” exigirá, entre outros aspetos, uma enorme quantidade de investimentos para expandir os sistemas de energia renovável em todo o continente”.

A mesma associação indica que o gás natural traduz-se na emissão, aquando da sua queima, de grandes quantidades de gases com efeito de estufa nocivos para o clima, bem como ao longo de toda a cadeia de extração e transporte, nomeadamente metano.

No que diz respeito ao nuclear, a principal crítica é que “não oferece nenhuma solução de curto ou médio prazo para enfrentar tanto a atual crise energética quanto a crise climática”, já que as centrais nucleares levam 10 a 19 anos desde o respetivo planeamento até à data da operação. Ao mesmo tempo, consideram que não é uma energia neutra do ponto de vista ambiental tendo em conta os resíduos nucleares radioativos, e apontam que o risco de acidentes catastróficos permanece. No que toca à independência energética, a Zero ressalva que 20% do urânio da União Europeia é importado da Rússia.

(Notícia atualizada às 16h11 com mais informação sobre a moção)

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