Primeiras autorizações de residência na UE cresceram 31% em 2021, perto dos valores pré-pandemia

  • Joana Abrantes Gomes
  • 9 Agosto 2022

No ano passado, foram emitidas 2.952.300 primeiras autorizações de residência a pessoas provenientes de países terceiros, das quais 875.800 a cidadãos ucranianos. Emprego foi a principal razão.

A emissão de primeiras autorizações de residência na União Europeia (UE) a cidadãos extracomunitários está a atingir os níveis pré-pandémicos. De acordo com o Eurostat, foram emitidas 2.952.300 primeiras autorizações de residência a pessoas provenientes de países terceiros em 2021, o que representa um aumento de 31% (mais 693.700 emissões) face ao ano anterior, aproximando-se dos números observados em 2019, que totalizaram 2.955.300 emissões.

Compreendendo 45% do total de emissões no ano passado, ou seja, 1,3 milhões, o emprego surge em primeiro lugar entre as razões para emitir primeiras autorizações de residências. Este número cresceu 47% (mais 429.100 emissões) em relação a 2020, ao mesmo tempo que é o valor mais elevado de autorizações emitidas por razões de emprego desde o início da publicação destes dados pelo gabinete de estatísticas da UE.

Evolução das emissões de primeiras autorizações de residência na UE desde 2009. Fonte: Eurostat

Razões familiares representaram 24% das primeiras autorizações emitidas em 2021, mais 14% face a 2020 (isto é, mais 88.600), enquanto a educação correspondeu a 12% do total de emissões, 42% acima dos números do ano anterior (mais 105 mil). Outras razões, incluindo a proteção internacional, equivaleram a 19% das autorizações, refletindo um aumento homólogo de 15% (mais 71 mil).

Polónia emitiu um terço das autorizações de residência, Itália teve o maior aumento

Um terço do total das primeiras autorizações de residência concedidas a cidadãos não comunitários em 2021 – isto é, 967.300 emissões – foi emitido pela Polónia, país ao qual se seguem a Espanha, com 371.800 autorizações concedidas (13%), e a França, com 285.200 emissões (10%), revelam os dados publicados esta terça-feira.

Em comparação com 2020, Itália registou o maior aumento relativo do número total de licenças emitidas no ano passado, passando de 105.700 emissões em 2020 para 274.100 em 2021 (mais 159%). Segue-se a Finlândia, que teve uma subida de 132% (de 24.800 em 2020, para 57.300 em 2021) e a Polónia, com um crescimento de 62%, ao aumentar de 598.000 em 2020, para 967.300 em 2021.

Pelo contrário, as únicas descidas no número total de autorizações concedidas a pessoas provenientes de fora da UE em 2021 verificaram-se na Alemanha, que baixou de 312.700 emissões em 2020 para 185.200 em 2021 (menos 41%), Lituânia (menos 7%; de 22.500 em 2020 para 21.000 em 2021) e Croácia (menos 4%; de 35.100 em 2020 para 33.600 em 2021).

Polónia lidera nas licenças para trabalhar, França é a principal escolha para estudar

No ano passado, a Polónia encabeçou a lista das primeiras autorizações de residência relacionadas com o emprego, com 790.100 emissões (27% do total), tendo liderado também no que toca às licenças emitidas por outras razões, com 120.500 (4%).

Quanto à educação, o líder foi a França, ao conceder 90.600 autorizações por esta razão (3%). Espanha (159.200, ou 5%), Itália (120.500, ou 4%) e França (93.300, ou 3%) são o ‘top 3’ nas autorizações emitidas por razões familiares em 2021.

Cerca de 30% das autorizações foram concedidas a cidadãos ucranianos

A Ucrânia ainda não tinha sido invadido pela Rússia, mas os cidadãos ucranianos já representavam em 2021 o maior grupo ao qual foram concedidas autorizações de residência pela primeira vez. Ao todo, 875.800 ucranianos receberam as primeiras autorizações de residência em países da UE, correspondendo a quase 30% do total de emissões. A maioria (83%) foi emitida pela Polónia.

10 principais cidadanias às quais foi concedida licença de residência na UE em 2021. Fonte: Eurostat

Entre as 10 cidadanias com mais licenças concedidas em 2021, Marrocos surge em segundo lugar (150.100 autorizações, das quais 50% foram emitidas em Espanha), seguindo-se a Bielorrússia (149.000 autorizações, das quais 88% foram emitidas na Polónia). Os cidadãos destes países, a par com os da Ucrânia, representam 40% de todas as primeiras autorizações de residência emitidas ao longo do ano passado.

O emprego foi a principal razão para as autorizações emitidas a cidadãos ucranianos (88% de todas as primeiras autorizações de residência), bielorrussos (47%), indianos (41%) e russos (35%). No caso das licenças concedidas a cidadãos de Marrocos (59%), Brasil (41%) e Turquia (33%), a família pesou mais, enquanto as autorizações para a educação foram emitidas principalmente a chineses (43%) e americanos (32%). Outras razões foram predominantes para cidadãos provenientes da Síria (74%), país que vive há anos sob uma guerra civil.

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