Mercado regulado vs liberalizado: conheça as ofertas de luz mais baratas

Tendo em conta três perfis tipificados de consumidor de eletricidade, são poucas as opções oferecidas pelo mercado livre que sejam mais vantajosas do que as oferecidas em mercado regulado.

No mercado da eletricidade, de momento, existem poucas ofertas que sejam mais competitivas do que as do mercado regulado, mostra o simulador da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.

Para um casal com dois filhos (potência de 6,9 kVA — quilovoltampere e consumo de 5000 kWh/ano — quilowatt-hora por ano), caso os clientes não queiram aderir a tarifas condicionadas, as únicas opções mais baratas em comparação com o mercado regulado são a oferta da Goldenergy “Cliente 04_22 Monoelétrico com DD+FE”, com um valor anual a pagar de 1102,89 euros, e a Tarifa e-luz&gás da Endesa, que custa 1108,88 euros no mesmo período, ambas um pouco abaixo dos 1113,83 euros anuais do mercado regulado.

Se o mesmo tipo de cliente quiser considerar ofertas condicionadas, terá duas opções que beneficiam face aos preços regulados. São elas a tarifa “Monoeletrico ACP 2022”, também da Goldenergy, que apresenta uma conta acumulada de 1045,33 euros por ano, e a tarifa “E-luz&gás” da Endesa, correspondente a 1096,87 euros anuais.

Já para um casal sem filhos (potência 3,45 kVA, consumo 1900 kWh/ano), as ofertas não condicionadas com preços abaixo do mercado regulado, de momento, não existem. No universo das condicionadas, volta a surgir a “Monoeletrico ACP 2022” da Goldenergy, que custa por ano 428,20 euros, e a “e-luz&gás” da Endesa, com o custo anual de 443,08 euros. O mercado regulado pede 449,19 euros num ano.

Por fim, para um casal com quatro filhos (potência de 13,8 kVA e consumo de 10900kWh/ano), existe a tarifa “+ Cliente 04_22 Monoelétrico com DD+FE”, da Goldenergy, e a tarifa “e-luz&gás”, da Endesa, com valores abaixo dos 2393,21 anuais que exigiria o mercado regulado. Estas opções custam, respetivamente, 2327,47 e 2327,78 euros por ano. Admitindo ofertas condicionadas, o “Monoeletrico ACP 2022” da Goldenergy aparece como o mais vantajoso, requerendo 2266,36 euros anuais, e a “e-luz&gás” da Endesa pede 2315,78 euros.

Os resultados apresentados pelo simulador são decorrentes de uma simulação rápida, que tem em conta três perfis típicos. No entanto, os consumidores podem usar os dados disponíveis na última fatura de eletricidade que tenham disponível, de onde podem retirar a potência contratada e o respetivo consumo, para fazerem uma simulação mais adequada às suas necessidades. Outro simulador que pode ser útil na procura por uma tarifa mais baixa é aquele que mede a potência contratada adequada a cada caso – por vezes, os consumidores contratam uma potência acima das suas necessidades, encarecendo a fatura.

Este cenário verifica-se num contexto de turbulência nos mercados energéticos internacionais, provocada pelo condicionamento da oferta russa de gás natural que decorre do conflito armado com a Ucrânia, um evento que veio pressionar ainda mais um mercado já apertado pela pandemia de covid-19, que ditou uma queda muito acentuada da procura e, posteriormente, uma recuperação a pique da mesma, que não foi acompanhada ao mesmo ritmo pelo nível de oferta, criando um desequilíbrio que resulta em preços mais altos. Os preços do gás natural interferem com os da eletricidade na medida em que esta energia fóssil ainda é amplamente utilizada para a produção de eletricidade.

Este fim de semana, em declarações ao Jornal de Negócios e Antena 1, o CEO da Endesa em Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, veio alertar para uma potencial subida de 40%, “ou mais”, na conta da eletricidade, relativamente ao pagamento do mês anterior – um aumento justificado pelo défice criado pelo mecanismo ibérico que define um teto para os preços do gás. Estas declarações foram refutadas pelo Governo, que indicou que uma subida decorrente do mecanismo “é uma impossibilidade” e garantiu que não existe um défice tarifário associado ao mecanismo.

Na sequência, a ERSE esclareceu que apenas pagam os custos do mecanismo os consumidores de que dele beneficiam, ou seja, aqueles que têm contratos “indexados ao mercado diário”, e garantiu que estará “particularmente atenta” ao comportamento dos comercializadores relativamente à repercussão do impacto sobre os consumidores.

 

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