Pluris de Mário Ferreira desiste do empréstimo de 40 milhões do Banco de Fomento

A empresa desiste dos 40 milhões concedidos pelos fundos do PRR para salvaguardar o "bom nome" do seu principal acionista, Mário Ferreira, anunciando um aumento de capital com fundos próprios.

A Pluris Investments anunciou esta segunda-feira que vai prescindir do empréstimo de 40 milhões de euros concedidos pelo Banco Português de Fomento, no âmbito do Programa de Recapitalização Estratégica, criado no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), para apoiar empresas afetadas pela pandemia.

A empresa vai, por sua vez, realizar um aumento de capital com fundos próprios, e recusa a atribuição de fundos do PRR “em nome da verdade dos factos e na salvaguarda do seu bom nome e do seu acionista principal, Mário Ferreira”.

Em comunicado, a empresa revela que, “apesar de ter formalizado a candidatura ao instrumento de recapitalização disponibilizado pelo Estado português, em 24 de fevereiro de 2022, e de a mesma ter sido aprovada pelo Banco Português de Fomento, no passado dia 30 de junho de 2022, recusa qualquer cêntimo do PRR e que solicitou hoje [segunda-feira] o cancelamento do pedido de empréstimo ao Banco de Fomento“.

A desistência é explicada pela polémica gerada em torno do pedido de empréstimo uma vez que corresponderia a mais de metade (52%) dos 76,7 milhões de euros de apoio à capitalização de empresas afetadas pela pandemia. A decisão gerou fortes críticas por parte da líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, e da antiga eurodeputada socialista e embaixadora Ana Gomes que levaram mesmo a um pedido de audição do empresário na Assembleia da República. Mário Ferreira, que é um dos acionistas do ECO, considera as declarações de ambas, “sobre as razões da atribuição desse empréstimo, insultuosas, fora de contexto, populistas e demagógicas – escudadas em insinuações para evitarem processos judiciais”.

Uma das empresas do grupo Pluris Investments, detida através da Mysticinvest Holding, é a Douroazul, que adquiriu o navio Atlântida aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo por cerca de 8,5 milhões de euros, tendo sido depois vendido, segundo o Diário Económico, por 17 milhões de euros. Segundo informações divulgadas pela investigação Malta Files, Mário Ferreira terá utilizado empresas criadas naquele país para mediar a operação, com possíveis vantagens fiscais.

Reiterando que a operação é “totalmente legal” e que cumpriu “todas as regras de transparência” – uma garantia que o próprio Banco de Fomento veio a terreiro dar –, Mário Ferreira lamenta que o empréstimo tenha sido transformado “num triste espetáculo mediático”. “Estranha-se que tanto Ana Gomes como Catarina Martins não se tenham preocupado com o facto de 323 milhões de euros dessa mesma linha não terem sido utilizados e que estejam em risco de ter de ser devolvidos a Bruxelas sem que qualquer empresa portuguesa deles beneficie”, acrescenta.

Este empréstimo do PRR, totalmente reembolsável e que iria pagar juros que se iniciam com um spread de 2,5% e iriam até aos 9,5%, mais taxa Euribor a 6 meses, visava apoiar um aumento de capital da empresa de navios turísticos Mystic Cruises. Mas agora, perante a desistência da operação o grupo vai levar a cabo o aumento de capital “necessário”, mas optou por “vender alguns dos ativos detidos pela Pluris Investments”, para o financiar. “O necessário aumento de capital” vai realizar-se “já na próxima semana”.

A Pluris é uma das 12 empresas cujas candidaturas foram aprovadas, a 2 de julho, pelo Banco Português de Fomento, ao Programa de Recapitalização Estratégica do Fundo de Capitalização e Resiliência (FdCR) no valor de quase 77 milhões de euros, de um total disponível de 400 milhões.

(Notícia atualizada com mais infirmação)

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