Lucro da Glintt Global sobe 25% para recorde em 2024. CEO prevê subida de dividendos

Tecnológica portuguesa lucrou cinco milhões de euros no ano passado. "A nossa intenção é continuar a distribuir dividendos em linha com o aumento do nosso resultado líquido", diz Luís Cocco.

A tecnológica Glintt Global teve lucros históricos de cinco milhões de euros no ano passado, o que representou um crescimento de 25% em relação a 2023. A empresa de consultoria digital e software para saúde prevê dividir lucros pelos acionistas pelo terceiro ano consecutivo, em linha com o aumento do resultado líquido, avançou ao ECO o presidente executivo.

“Neste momento, a Glintt é uma empresa saudável. Aumentámos o dividendo no ano passado para o dobro e este ano a nossa intenção – assim que o conselho de administração aprove – é continuar a distribuir dividendos em linha com o aumento do nosso resultado líquido. A política de [distribuição de] dividendos é para manter todos os anos, exceto algum caso excecional que neste momento não se prevê”, afirmou Luís Cocco.

A Glintt Global começou a distribuir dividendos há apenas dois anos: primeiro com um dividendo bruto de 1,72 cêntimos euros por ação e depois 3,45 cêntimos por ação.

A partilha dos resultados com os trabalhadores também se repete, no âmbito do esquema de remuneração variável trimestral. “Tendo em conta os bons resultados no último trimestre de 2024, dobrámos a remuneração variável”, adiantou o gestor.

Segundo o relatório financeiro divulgado esta quinta-feira pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o volume de negócios consolidado da Glintt Global em 2024 ascendeu a 122,3 milhões de euros, mais 1,8% do que os 120,2 milhões de euros registados no ano anterior. A faturação cresceu à boleia do mercado internacional, que subiu 10,4% em termos homólogos, enquanto o volume de negócios em Portugal caiu 2,3%.

Robôs de farmácias e hospitais puxam pelas contas

A evolução no mercado internacional resulta de crescimento orgânico fundamentalmente nas áreas da Glintt Life Espanha, ou seja, na área de farmácia e na área hospitalar, quer na venda de projetos de desenvolvimento aplicacional quer na venda e instalação de equipamentos e robótica”, lê-se no documento publicado pela CMVM.

Nesta componente da faturação, destaca-se a variação positiva de 7% na componente de vendas, como equipamentos e robôs para farmácias, sendo que a prestação de serviços (consultoria digital) deslizou 0,1%.

O resultado operacional bruto (EBITDA) fixou-se nos 20 milhões de euros, semelhante (+0,8%) ao de 2023, e a margem EBITDA desceu de 16,7% para 16,5%. Quanto a esta redução de 0,2 pontos percentuais, deveu-se à performance dos vários produtos e serviços que a empresa comercializa. “Às vezes, uma ligeira variação de produtos faz com que a margem se altere ligeiramente. Lembro-me de a Glintt ter margens abaixo dos 10%, mas penso que a capacidade de melhoria a certa altura está limitada. Estamos confortáveis com esta”, esclarece o CEO.

O rácio de autonomia financeira atingiu os 45,1% em 2024 e a dívida líquida do grupo diminuiu 6,3 milhões de euros para 31,3 milhões de euros. “Na nossa trajetória dos últimos anos, a tónica principal tem sido um grande enfoque no cliente: comunicar, estar perto e entender as suas necessidades, o que nos permitiu desenvolver ofertas cada vez mais adequadas e ajustadas. Isso foi o que nos permitiu ter maior volume de negócios e maior rentabilidade. Conseguimos ter margens mais elevadas, também conjugado com uma permanente preocupação pela eficiência operacional”, explicou Luís Cocco ao ECO.

Sem apresentar detalhes sobre o capex, que envolve o investimento em soluções de software para farmácias e hospitais – entre três a quatro milhões por ano – e as aquisições, o CEO da Glintt Global disse apenas que, mais do que o montante, importa destacar “o valor que acrescenta” uma compra. “Somos uma empresa que, historicamente, tem feito aquisições. Recentemente, adquirimos a Prológica como parte da nossa estratégia para aumentar e consolidar a nossa liderança no setor de dados da saúde, nomeadamente hospitalar, que pensamos que é uma das áreas estratégicas dos próximos anos”, realça.

Questionado sobre as próximas transações na calha, o CEO escudou-se na habitual resposta – “estamos sempre atentos” – e assegurou que a companhia tem capacidade financeira para novos acordos de integração que façam sentido. “Tivemos um rácio de dívida líquida sobre o EBITDA à volta de 1,5 [1,3], portanto temos capacidade de endividamento, além de histórico de saber integrar as aquisições quer em Portugal quer em Espanha, mas somos cautelosos. Só avançamos com as oportunidades em que acreditamos e que acrescentem valor”, justifica.

Tivemos um rácio de dívida líquida sobre o EBITDA à volta de 1,5, portanto temos capacidade de endividamento, além de histórico de saber integrar aquisições em Portugal e Espanha, mas somos cautelosos.

Luís Cocco

CEO da Glintt Global

O líder da Glintt Global mostrou-se ainda agradado com o pós-aquisição da tecnológica de São João da Madeira. “Com a Prológica, achámos que estavam reunidas as condições certas e avançámos. Estamos muito contentes com os primeiros tempos pós aquisição. Estamos permanentemente a analisar oportunidades em Portugal e Espanha”, referiu. Para Luís Cocco, adquirir competências através da consolidação de mercado é uma boa alternativa e tem sido uma tendência no setor da tecnologia, dando como exemplo a PHC Software.

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