Sarmento “muito preocupado” com estagnação da Zona Euro. Instabilidade em França também é risco

Ministro das Finanças elencou ameaças do contexto internacional para a economia portuguesa, entre as quais o crescimento económico anémico de países como Alemanha e França.

O ministro das Finanças reconheceu esta quinta-feira que a estagnação económica na Zona Euro é um fator de preocupação, assim como a instabilidade em França. A cerca de um mês da entrega do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026), Joaquim Miranda Sarmento defendeu a necessidade de manter a trajetória de redução da dívida pública.

“Também estamos muito preocupados com a estagnação na Europa e na Zona Euro. Grandes países, principalmente Alemanha e França, têm enfrentado uma estagnação económica“, disse Miranda Sarmento, numa intervenção na conferência conferência do Financial Times sobre “a posição de Portugal numa ordem global em mudança”, na Nova SBE, em Lisboa.

O governante recordou que a Alemanha e França estão entre os principais parceiros económicos de Portugal, não apenas em exportações, mas também em investimentos em turismo. Pelo que “obviamente é uma grande preocupação que o ciclo económico possa entrar em declínio”, com consequências para o “desempenho económico português”.

De acordo com a estimativa divulgada na semana passada pelo Eurostat, a economia da Zona Euro desacelerou e cresceu 0,1% no segundo trimestre. Também os mais recentes dados do Purchasing Managers’ Index (PMI) mostram que a economia da área da moeda única continuou a expandir-se a um ritmo lento em agosto, em que o crescimento mais fraco dos serviços anulou a melhoria da produção industrial.

O governante elencava esta manhã os desafios do atual contexto internacional, entre os quais destacou os choques geopolíticos. “A guerra na Ucrânia continua a trazer incerteza. Estamos todos preocupados com a escalada do conflito”, disse, identificando também o impacto das tarifas e das guerras comerciais.

“Esperamos que esse capítulo esteja encerrado e a incerteza tenha acabado. Mesmo assim, as tarifas irão prejudicar todos”, alertou. Nesta matéria, destacou o “forte efeito indireto” para Portugal, já que a maioria das exportações nacionais tem como principais destinos “Espanha, Alemanha e França, países muito afetados pelas tarifas e pela guerra comercial da Administração americana”.

Para Miranda Sarmento, que reiterou a intenção de reduzir o rácio da dívida pública para abaixo de 90% nos próximos anos, os “países que têm dívida pública acima de 100% do PIB, especialmente países grandes como Espanha e Itália” também podem ser um sinal de alerta. No entanto, apontou sobretudo como risco “a instabilidade política na França”.

O ministro reconheceu ainda que a economia portuguesa apresenta ainda “uma baixa produtividade” e considerou que o país precisa de mão-de-obra.

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