Marcelo Nico: “Os jovens portugueses têm um talento que é dos melhores que temos na Europa”

  • ECO
  • 3 Novembro 2025

Com um caminho marcado por coragem e ambição, Marcelo Nico, no 50º episódio do podcast "E Se Corre Bem?", conta como foi a decisão de deixar a Argentina e ir para Itália, onde iniciou o seu percurso.

Marcelo Nico, diretor-geral da Tabaqueira, é o 50º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. Está em Portugal desde 2021, mas o percurso até chegar aqui começou em 2002, quando decidiu deixar a Argentina e, com apenas duas malas, iniciar uma vida completamente sozinho, em Itália. Foi aí que, depois de uma temporada a trabalhar num bar, encontrou uma proposta de emprego na Philip Moris International e começou o percurso que, 18 anos depois, o levou ao cargo que hoje ocupa.

“Esta grande viagem começou em Buenos Aires, onde eu nasci. Trabalhei oito anos na Argentina. Fui repositor de supermercado enquanto estudava à noite, também passei pela área de telecomunicações e ainda fiz lá um mestrado. Só que em 2001 veio a grande crise da Argentina e eu perdi as poupanças que tinha no banco. Isso fez-me refletir muito e, como os meus avós eram italianos, eu peguei no meu passaporte italiano e disse aos meus pais que ia deixar o meu trabalho. Despedi-me da companhia onde estava e fiquei sem nada, a não ser o bilhete do voo para Milão e duas malas“, começou por dizer Marcelo Nico.

Depois de chegar a Itália, o agora diretor-geral da Tabaqueira começou a trabalhar num bar, mas continuava a mandar o seu currículo para vários anúncios de emprego que via até encontrar aquele que viria a mudar toda a sua vida: “Vi um anúncio da Philip Moris International, que procurava RPs e seis supervisores de vendas. Candidatei-me às duas posições, fui chamado para ser RP e nem pensei duas vezes. Comecei por trabalhar nas tabaqueiras, mas no ano seguinte já era supervisor de vendas e cinco anos depois tive a oportunidade de ir para a Suíça, onde trabalhei durante três anos. Depois, em 2011, fui para a Rússia, onde estive um ano, e segui para o Sul de África, onde fiquei durante nove anos a fazer vendas e marketing, até me tornar diretor-geral da filial na África do Sul e de um cluster de mercado“.

Mas, apesar de ter adorado a experiência de trabalhar na África do Sul, há um momento em que Marcelo Nico começou a sentir vontade de voltar para a Europa e decidiu perguntar à empresa se havia alguma oportunidade para ele nalgum país europeu. Foi aí que surgiu Portugal e começou o seu percurso como diretor-geral da Tabaqueira que, pelo facto de coincidir com os confinamentos da Covid-19, foi desafiador. “Foi muito desafiante começar como diretor-geral numa organização com 1500 pessoas na época da Covid-19. Cheguei a Portugal no dia 1 de janeiro de 2021, mas só consegui estar fisicamente com os meus funcionários diretos em Abril. Até aí fazia tudo por Teams – conhecia as pessoas por Teams, fazia as visitas aos clientes por Teams, apresentavam-me a organização por Teams. Era tudo virtual”.

Ainda assim, o diretor-geral da Tabaqueira reconheceu que se surpreendeu muito com o talento português. “Os jovens portugueses têm um talento que é dos melhores que temos na Europa”, afirmou, explicando que mede esse talento pelas skills que as pessoas apresentam. Quando temos de escolher pessoas para progredir dentro de uma organização, não basta que elas façam bem o seu trabalho, elas têm de ter uma visão diferente, de ver a big picture. Tem de haver capacidade para aprender e crescer, até porque o que hoje se sabe, amanhã já não nos serve”, disse.

 

Esta ambição de querer saber mais foi também o que levou Marcelo Nico a destacar-se profissionalmente e a crescer numa empresa que também segue a premissa de inovação. Prova disso é a vontade que a Tabaqueira tem de se tornar uma empresa sem fumo. Se, à primeira vista, esta ideia parece um contrassenso, a verdade é que, para o responsável, não faria sentido de outra forma: “Enquanto adulto, tens de saber que o melhor é não usar nenhum produto de nicotina. Mas, se fores utilizar nicotina, então tens de receber a informação certa sobre as melhores opções. E a nossa missão é promover produtos alternativos menos nocivos para quem, hoje, utiliza nicotina”.

Foi com este objetivo em mente que a Tabaqueira começou a lançar opções como o IQOS que, em Portugal, “vende mais do que qualquer outra marca de cigarros”. Para isso acontecer, Marcelo Nico esclareceu que foi necessário passar por um processo de transformação, que só teve sucesso pela visão clara do board e acrescentou que, “a partir daí, passa-se a mensagem para os 80 mil colaboradores da Philip Moris International (PMI) e começa a acontecer toda uma mudança cultural”.

A PMI tem investido 13 mil milhões de dólares no desenvolvimento e na comercialização de produtos sem fumo, ou seja, a visão era muito clara. Sabia-se que se se eliminasse a combustão e se se extraísse nicotina de maneira diferente, o impacto na saúde era dramaticamente diferente. Só que a tecnologia das baterias e do software ainda não estava desenvolvida, então era preciso investir em muita inovação e muita ciência. É por isso que temos 900 cientistas e técnicos, que trabalham para entender como desenvolver produtos alternativos que o fumador possa aceitar, mas que tenham um impacto diferente na sua saúde”, explicou.

A preocupação com a saúde é, de facto, uma premissa para a empresa e Marcelo Nico deixou isso claro quando afirmou, sem hesitar, que “quem não fuma, não deveria experimentar nenhum produto com nicotina” e, nos casos de quem fuma, “o melhor que pode fazer para a sua saúde é deixar completamente de utilizar nicotina”. No entanto, havendo tantas pessoas com este vício, a premissa passa a ser encontrar alternativas que sejam menos prejudiciais e é precisamente aqui que a empresa se foca.

Nós vemos num futuro sem fumo uma forma de substituir o cigarro, que é a maneira mais nociva de consumir nicotina. Neste âmbito, a regulamentação e a fiscalização têm um papel importante dentro deste processo. No entanto, ainda há alguns países em que está proibida a comercialização de produtos menos nocivos. E eu acho que é pela falta de informação e pela falta de desenvolvimento científico, isto porque se as discussões sobre os produtos de tabaco e nicotina fossem baseadas na ciência, seguramente estariam a ser colocadas mais proibições no cigarro tradicional, que é a pior maneira de consumir nicotina, e deixariam haver comércio dos outros produtos“, concluiu.

Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e dos Vinhos de Setúbal.

Assista ao vídeo aqui:

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